Cidade dos Lagos e do
Rio Almada
Onde o espelho das águas
se deita no chão,
E o verde da mata abraça o horizonte,
Brota um canto suave do próprio coração,
Uma força antiga que corre na fonte.
São lagos de calma, de
luz e mistério,
Onde o céu se desenha no azul mais profundo,
Reflexos de um tempo que reina imperante,
Silêncios que guardam os segredos do mundo.
E passa o Almada,
serpente de prata,
Tecendo caminhos na terra e na história,
Ribeiras que cantam a voz da cascata,
E guardam nas curvas a nossa memória.
O rio que flui, que
nutre e que clama,
Que banha os mistérios da velha floresta,
Unindo as margens de quem tanto o ama,
Fazendo da vida uma eterna festa.
Cidade moldada nas águas
sagradas,
De brisas leves e solo fecundo,
Teus lagos e rios são rotas traçadas,
No canto mais vivo e belo do mundo.
Nos tempos da
brilhantina e rock and roll
Nos tempos da
brilhantina e rock and roll,
A juventude erguia a sua voz,
O rádio aceso despertava em nós
A chama viva que incendiava o sol.
Jaqueta de couro preta e
o farol
Da lambreta correndo tão veloz,
Dançávamos a noite a sós, a sós,
No compasso febril do velho rock.
A saia rodada a girar no
salão,
O topete moldado com cuidado,
Na vitrola batia o coração.
Memória de um passado
iluminado,
Que traz no peito a doce nostalgia
Daquela febre que era pura magia.
Como dizia Rita
Lee - Esse Tal de Roque Enrow!
Voei no Sputnik para te
amar
Voei no Sputnik para te
amar,
Deixei a Terra, a gravidade e o chão,
Cruzei o cosmos só pra te encontrar,
Na órbita perfeita da paixão.
O mundo abaixo era um
ponto azul,
Silêncio imenso, a imensidão do espaço,
Mas minhas agulhas apontavam pro sul
Do teu abraço, o meu porto e pedaço.
Acelerando em rota de
detalhes,
Com a beleza que o teu olho irradia,
Fiz da cabine a minha embarcação,
Navegando o vazio em poesia.
Se a ciência me levou
tão longe assim,
Foi o teu brilho que guiou o motor,
Não há galáxia que resista em mim,
Se o combustível para o nosso amor
Não acabar.
Agora flutuo sem pressa
de voltar,
Estrela viva no teu céu particular.
Tudo é passageiro
Tudo vem, tudo vai,
feito o vento que venta,
arrastando o que encontra e mudando o lugar.
A tormenta que chega, que aperta e desmonta,
é a mesma tormenta que um dia vai passar.
Às vezes a vida atropela
o sossego,
deixa a alma avariada e o chão em pedaços.
Mas a mão que recolhe os escombros do medo
é a mesma que molda os novos abraços.
Se o mundo balança e o
teto desaba,
e o peito parece perder a estrutura,
lembre-se que a dor tem um fim onde acaba,
e o tempo sussurra uma nova ventura.
Porque terra e céu são
cenários mudáveis,
palcos antigos que o tempo consome.
Mas firmes e eternas, em laços invioláveis,
ficam as palavras que o sopro não some.
Já deu tudo certo no
plano invisível,
mesmo que os olhos só vejam a lama.
A calma retorna no tempo impossível,
e a vida renasce na voz de quem ama.
Sossegue o compasso,
respire o momento,
junte os pedaços que o vento espalhou.
Depois do desmonte, renasce o alento,
pois tudo passou, mas você suportou.