Tempos, tempos, tempos,
atemporais
Andaluz,
Resgato o tempo antes do tempo, vida
Interior, dormir na última tempestade.
Tempestuosos sonhares não me acordaram
Antes do tempo me tornar ultrarromântico.
“Tudo tem o seu tempo
determinado, e há
tempo para todo propósito debaixo do céu.”
Vagueio errante pelas
estradas, encaro a luz
Para simbolizar a aurora, antes de
Te esquecer.
Sou prisioneiro e
resgate ao mesmo tempo.
Os grilhões não me sufocam; a dor da perda,
Sim. Os dias virão, a atualização é necessária:
Trocarei de roupas, andarei entre pérolas
E cizânias petrificadas, cultivarei cactos, com a
E certezas de que os espinhos não me machucarão.
Não verei o som do Big
Ben, mas o tempo
Me trouxe para ouvir os sinos dobrando
Na torre da Igreja Matriz. Não beberei
Da água do Rio Tâmisa ou do Sena, mas
Hibernarei sob as águas do Rio Almada,
Em Pirangi, descalçarei as sandálias — não como
O pescador, mas as dos tempos que há de vir,
despertando o ultrarromântico singular, que se
perdeu no tempo.

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