O poeta de Pirangi

O poeta de Pirangi
O Poeta de Pirangi

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzpassoapasso

Passo a passo

Quando eu passava na sua rua,

o asfalto cinza virava jardim.

O amor florescia em cada calçada,
num tempo bonito feito só pra mim.

 

As ondas do mar eram cumplices dos

Meus sonhares a lua assemelhava acalantos,

O vento pairava no ar, não existiam

Derredores, só sonhos conectados.

 

As nuvens podiam chorar lá no alto,
o mundo inteiro desabar em água,
mas as chuvas não me molhavam:
seu rastro afastava qualquer mágoa.

 

Seu teto era o meu horizonte,
seu lembrar era o meu abrigo.
Bastava pisar no teu Pontal
para o universo caminhar comigo.

 

Hoje a rua continua lá,
mas o encanto mudou de lugar.
Quem me dera passar de novo
só para ver o amor florescer,
e na tempestade não me molhar.

 

 

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998

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domingo, 4 de outubro de 2026

O deserto era fértil quando eu bebia do seu

amor

 


O deserto era fértil quando eu bebia do

seu amor.


A areia guardava o frescor da nascente,
e o vento, que hoje sopra uma dor ausente,
trazia o perfume de um tempo melhor.

 

Suas palavras eram chuva mansa na estiagem,
fazendo brotar flores onde havia solidão.


Eu caminhava sem medo, seguindo a miragem
que ganhou vida no centro do meu coração.

 

Hoje os rios secaram e o chão rachou,
restou apenas a imensidão do que não fluiu.
O calor do teu peito nunca mais me tocou,
e o jardim que criamos o vento sumiu.

 

Olho o horizonte e só vejo a poeira,
testemunha muda de um fim sem adeus.
Fui terra viva, fui planta faceira,
enquanto o meu mundo bebeu dos teus.

 

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998

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sábado, 3 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzentreaguas

Cidade dos Lagos e do Rio Almada

 


Onde o espelho das águas se deita no chão,
E o verde da mata abraça o horizonte,
Brota um canto suave do próprio coração,
Uma força antiga que corre na fonte.

 

São lagos de calma, de luz e mistério,
Onde o céu se desenha no azul mais profundo,
Reflexos de um tempo que reina imperante,
Silêncios que guardam os segredos do mundo.

 

E passa o Almada, serpente de prata,
Tecendo caminhos na terra e na história,
Ribeiras que cantam a voz da cascata,
E guardam nas curvas a nossa memória.

 

O rio que flui, que nutre e que clama,
Que banha os mistérios da velha floresta,
Unindo as margens de quem tanto o ama,
Fazendo da vida uma eterna festa.

 

Cidade moldada nas águas sagradas,
De brisas leves e solo fecundo,
Teus lagos e rios são rotas traçadas,
No canto mais vivo e belo do mundo.

 

Nos tempos da brilhantina e rock and roll

 

Nos tempos da brilhantina e rock and roll,
A juventude erguia a sua voz,
O rádio aceso despertava em nós
A chama viva que incendiava o sol.

Jaqueta de couro preta e o farol
Da lambreta correndo tão veloz,
Dançávamos a noite a sós, a sós,
No compasso febril do velho rock.

A saia rodada a girar no salão,
O topete moldado com cuidado,
Na vitrola batia o coração.

Memória de um passado iluminado,
Que traz no peito a doce nostalgia
Daquela febre que era pura magia.

Como dizia Rita Lee - Esse Tal de Roque Enrow!

 

Voei no Sputnik para te amar

 

Voei no Sputnik para te amar,
Deixei a Terra, a gravidade e o chão,
Cruzei o cosmos só pra te encontrar,
Na órbita perfeita da paixão.

O mundo abaixo era um ponto azul,
Silêncio imenso, a imensidão do espaço,
Mas minhas agulhas apontavam pro sul
Do teu abraço, o meu porto e pedaço.

Acelerando em rota de detalhes,
Com a beleza que o teu olho irradia,
Fiz da cabine a minha embarcação,
Navegando o vazio em poesia.

Se a ciência me levou tão longe assim,
Foi o teu brilho que guiou o motor,
Não há galáxia que resista em mim,
Se o combustível para o nosso amor

Não acabar.

Agora flutuo sem pressa de voltar,
Estrela viva no teu céu particular.

 

Tudo é passageiro

 

Tudo vem, tudo vai, feito o vento que venta,
arrastando o que encontra e mudando o lugar.
A tormenta que chega, que aperta e desmonta,
é a mesma tormenta que um dia vai passar.

Às vezes a vida atropela o sossego,
deixa a alma avariada e o chão em pedaços.
Mas a mão que recolhe os escombros do medo
é a mesma que molda os novos abraços.

Se o mundo balança e o teto desaba,
e o peito parece perder a estrutura,
lembre-se que a dor tem um fim onde acaba,
e o tempo sussurra uma nova ventura.

Porque terra e céu são cenários mudáveis,
palcos antigos que o tempo consome.
Mas firmes e eternas, em laços invioláveis,
ficam as palavras que o sopro não some.

Já deu tudo certo no plano invisível,
mesmo que os olhos só vejam a lama.
A calma retorna no tempo impossível,
e a vida renasce na voz de quem ama.

Sossegue o compasso, respire o momento,
junte os pedaços que o vento espalhou.
Depois do desmonte, renasce o alento,
pois tudo passou, mas você suportou
.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzatemporal

Tempos, tempos, tempos, atemporais

 


Andaluz,
Resgato o tempo antes do tempo, vida
Interior, dormir na última tempestade.
Tempestuosos sonhares não me acordaram
Antes do tempo me tornar ultrarromântico.

 

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há
tempo para todo propósito debaixo do céu.”

