Castigo-me nos versos, sou poeta
A todos os Poetas
Estou aqui,
abandono-me,
Choro letras, balbucio
em estrofes,
Sou poeta, não estrangeiro,
sou
Gestado aqui, tenho
certezas.
Palavras cínicas ecoam-se
ao vento,
Sou o alfabeto,
transcrevo sonhos,
Ante o Ômega e o Alfa,
fim e
Princípio de sonhos tristes,
Alegro-me.
Sou criança poeta,
aspiro o perfume
do outono, a primavera
de quimeras
Nos reacende, beijo os
seus olhos translúcidos,
visto-me com as fases
da lua, encanto-me
com o sol, não serpenteio,
ascendo-me nas
inspirações, sou lápis.
Visto-me de papel
almaço, desfaço-me
Nas correntezas dos
meios-fios da
Vida, sou barco de
papel, danço cirandas,
Danço na chuva contigo,
Maria Lucia,
Sou poeta, escrevendo
garatujas,
Torno o papel em branco.
Sou El Niño, poeta,
você minha La Niña,
Musa, La Luna e El Sol,
Esperamos o Outono
que nos proverá até o
próximo inverno,
que nos aquecerá.





