O poeta de Pirangi

O poeta de Pirangi
O Poeta de Pirangi

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

APOESIADECLAUDIOLUZREQUIEM

Réquiem

 


In Memoriam a todos que faleceram crendo ou não na ressureição

 

Toda matéria um dia desbota e se vai,
O tempo consome o que o mundo criou,
Mas há um império que nunca decai,
Feito do amor que a alma guardou.

 

A beleza física, brilho efêmero, passará,
Como folha ao vento que o outono levou,
Mas a beleza da alma para sempre será
O reflexo puro do coração que amou.

 

Quebre as correntes que te prendem ao chão,
O apego ao que é denso, pesado e fugaz,
Liberte a essência, desperte a visão,
Abra as asas do peito e voe em paz.

 

Voe para longe de toda ilusão,
Seja o vento leve, a verdade, a raiz,
Sem amarras, sem posses, na imensidão,
Desperta o teu ser e seja feliz.

 

"Requiem aeternam dona eis, Domine"

("Dai-lhes o descanso eterno, Senhor").

 


domingo, 1 de novembro de 2026

apoesiadeclaudioluzpelosanosvelhos

Adeus ano velho

 


Em tempos idos, o meu avô vaticinava:

"Meu neto, quando chegarem os 'Bros',

o que você não fez, não fará mais."

 

Curioso, eu fiquei atento e meditei: quem

são os "Bros"?

 

Com um sorriso faceiro, ele me dizia:

"Os 'Bros' são: Setembro, Outubro, Novembro

e Dezembro."

 

Depois ele colocava um cigarro na boca e, pitando,

fazia do ar espirais enquanto cantava: “Setembro

passou, Outubro e Novembro, já tamo em Dezembro,

meu Deus, que é de nós…”. E os iam "Bros" passando

ao longo.

 

Amor de boemia

 

Você nunca pediu para eu ficar,
Apenas, sempre trancava a porta enquanto eu
Percorria ruas a ermo, encoberto pela
Penumbra, que ria disfarçadamente dos meus
Infortúnios, cadentes à meia-luz.


Em pensamentos entendia que nunca
Aprenderia se eu voltasse de novo entre compassados,
Gostados por demais, comendo, rezando e amando,
Entre os deuses e os mortos, embriagando-me
Com as iniciais do seu nome, entre o “Alfa e o Ômega”,
Não envelhecido como o vinho com que brindamos no momento em que nos conhecemos, dançando entre acordes dissonantes, sonhando passar o resto das nossas vidas juntas.


Não sei se deveríamos ser felizes para ser infelizes ou
Infelizes para pensarmos que éramos felizes, bebendo da taça incólume, beijando esperanças frugais, que se encontravam nas prateleiras boêmias, que nos postergavam para não
Encontrarmos o day after,
Ou para a solidão que vestíamos,
Quando deveríamos estar nus, entre retalhos mal resolvidos,
Que não cobriam os nossos corações, quando não ouvíamos
Os apelos dos ventos e das indóceis recordações
Que sempre nos separaram.
Você simplesmente sempre me deixou ir...

 

Colheitas

 

Aviso dado, o espaço está aberto.
Quem quiser testar minha paciência,
está livre para seguir o próprio instinto.
Faça o jogo que quiser, use a conveniência.

 

O erro é livre, o arbitro é pleno,
pode agir à vontade, sem nenhum freio.
Mas guarde bem o peso desse aviso,
pois quem planta o vento, colhe o anseio.

 

A roda do tempo nunca deixa de girar,
e o silêncio de hoje é o cálculo do amanhã.
Quando a mesa muda e o vento muda,
não espere clemência ou resposta sã.

 

Quando chegar a minha vez de dar as cartas,
o cenário vai ser frio, a conta vai chegar.
Não haja desculpa, choro ou pena,
eu só vou cobrar o que decidimos plantar.

sábado, 31 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzdiadapoesia

Despertar poético

 


Em Veneza, as praças testemunham o sussurro,
onde a alma se despe de qualquer amarra,
os lábios declamam contra o tempo escuro,
e o peito, em delírio, na poesia se agarra.

 

Mergulho entre atos que a vida deseja,
não os dos apóstolos, mas os do momento,
bebo a sutileza que o mundo contém,
no fluxo constante de sentimento.

