Entre o Fogo e a Cinza
Eu sou a chama que pode
aquecer,
ou o silêncio de ver você arder.
Entro no fogo se for para te erguer,
mas viro pedra se o erro for teu ver.
A mão desenhada que puxa
do abismo
é a mesma que cruza os braços no cisma.
Não sou teu juiz, nem venho te punir:
sou reflexo exato do que vais escolher.
Escolhe o abraço, e eu
viro escudo;
Escolhe a queda, e eu ajudo a tudo.
Porque o calor que consome e a castiga
depende da estrada que o passo abriga.
Tudo é espelho.
Tudo é entrega.
O fogo não mente:
ele só entrega o que a alma carrega.
A libertação da alma e o
desatar das
paixões
Desata, enquanto é
tempo, e com firmeza,
Os nós cegos que a alma foi atando,
Mistura de desejo e de incerteza,
Que a emoção sutil veio moldando.
Mais fácil é romper o
fio isolado,
O anseio breve ou a mágoa que consome,
Do que desmanchar o laço já fincado
Dessa paixão que tudo engole e some.
Mas rompe, sim, a corda
da ilusão,
Mesmo que sangre a carne no processo,
Se busca uma eterna juventude e ascensão,
Mais bela e pura do que o teu começo.
Expulsa o mundo que te
habita o centro,
Despe-te do cansaço que ele traz,
E vê quão fraco é o que estava dentro,
Ao contemplar a tua própria paz.
O mundo só parece forte
e altivo
Aos olhos de quem chora na corrente;
Deixa de ser escravo e é cativo
Apenas dessa força que em você sente.
Seguindo em frente
Há passos que a gente
não dá,
Há caminhos que não vão dar em nós,
Há mundos que escolhem girar
Sem nunca escutar nossa voz.
Deixar que o outro decida
O rumo do próprio jardim,
É aceitar que a nossa vida
Não tem que sofrer pelo
fim
Que o outro escolheu
assinar.
O barco é dele no mar;
Se ele quiser se perder,
O leme não é de você.
O peso que não foi
plantado
Por mãos que vieram do teu querer,
Não deve ficar ancorado
No peito que quer florescer.
Solta a corda. Deixa ir.
A alma só sabe voar
Quando ela deixa de vir
Carregar o que é de outro lugar.
O Voo das Cinzas
Nas profundezas do
silêncio, o olhar se apura,
A alma observa o mundo e o tempo que passa.
Caminha só, na noite densa e escura,
Pois a independência é sua própria couraça.
A sabedoria não vem do
que o vento traz,
Mas do fogo que arde e ensina a lição.
A intuição sussurra onde habita a paz,
Percebendo os sinais na sutil vibração.
Ter visão no escuro é o
dom de encontrar
A luz escondida na incerteza mais fria.
No mistério do oculto, aprenda a calar,
Deixando que o sagrado mude a rota do dia.
Silêncio e observação
precedem o ato,
A força contida não age por vão impulso.
É no recolhimento, no pacto abstrato,
Que o coração dita um novo compasso ao pulso.
E quando o cansaço
consome a estrutura,
O fogo sagrado convida a queimadura.
A transformação é dolorosa, mas pura:
Morrer para o velho, aprender a voar.
Não há fim absoluto para
quem traz a chama,
O destino da ave é o eterno romper.
Do pó e da cinza que a terra reclama,
A Fênix desperta... pronta a renascer.
Itabuna “Merces Laborum
Suorum”
Itabuna, nascida sob a
égide do cacau, intrépida guerreira,
às margens do Rio
Cachoeira, que ainda corre para o mar,
cresceu e desfila ainda
deslumbrante, como a Rainha do Cacau.
Tabocas, desde Ferradas,
nas sombras dos jequitibás, se impõem,
como seu fundador, o
Coronel Firmino Alves, líder político.
Amado, Jorge, filho
ilustre, dito ferrazenses, que da lavra,
extraiu a essência do
coronelismo e jagunços, entre tocaias e
Bacamartes.
União comercial, social,
educacional e cultural, exercida em
conjunto com as coirmãs
regionais.
Navegas hoje em busca do
destino que o
AMOR Divino lhe ungiu, com
"A recompensa de seus trabalhos"
A Geometria dos Inteiros
Disseram-nos, desde o
princípio, que éramos metade,
Duas partes dispersas pelo sopro do vento,
Procurando no outro a cura da saudade,
O encaixe perfeito para o próprio lamento.
Mas a verdade ecoa no
silêncio do teu ser:
Sua alma já nasceu vestida de inteireza.
Não há vácuo em ti que o outro vá preencher,
Você é o próprio brilho, o caminho e a certeza.
O amor não é a busca
pelo pedaço perdido,
Mas o encontro de dois mundos que já são luz.
É o caminhar que faz o horizonte expandido,
Sem o peso da falta que cega e reduz.
Quando o outro chega, o
espaço não se divide,
Nem a própria essência se apaga no altar.
É soma que transborda, travessia que reside
No milagre sutil de compartilhar sem se anular.
Que a gente aprenda,
enfim, essa dança sagrada:
Lado a lado caminho, na mesma direção,
Dois inteiros que cruzam a longa estrada,
Mantendo o próprio passo e a própria canção.