quinta-feira, 19 de março de 2026

apoesiadeclaudioluzfogo

Coração que arde

 


Embora o fogo do seu amor

Me consuma, o impassível não

Me deterá, incólume a água quequeima, seguirei em

Busca das brancas nuvens, purificações

Tinge os meus lábios, encontro-me

Sem respostas para o ocaso, fim.

 

Decifro o oriente eterno, o arquétipo

Do infinito que não tem a forma de uma

Rosa, não sucumbirá, sou luz.

 

Plaino entre ondas copiosas, busco os

Seus sonhos, sou a noite não eterna, sou

Os sufrágios que inspiram um novo Aeon Flux.

 

Como Estrelas eternas, decifro-a enaltecendo

O seu ser, o imensurável é longo,

As chuvas refrescam-me, ensopo-me de

Sonhos instransponíveis, sou impetuoso

Entre cordas bambas, sou a certeza dos

Raios violetas, que descansam deitados nas

Areias marejadas e claras, em pleno outono que

Bate à porta entreaberta.

Sou braços não partidos, deleito-me

Em seus braços, abraços que desentrelaçam

As placas indicativas de destinos triviais.

 

Bebemos do mesmo cálice, brindamos o

Amor eterno, sem Parusia, sem diapasão,

Almejamos a terra prometida com plantas

Tenras, cultivadas em nossos corações,

Não banidos, não partimos.

quarta-feira, 18 de março de 2026

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A voz que não quis calar



                             Tributo a Clodualdo Cardoso

 

Olhai os Lírios do Campo, floridos

Desde Cubículo, florescidos cacauais,

Voz branda, pulso elevado, nasce

O Paladino em plagas Canavieirenses,

Bardo almadiano, renascestes.

 

Pardo Rio, Almada Rio, inflamadas

Palavras, clamou pelos bardos nascituros,

Com idealismos extremos incomodou, bebeu café

Na cuia dos injustiçados, andou pela escuridão

Solene dos abastados, oportunismos

Das eminencias pardas, calou a

Voz do defensor imbatível.

 

Suprimiram o verbo, mas não cassaram

O terno de linho diagonal que flanava

Ao vento sul, norte talvez, velho oeste.

 

Abraçaste a Coluna, bandeira vermelha

Tremulava entre porta estandarte, coberto

De sonhos, insígnias e botinas não o

Intimidaram, o crepúsculo era dele.


A liberdade antes que tardia apareceu,

La Marseillaise, bradada na praça renasceu,

A Redentora não o calou, após os calabouços, o leão

Voltou a rugir, ferrenho como antes.

 

Incomodou, em setembro, quando os Lírios do

Vale floresciam o “Paladino” expirou, não como

Um derrotado, mas como um vitorioso

Que nunca deixou a sua voz calar.

 

Assim foi o Clodualdo Cardoso,

Que eu conheci, sentado na varanda

Com o seu radio, junto com Marcos Santarrita,

auscultando as últimas Notícias, quando o seu

coração parou.

 

Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

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domingo, 15 de março de 2026

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Promessas banhadas no Rio Almada

 


O Rio Almada me consome, deleito-me

No seu leito, sou Pouso Alegre, Guaracy,

Pirangi e Água Preta, curvo-me nas

Serras, Sou Massarandubas, Vinháticos e

Jussaras.

 

Sou serra do Chuchu, nascedouros do Almada,

que desagua nas terras de São Jorge dos Ilhéos,

salgo-me.

 

Sou Almadina, Coaraci, Itajuípe,

e Uruçuca, sou Banco do Pedro,

Rio do Braço, Castelo Novo, desnudo-me

No Iguape, sou o mar.

 

Sou agressivo em cheias perenes, cobro

Descasos a minha natureza, quando as minhas

margens capitulam, nas enchentes sou vazantes,

em dias calmos não me intimido, nas minhas

Invasões, te delimito para ver

As reconstruções de vidas antes

Secas, vertendo lágrimas peculiares.