 

O espírito é sazonal, aceita o compasso,
do regime de chuvas que cai sobre o chão,
não neblina do frio que gela o espaço,
mas busca o calor de uma explosão interna.

 

É o calor de um amor que faz delirar,
em versos que flutuam sem lei ou moral,
capaz de a alma e o espírito elevar,
num pacto sagrado e transcendental.

 

Sem pressa

 

O relógio desfila seus minutos lentos,
A rua lá fora finge que quer correr,
Mas aqui dentro o verso encontra os ventos
E aprende, devagar, a florescer.

Sem pressa de chegar a parte alguma,
Sem pausa que interrompa o coração,
A tinta escorre e vira fumaça e bruma,
Desenhando silêncio na amplidão.

Um passo, uma respiração, um traço,
O tempo perde a força e a medida.
O poema se faz no próprio espaço
Entre o pulsar e o sopro da vida.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzdidatica

Poeta Autodidata

 


Se quiseres ser poeta, acorda!
Todas as inspirações contidas, acorda
a ti mesmo, se quiseres tocar o
coração de alguém, eliminando as
dores, pintando uma nova face com
emoção.

Ser poeta é escrever bem no meio da noite ou
no claro do dia, angustiando-se,
alegrando-se como uma grávida em gestação
lunar.

Ser poeta é iludir com verdades, despetalando
as rosas púrpuras, extraindo os venenos
das maldades alheias, cobrindo-se com
os raios do sol da meia-noite, sem
despertar as aves noturnas que singram
para o mar.

Ser poeta é beber do cálice amargo,
sufragando as palavras esquecidas no
livro de protocolos dos Sábios de Sião.


Enfim, ser poeta é se vestir de versos
indomáveis, puritanos às vezes, versejando
com os olhos aquilo que o coração sente e
a mente, talvez, desmente.

 

Adestração amorosas

 

Adestrei-me com o vento
E fiz da queda o meu abrigo,
Não há temor no pensamento
De quem carrega o raio consigo.

 

Minha festa amorosa é a tempestade,
Onde o céu desaba em paixão,
Despindo a alma da vaidade,
Rasgando o peito do trovão.

 

Nesse outubro de águas claras e brutas,
O amor não chega como calmaria,
Vem no estrondo das absolutas
Noites de fúria e de poesia.

 

Que vente forte, que o mundo mude,
Que desabe o teto e balance o chão,
Pois trago a força da juventude
No caos sagrado do coração.

Caminho de Luz

 

Vivo nas estrelas
porque lá é que brilha a minha alma,
longe da pressa e das janelas,
onde o silêncio traz a calma.

 

Deixo na terra os passos rasos,
o peso em vão que a vida traz,
e sigo em busca dos abraços
que o firmamento me dá e faz.

 

Sou feito de poeira e brilho,
de um tempo antigo e sem partir;
quem olha o céu encontra um trilho
onde a esperança sabe vir.

 

E se a minha noite cai pesada e escura,
não tema a sombra nem a dor:
alma voa na altura,
feito estrela, em paz e amor.

apoesiadeclaudioluzsilenciosa

As Coisas que o Silêncio Escreveu


Escrevi teu nome no avesso dos meus dias,
Num verso mudo que você não quis ler.
Te amei nas horas em que o mundo adormecia,
E no espaço eterno entre o querer e o esquecer.

 

Meu peito foi palco de um sentimento imenso,
Que gritava alto, mas não fazia som.
Te busquei no eco de um abraço suspenso,
Tentando entender onde perdemos o tom.

 

Bati em portas que o tempo já fechou,
Esperei palavras que o vento não trouxe.
E nessa ausência que em mim se instalou,
Descobri que o fim também pode ser doce.

 

Porque amar também é saber traduzir
As respostas que o teu vazio me deu.
É recolher os pedaços, sorrir e partir,
Aceitando a carta que você nunca escreveu.

 

Liberto os nós que um dia amarrei,
Deixo ir o que nunca foi meu para guardar.
No silêncio sagrado em que te amei,
Aprendi que o maior amor é se poupar.

 

O Eco da Promessa

 

Mesmo que a noite pareça calar,
A voz que um dia quis ensinar,
Existe uma força que o tempo não mede,
Que cuida, que guarda e que intercede.

