Apenas
uma canção
Mulher,
Apenas uma canção nos
faz adormecer,
as estrelas Ofegantes bailam, o cristalino dos
Seus olhos arejam em
torno da canção,
Estonteante, a noite
nos suga,
Somos umedecidos pelo
refrão
Que ecoa no salão,
somos o baile.
A noite nos absolvem a
moda antiga, o
Croonner balbucia
“Besame mucho”,
Enquanto deslisamos
em passadas largas, sem
Luz negra, o branco
do seu vestido
Transcende os outros
pares, quem sabe
Não sabem amar como
nós dois.
Aceitas o meu pedido
de perdão por
Ter falseado nos
passos perdidos, maldito
Sapato novo.
Credito mais uma vez
o amor por ti,
A madrugada clama, o tempo
reclama
Em não aceitar o fim
da música predileta,
Falo de ti, os
aplausos nos interrompem,
Curvo-me solenemente
agradecido, com
Pressa aceito o apelo
e te beijo muito.
Como num sonho nupcial
o baile nos acorda,
Aceitamos o que a
vida nos dá, ou
Capitularemos até a
próxima canção.
Entre
o coração e a razão
Maktub!
Em brigas do coração
com a razão
Só um perde, há dor
que constrange,
Entre abandonos
cotidianos as incertezas
nos corrompem.
Queremos visitar os
jardins, não
Existe flores, queremos
beber água da fonte
Que secou, somos
retábulo de altares mor.
As estrelas não tomam
partidos, os céus
Escurecem aguardando
recolhimentos do
Que há de sobras,
agora sou rebotalho.
Os muros estão altos,
inatingíveis, não
Podemos transpor, somos
correntes
enferrujadas, somos prisioneiros
do
Orgulho latentes, que
não
Nos deixam tocar a
alma que grita.
Somos próceres de
corações partidos,
Os entendimentos
pedem armistícios,
Somos artífices de
amores sonhados,
Os matamos.
O toque do silêncio
nos envolve, o réquiem
Esquecido em alguma
gaveta, retorna como
Arauto de tempos
passados, caminhamos
Entre ruinas daquilo
que um dia se chamava amor.
Agora o coração,
antes infante, cabula entre
A razão e os perdões
que talvez não virá, mesmo
Em suplicas
simbólicas o que pode ser feito
Está desfeito.
Expectativas
invernais
Os jardins estão
áridos, a folha de papel
Está em branco, o
lápis bicolor
Está estático,
sombras permeiam o
Universo cálido, o
espectro travestido
De anjo sobrevoa até
o poente, sonhos
Agora não me deleita.
Rego a rosa franzina,
o
tenro do ontem não me
comove,
rogo a misericórdia
que não me deixe
hibrido, sou poesia,
poemas e outros
escritos, que se
esvai na minha memória
de jardineiro do
ocaso.
Aceno para o tempo,
incertezas
não me recompões,
recolho as lágrimas,
embrulho as
lembranças que cabem
no meu bolso, agora
furado.
O meu coração acelera,
descompassado,
Não ouço os seus
passos, o vento sibila
Em Jerusalém, o
calvário está próximo.
Raios rasgam os céus
incolor, exalto
O nascituro, é tempo
quaresmal, a
Rosa roxa se esconde
no purpúreo,
Incensos chegam,
inalo as chuvas
Outonais, agora sou
invernal,
Hiberno fora do tempo,
que não
Me compraz.