 

Entre banhos e mergulhos, o chacoalhar

Das lavadeiras, esquivo-me dos anzóis,

Das tarrafas, paripes e dos munzuás,

Sou peixe Livre.

 

Cavo areais de barrancos, faço taipas,

Mergulhos nos redemoinhos, recebo

Bençãos de Iara (Uiara), Yemanjá das águas doces,

Saúdo "Odoyá" ou "Odociaba".

 

Faço preces de pescadores, sou

Promessas advindas da:

"Mãe das Águas",

 "Rainha das Águas Sagradas”.

 

Odoyá, minha mãe!

Salve o meu rio.

sábado, 14 de março de 2026

apoesiadeclaudioluzpoetisandonodiadospoetas

Castigo-me nos versos, sou poeta

 


A todos os Poetas

 

 

Estou aqui, abandono-me,

Choro letras, balbucio em estrofes,

Sou poeta, não estrangeiro, sou

Gestado aqui, tenho certezas.

 

Palavras cínicas ecoam-se ao vento,

Sou o alfabeto, transcrevo sonhos,

Ante o Ômega e o Alfa, fim e

Princípio de sonhos tristes,

Alegro-me.

 

Sou criança poeta, aspiro o perfume

do outono, a primavera de quimeras

Nos reacende, beijo os seus olhos translúcidos,

visto-me com as fases da lua, encanto-me

com o sol, não serpenteio, ascendo-me nas

inspirações, sou lápis.

 

Visto-me de papel almaço, desfaço-me

Nas correntezas dos meios-fios da

Vida, sou barco de papel, danço cirandas,

Danço na chuva contigo, Maria Lucia,

Sou poeta, escrevendo garatujas,

Torno o papel em branco.

 

Sou El Niño, poeta, você minha La Niña,

Musa, La Luna e El Sol, Esperamos o Outono

que nos proverá até o próximo inverno,

que nos aquecerá.

sexta-feira, 13 de março de 2026

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Quando soube que eu te amava

 


Soube que eu te amava,

Quando a noite chegou na ilha

Dos seus sonhos, cristais pulularam dos

Meus olhos, como mágico pisei nas

Areias brancas, toques de magias me

Possuíram ao bel-prazer, fui teu.


Percebi que éramos dois na

Caminhada sem fim, no tocar das

Nossas frontes, curtindo os batimentos

Dos nossos corações, fora de orbita,

Estávamos.

 

Desnudei-me da solidão, antes companheira,

Dancei nas nuvens, bebi água da chuva, raios

De sentimentos me completaram, ao te ver,

Capitulei.

 

Bebi do cântaro dos pássaros, ardentes os

Ventos me procriaram, nasci um novo ser,

Criei raízes, rios de caricias foram procriadas

Para nos unir, entre o calor da noite, querendo

O raiar do novo dia nascer, andar pela nova fronteira,

Dissipando incertezas, amamentando novos

Momentos a nos eternizar.

 

Por isso te amo!

 

Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

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quinta-feira, 12 de março de 2026

Por mais um equinócio

 


Vida plena,

Vida fora do equilíbrio,

Vida em desequilíbrio,

Vida louca, não importa corremos para

Encontra-la, desencontramo-la em

Meio aos jardins floridos ou não,

As transversais do tempo estão lá nas

Esquinas que dobram, sem sentidos.

 

As horas nos transpassam, somos

Passageiros de dias bons, dias sombrios

Sempre a de vir, os anjos bons povoam

Os dias eternos, os anjos maus não

Nos justificam nos dias piores, somos

Orantes em tempo de crises, em dia de paz

O comportamento não nos diz ao contrário.

 

O tempo diário escasseiam, corremos em

Busca do obvio, somos o que queremos ou

O que queremos ter, não nos contentamos

com o pouco, quanto mais melhor, não

importando o sacrifício, mas queremos.

 

Queremos ser amados, só amados, nada

Contra se o amor não nos contempla,

Deixamos o ódio vencer, os trovões estão

Repicando ao longe, somos surdos, somos

O dia curto ou longo que se esvai.

 

Koyaanisqatsi"

 

 

Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

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