Adeus ano velho
Em tempos idos, o meu
avô vaticinava:
"Meu neto, quando
chegarem os 'Bros',
o que você não fez, não
fará mais."
Curioso, eu fiquei
atento e meditei: quem
são os "Bros"?
Com um sorriso faceiro,
ele me dizia:
"Os 'Bros' são:
Setembro, Outubro, Novembro
e Dezembro."
Depois ele colocava um
cigarro na boca e, pitando,
fazia do ar espirais
enquanto cantava: “Setembro
passou, Outubro e
Novembro, já tamo em Dezembro,
meu Deus, que é de
nós…”. E os iam "Bros" passando
ao longo.
Amor de boemia
Você nunca pediu para eu
ficar,
Apenas, sempre trancava a porta enquanto eu
Percorria ruas a ermo, encoberto pela
Penumbra, que ria disfarçadamente dos meus
Infortúnios, cadentes à meia-luz.
Em pensamentos entendia que nunca
Aprenderia se eu voltasse de novo entre compassados,
Gostados por demais, comendo, rezando e amando,
Entre os deuses e os mortos, embriagando-me
Com as iniciais do seu nome, entre o “Alfa e o Ômega”,
Não envelhecido como o vinho com que brindamos no momento em que nos conhecemos,
dançando entre acordes dissonantes, sonhando passar o resto das nossas vidas
juntas.
Não sei se deveríamos ser felizes para ser infelizes ou
Infelizes para pensarmos que éramos felizes, bebendo da taça incólume, beijando
esperanças frugais, que se encontravam nas prateleiras boêmias, que nos
postergavam para não
Encontrarmos o day after,
Ou para a solidão que vestíamos,
Quando deveríamos estar nus, entre retalhos mal resolvidos,
Que não cobriam os nossos corações, quando não ouvíamos
Os apelos dos ventos e das indóceis recordações
Que sempre nos separaram.
Você simplesmente sempre me deixou ir...
Colheitas
Aviso dado, o espaço
está aberto.
Quem quiser testar minha paciência,
está livre para seguir o próprio instinto.
Faça o jogo que quiser, use a conveniência.
O erro é livre, o
arbitro é pleno,
pode agir à vontade, sem nenhum freio.
Mas guarde bem o peso desse aviso,
pois quem planta o vento, colhe o anseio.
A roda do tempo nunca
deixa de girar,
e o silêncio de hoje é o cálculo do amanhã.
Quando a mesa muda e o vento muda,
não espere clemência ou resposta sã.
Quando chegar a minha
vez de dar as cartas,
o cenário vai ser frio, a conta vai chegar.
Não haja desculpa, choro ou pena,
eu só vou cobrar o que decidimos plantar.