 

Vagueio errante pelas estradas, encaro a luz
Para simbolizar a aurora, antes de
Te esquecer.

 

Sou prisioneiro e resgate ao mesmo tempo.
Os grilhões não me sufocam; a dor da perda,
Sim. Os dias virão, a atualização é necessária:
Trocarei de roupas, andarei entre pérolas
E cizânias petrificadas, cultivarei cactos, com a
E certezas de que os espinhos não me machucarão.

 

Não verei o som do Big Ben, mas o tempo
Me trouxe para ouvir os sinos dobrando
Na torre da Igreja Matriz. Não beberei
Da água do Rio Tâmisa ou do Sena, mas

Hibernarei sob as águas do Rio Almada,

Em Pirangi, descalçarei as sandálias ​​— não como

O pescador, mas as dos tempos que há de vir,

despertando o ultrarromântico singular, que se

perdeu no tempo.

apoesiadeclaudioluzelogioseencontros

 Elogio à loucura

 


Muito me chamam de louco,
Em sugestões ou em tom de desdém,
Porque entendem muito pouco
Do fogo que a alma contém.

 

Julgam a minha entrega,
O meu peito sempre aberto,
Essa pressa que não nega
Um abraço no deserto.

 

Mas por trás da falsa ironia
E do medo de que os façam recuar,
Mora a secreta agonia
De não saberem se lançar.

 

No fundo de cada julgamento,
Há um desejo guardado e profundo:
Inveja do meu sentimento,
Da coragem mais rara do mundo.

 

Dizem que sou insensato,
Mas sei o que eles querem ser:
Quem dera precisou o pacto
De ter a minha audácia de querer.

 

Que me chamem de louco, eu aceito,
Enquanto eles assistem da margem.

 
Eu sigo vivendo no peito
O amor que exige coragem.

 

Encontro Divino

 

Encontramo-nos na Missa da Misericórdia Divina,
Onde o tempo se cala e o céu se inclina.

 

Sob o olhar do Cristo que estende a mão,
Derrama-se a graça em cada coração.

 

Do peito aberto brota a dupla fonte,
Luz que ilumina além do horizonte,
O raio vermelho, o raio que é cândido e puro,
Guia nossos passos em meio ao escuro.

 

Na mesa sagrada, o pão se faz vida,
Cura profunda da alma ferida.

 

Não há mais peso, temor ou condenação,
Apenas o abraço do Deus do perdão.

 

Saímos renovados por esse amor sem fim,
Que sussurra baixinho: "Confia em mim".

 

Unidos na prece que a fé ilumina,
Nós nos encontramos na Misericórdia Divina.

 

Devanir amoroso

 

 

O amor não é um marco fixo, estátua de sal na margem,
mas o rio que deságua em si mesmo, mudando a paisagem.


Não nasce pronto como o fruto colhido no pomar,
É o lento fermentar do tempo, o eterno vir-a-ser, o caminhar.

 

Fomos ontem a faísca, o susto, o anúncio do vendaval,
Duas margens distantes buscando o mesmo canal.

 
Hoje somos a correnteza, o leito profundo que acolhe,
A árvore que aceita o outono e a folha que o vento escolhe.

 

E amanhã seremos outra textura, outra forma de ver,
Pois amar é uma coragem contínua de desaprender.

Não há porto seguro no peito que decide se entregar,
Há apenas o horizonte movido e a promessa de navegar.

 

Muda o gesto, muda a fala, muda o ritmo da mão,
O afeto que era urgência vira mansa pulsação.


No tear dos dias longos, o nós vamos se costurando,
Nunca estático, nunca idêntico, sempre se transformando.

 

Porque o amor só permanece vivo se aceita transitar:
é o eterno virar início quando tudo parece terminar.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzalma

Minha alma

 


O segredo da minha alma ascende no
Burburinho do meu coração. Na inquietude
Do silêncio, ali permanece em meditações
Contemplativas; imparcial diante de julgamentos,
Se redime.


A minha alma não é solitária, nunca
está só. Por si se preenche, sem
Vácuos; candidata-se a ser autossuficiente,
Buscando a plenitude espiritual, se ajoelhando
Em contrições.

 

Desabafo meu, pecador:
O sacrossanto deseja que eu seja santo,
Deseja que eu o possua.

 

Sou êxtase metafórica: o sagrado
Me cura, o profano liberta o eu
Faltoso.


Bato no peito: Piedade, Senhor!

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

apoesiadeclaudioluzcumplicidade

Eu agradeço ao meu cumplice coração

 


O Meu coração dobra-se, faz genuflexão

Diante Das sensibilidades das minhas palavras

Amorosas, incensa gratidão, cria o mote para

Uma canção poética, agradecido ele tem o

Hábito de cicatrizar minhas feridas expostas,

Enternecido ele enxuga as minhas lágrimas,

É o prefixo.

 

O meu coração tem o toque santo, quando

Escuta o som do meu louvor, minha voz

Dolorida, ele sofre comigo, inclinasse dando

Me abrigo, sussurra palavras, aflorando sensibilidades,

Enxugando as minhas intemperanças dando brilho

No espelho de minha alma.

 

O meu coração caminha comigo, com batidas

Novas ele me fortalece, para eu não permanecer nas

Batidas antigas, costuma me ofertar um sopro novo.

 

O meu coração não mata os meus sonhos, o

Meu coração não é um mero cumplice, ele não

Aceita os meus sentimentos como um dom

Secundário, mas como uma força motriz da

Minha composição poética.

 

Outros corações me abandonaram, os

“outros corações”, mas o sentimento de

 

Abandono não tomou conta de mim, pois

O meu coração em sua cumplicidade me

Refez, como um coração materno um dia

Ele deixará de bater.