 

Os filhos do mundo pertencem ao vento,
Mas voltam na prece a cada momento,
Pois onde o teu braço não pode alcançar,
O amor do Senhor já passou a cuidar.

 

Descansa os olhos cheios de esperança,
A alma que clama, o pranto que gera,
Nenhum coração que se dobra em oração,
Se esvaziado de Deus ou chora em vão.

 

As dores entregues no altar do silêncio,
Ganham asas no céu em doce incenso,
E a Cruz que sustenta o peso do mundo,
Abençoa o teu zelo mais profundo.

 

A semente plantada na terra do peito,
Germina no tempo que Deus julgou eleito.
Aquieta o pranto, renova a esperança,
A fé do teu colo é o que os alcança.

 

 

O Risco de Voar

 

Não tentar será sempre mais fácil,
Não se arriscar, um abrigo seguro.
Mas o porto parado e inerte
Não leva a nenhum novo futuro.

 

Não se voa sem a sombra do chão,
Sem o frio do vento a tocar,
Pois quem nunca aceitou a queda
Nunca aprendeu o que é se lançar.

 

E se o passo vacila na estrada,
Se o tropeço te faz revirar,
Saiba que a própria pedra no caminho
Ensina a gente a caminhar.

 

O tombo não é o fim da jornada,
É a cicatriz de quem ousa tentar;
Mais vale a poeira do esforço
Do que o tédio de nunca voar.

 

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzoceuportestemunha

Sob a proteção dos céus dos apaixonados

 


Deitamos na praia, o sol regozija-se.
O esperanto é a língua-mãe,
a linguagem é universal. O sol
também se levanta, o amor flutua
entre as nossas almas, somos a
natureza latente.

 

O céu sem estrelas nos encobre.
Esperamos a noite para tomar banho
de lua e nos enxaguarmos com as
estrelas seculares; somos anjos.

O amor flutua, descortina-se entre
os nossos corpos. Somos apaixonados desde
a vigésima quinta hora que nos desperta.


Somos únicos, desde a aurora até o poente,

Somos juramentos em busca da Ponte dos
Suspiros. Somos amantes premidos com
as promessas que adormecem nos céus.

 

Estamos protegidos.

 

Inconclusões

 

Não houve perda, houve achado,
Se foi amor, o tempo diz.
O que restou ficou guardado,
Memória viva, cicatrizada.

 

A bússola que o peito guia
Chegou bem antes do relógio;
O sentimento não adia,
Não pede tempo nem elogio.

 

Diante do céu guardei silêncio,
Mas os temporais cá de dentro
Me interrogaram em turbilhão:
Exigiram que eu fosse eu,
Na coragem que o medo deu,
De entregar meu próprio coração.

 

Falar de amor, ouvir o eco,
Aceitar o boato que ele quis,
Mesmo contra a minha própria voz.
Ceder ao que não controla,
E entender que, no final das contas,
O amor decide sobre nós.

 

Amor a preço fixo

 

Às vezes a vida não nos rouba ninguém,
não leva o abraço, não corta o caminho,
apenas acende a luz que convém
e mostra o cansaço de estarmos sozinhos
mesmo estando acompanhados.

 

O custo não vem em moeda ou metal,
não se paga com juros, nem nota de cem;
cobra-se em paz, em silêncio e em mal
que a gente aceita de quem não convém.

 

É o pedaço de alma que a gente concede,
o sorriso forçado, a voz que se cala,
a sede de afeto que nunca se sede,
o eco vazio que mora na sala.

 

Manter por perto quem já se ausentou
é carregar peso que a estrada não pede.
A vida não tira: ela apenas mostrou
o preço exato do fio que se perde.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Saudades de Lev

 




Quando a casa silenciada e a saudade aperta,

Uma brisa suave entra pela janela aberta.

Não há som de patinhas no chão a ecoar,
Mas sinto, no peito, a sua alma a me abraçar.

 

Eles voltam nas asas de uma borboleta dourada,
No raio de sol que ilumina a sala vazia,
Na lembrança doce de uma corrida compartilhada,
Transformando o inverno em calor e alegria.

 

Não chores pensando que a partida foi o fim,
Eles correm agora num eterno e lindo jardim.
E sempre que o teu coração de saudades chama,
Num sopro de vento, eles voltam para te visitar.