sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

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 ...E o vento levou


 


Poeiras cósmicas me consome,

Sou brando, não incoerente,

Tergiverso sobre os seus olhos,

Vejo o amor dilatado como uma

Canção há muito ouvida.

 

O vento não se cansa, sussurra

Incansavelmente que o meu amor

Não foi embora, apenas adiou a

Sua vinda.

 

Ouço passos, visto-me com águas

De cântaros, aperfeiçoados pelo

Oleiro de sonhos, sou vida.

 

O precoce sibilar dos ventos

Uivam, pressinto chuvas, o cinzento

Das nuvens prescrevem raios sem

Luzes infinitas, lamento.

Sinto o seu caminhar, os meus lábios

Sussurram o que há de vir, você

Deslizando em brancas nuvens que

O vento não levou, contento-me

Com uma ventania de cada vez.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

apoesiadeclaudioluzaospoetasmalditos

"Poeti maledetti"


Poetas malditos,

Construtores de versos, aversos,

incompreendidos ou desprezados

quando decompõe em palavras, celebrando

os vícios dos amores perdidos em

alguma "Bibliopolium Veterum".

Gordurosas são as lágrimas

Vertidas, manchando pergaminhos

Não folheados, letras em zigzag se

Desvirginam em imaginações não virtuosas,

"sem chance" ou "sem erros".

 

Rogamos a Vladimir Maiakovski,

Que não deu chance a vida,

Não procrastinando-se, partindo sem

Dizer um único adeus.

 

Poemas malditos nos consome, a fleura

Poética destaca-se em tempo de paz,

Somos rebeldes pelas incompreensões

Incontidas dos que não nos lê, por

Acreditarem em hieroglifos não

Traduzidos, perdidos desde a

Travessia do Rubicão.

 

Nos representam ainda que tardiamente:


Charles Baudelaire:

O precursor, autor de

Embriagai-vos de vinho, poesias ou virtudes.


Arthur Rimbaud:

O "poeta vidente"

que abandonou a poesia

precocemente.


Paul Verlaine:

pela musicalidade

e melancolia de seus versos;


“Canção de Outono”

Os longos lamentos

Dos violinos do outono

Enchem meu coração

De langor monótono.

 E sufocando,

lívido,

Quando soa a hora,

Eu me recordo dos dias

de outrora e choro.

 E vou embora

com o vento

Mal que me

Leva para cá, para lá, como

Uma folha morta.

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Já é Carnaval cidade

 


Já é Carnaval cidade,

Abro o Baú da Folia,

Sacudo a poeira das realidades latentes,

Guardadas a sete chaves pra

Eu não esquecer.

Fantasio-me de ilusões, respiro

Na Praça do Povo, antes dos aviões.

 

Pululo nas avenidas, sou pipoca, antes

No Bloco do Eu Sozinho, os acordes

Da Guitarra Baiana embriagava-me,

Tomo Banhos de chuvas, suor e cerveja,

Perco-me nas multidões.

Nas esquinas sou Pierrot, Arlequim e

Você minha eterna Colombina,

Entre confetes e serpentinas

Somos um só.

 

Deixo-me sangrar, procurando por

Você meu amor, mas que felicidade

Quando eu te encontro, pululando de alegria,

Vestida de abadá, quando eu te canto

em um único tom “Minha Deusa”

 

Já é Carnaval cidade, acordei pra ver!

 

Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Direitos reservados:

Lei de Direitos Autorais nº 9.610/1998.

Deo Gratias

 


Som das vozes clamam,

Deo Gratias!

As angustias viajam, o corpo

Já não padece, louvamos os

Milagres da cura eterna.

 

Somos a graça divina, talvez não!

Somos peregrinos de uma estada sem volta,

Voamos nos abismos, entrecortamos ilusões,

Buscamos ser santo.

 

Sentimos os milagres, somos os agradecidos

Em preces não perecemos, ascendemos

No amanhecer do dia, Deo Gratias!

