Estou Beduíno
Sob o céu de bronze e o
vento do deserto,
Cavalgo com Sibila de Jerusalém ao meu lado,
Estou Beduíno, com o horizonte aberto,
Deixando para trás o que foi sepultado.
Balduíno IV já não está
entre nós,
O Rei Leproso descansou de sua dor,
Já não se ouve mais a sua voz firme,
Nem o eco de seu trágico esplendor.
A bandeira dos
Templários já não flerta com os ventos,
Os panos brancos e vermelhos cederam ao chão,
Silenciaram-se as preces e os lamentos,
De uma outrora temida e forte regularmente.
É primavera, os cavalos
árabes estão inquietos,
Sentem no ar a mudança das eras e do altar,
Seus cascos cansam de caminhos desertos,
Ansiosos por novas terras conquistando.
Balião de Ibelin já não
guerreia mais,
As muralhas que defendeu trouxeram-se história,
Suas mãos cansadas agora buscam a paz,
Longe do ferro, do sangue e da glória.
Hattin está em paz, o
calor amainou,
A poeira da batalha finalmente assentou,
Saladino ainda respeita com seriedade,
Guiado por sua honra e lealdade.
Jerusalém ainda vale tudo,
o centro do mundo,
Onde a fé se consagra em mistério profundo.
Rezo na Igreja do Santo Sepulcro, na luz que clareia,
Enquanto a poeira da história na pedra passou-a.
Não há mais o que
lamentar no Muro das Lamentações,
As lágrimas antigas secaram nas fendas do tempo,
Calaram-se os tambores de todas as nações,
Pois a promessa venceu o último contratempo.
Cristo já não está, ressuscitou,
A tumba vazia é o triunfo que ficou.
Sou o deserto, a memória e a canção,
O último guarda desta santa região.