 

O canto de Ossanha na Cabana dos lagos

 

Mouro,

Banhos de taboas te despertaram nas águas

Turvas das lagoas, deitado na Cabana dos Lagos,

A cama de piaçava te fez vida, antes Mouro de pele

Branca, hoje salmista és!

 

Os atabaques rugiram, o nagô entoou,

Cânticos de Ossanha, nos terreiros

Você despertou, entre marafos,

Eparrei Oyá.

 

Caminheiro nato, entre matas andastes,

Manifestações médias realizastes,

Nem todos os degraus subistes.

 

Quando a liberdade ressoou, liberdades liberdade,

Entre sufrágios ecoou, o sol amainou os vulcões

Que explodiam em ti, ouviste mais uma vez

A voz que te dizia: antes Mouro de pele

Branca, hoje salmista és!

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Flor Amorosa única


Despertei, olhei para todos os lados,

Com olhos faiscados te vi, flor amorosa única,

Tu que brotastes nas terras tenras

Do meu coração, sem espinhos, te

Abraço, aspiro o seu perfume,

Inebrio-me, sou anjo, voo

Sem asas aparentes.

 

A rotina nãos nos alimentam,

somos o agora que se banha entre raios solares,

Esperando o orvalho que nos alimentará.

 

Declamo para ti

Pablo Neruda

“Podemos cortar todas as flores, mas

Não poderemos deter a primavera”,

Ouço Pablo Casals, o catalão, os violoncelos

Nos abrandam,

Busco Pablo Picasso, Guernica, nos atrai para a

Atroz realidade de Paz e Guerra, de Leon Tolstói.

 

Medito o poema “Instantes”,

de Jorge Luis Borges, alianço-me contigo

e prometo:

Que irei mais vezes aos jardins imaginários para

Te cultivar, flor amorosa única

 que me cativou.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

apoesiadeclaudioluzcarpenoctem

O encanto do poeta

 


O poeta não morre, debulha versos.

Imortaliza-se nas suas letras inconfundíveis

E eternas, transformando-se em poeiras

Cósmicas, que se fundem no espaço dos

Seus sentimentos.

 

O poeta não morre, colhe estrelas, viaja

Pelo firmamento, banha-se no mar da

Tranquilidade, não se afoga.

 

O poeta não morre, recolhe-se

Entre repousos únicos, entre rimas e

metáforas não senis, imortalizando-se

no amor não tardio.

 

O poeta não morre, declama

Nas praças os sentimentos

abrasadores, entre estrofes, risos,

talvez lágrimas semeadoras.

 

O poeta não morre, fertiliza-se em

estilos e clausuras

não sagradas, perdido no mundo satíricos,

Jogando com as palavras, aproveitando o

último dia.

 

O poeta não morre, encanta-se nas suas

Poesias, declamando na noite eterna dos seus

sonhares, agora final, aproveitando a noite,

“Carpe noctem).


sábado, 7 de fevereiro de 2026

apoesiadeclaudioluzribaltas

Entre o palco e a ribalta escrevemos

 


Dedicado a Maria Lúcia

 

Vem, baila comigo, a liberdade

Nos acorda, o balanço das horas

Repassam a madrugada,

Somos Pas de deux em harmonia,

Com adágio voamos.

 

Os Cisnes negros estão dormindo,

Não os despertamos, desfilamos versos

Dançantes, somos nuvens que se

Modificam nos próximos atos.

 

Deleitamos na alcova, as cortinas nos

Desnudam, a luz tênue nos absorvem,

Externamos o Te deum,

Laudamus.  

 

Aguardamos na Coxia, enxugamos

As nossas ansiedades com o Pano

De Bocas, deleitamos na Ribalta,

Rimamos palavras livres, as luzes

Refletem os nossos corpos.

 

Escrevemos o scripit, somos mímicos,

Sem palavras saudamos

Os aplausos, vindo de uma folha

Em branco.

 

Fecham-se as cortinas, somos livres,

Damo-nos vida, somos reais.

 

Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Direitos reservados:

Lei de Direitos Autorais nº 9.610/1998.