O poeta de Pirangi

O poeta de Pirangi
O Poeta de Pirangi

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzatemporal

Tempos, tempos, tempos, atemporais

 


Andaluz,
Resgato o tempo antes do tempo, vida
Interior, dormir na última tempestade.
Tempestuosos sonhares não me acordaram
Antes do tempo me tornar ultrarromântico.

 

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há
tempo para todo propósito debaixo do céu.”

 

Vagueio errante pelas estradas, encaro a luz
Para simbolizar a aurora, antes de
Te esquecer.

 

Sou prisioneiro e resgate ao mesmo tempo.
Os grilhões não me sufocam; a dor da perda,
Sim. Os dias virão, a atualização é necessária:
Trocarei de roupas, andarei entre pérolas
E cizânias petrificadas, cultivarei cactos, com a
E certezas de que os espinhos não me machucarão.

 

Não verei o som do Big Ben, mas o tempo
Me trouxe para ouvir os sinos dobrando
Na torre da Igreja Matriz. Não beberei
Da água do Rio Tâmisa ou do Sena, mas

Hibernarei sob as águas do Rio Almada,

Em Pirangi, descalçarei as sandálias ​​— não como

O pescador, mas as dos tempos que há de vir,

despertando o ultrarromântico singular, que se

perdeu no tempo.

apoesiadeclaudioluzelogioseencontros

 Elogio à loucura

 


Muito me chamam de louco,
Em sugestões ou em tom de desdém,
Porque entendem muito pouco
Do fogo que a alma contém.

 

Julgam a minha entrega,
O meu peito sempre aberto,
Essa pressa que não nega
Um abraço no deserto.

 

Mas por trás da falsa ironia
E do medo de que os façam recuar,
Mora a secreta agonia
De não saberem se lançar.

 

No fundo de cada julgamento,
Há um desejo guardado e profundo:
Inveja do meu sentimento,
Da coragem mais rara do mundo.

 

Dizem que sou insensato,
Mas sei o que eles querem ser:
Quem dera precisou o pacto
De ter a minha audácia de querer.

 

Que me chamem de louco, eu aceito,
Enquanto eles assistem da margem.

 
Eu sigo vivendo no peito
O amor que exige coragem.

 

Encontro Divino

 

Encontramo-nos na Missa da Misericórdia Divina,
Onde o tempo se cala e o céu se inclina.

 

Sob o olhar do Cristo que estende a mão,
Derrama-se a graça em cada coração.

 

Do peito aberto brota a dupla fonte,
Luz que ilumina além do horizonte,
O raio vermelho, o raio que é cândido e puro,
Guia nossos passos em meio ao escuro.

 

Na mesa sagrada, o pão se faz vida,
Cura profunda da alma ferida.

 

Não há mais peso, temor ou condenação,
Apenas o abraço do Deus do perdão.

 

Saímos renovados por esse amor sem fim,
Que sussurra baixinho: "Confia em mim".

 

Unidos na prece que a fé ilumina,
Nós nos encontramos na Misericórdia Divina.

 

Devanir amoroso

 

 

O amor não é um marco fixo, estátua de sal na margem,
mas o rio que deságua em si mesmo, mudando a paisagem.


Não nasce pronto como o fruto colhido no pomar,
É o lento fermentar do tempo, o eterno vir-a-ser, o caminhar.

 

Fomos ontem a faísca, o susto, o anúncio do vendaval,
Duas margens distantes buscando o mesmo canal.

 
Hoje somos a correnteza, o leito profundo que acolhe,
A árvore que aceita o outono e a folha que o vento escolhe.

 

E amanhã seremos outra textura, outra forma de ver,
Pois amar é uma coragem contínua de desaprender.

Não há porto seguro no peito que decide se entregar,
Há apenas o horizonte movido e a promessa de navegar.

 

Muda o gesto, muda a fala, muda o ritmo da mão,
O afeto que era urgência vira mansa pulsação.


No tear dos dias longos, o nós vamos se costurando,
Nunca estático, nunca idêntico, sempre se transformando.

 

Porque o amor só permanece vivo se aceita transitar:
é o eterno virar início quando tudo parece terminar.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzalma

Minha alma

 


O segredo da minha alma ascende no
Burburinho do meu coração. Na inquietude
Do silêncio, ali permanece em meditações
Contemplativas; imparcial diante de julgamentos,
Se redime.


A minha alma não é solitária, nunca
está só. Por si se preenche, sem
Vácuos; candidata-se a ser autossuficiente,
Buscando a plenitude espiritual, se ajoelhando
Em contrições.

 

Desabafo meu, pecador:
O sacrossanto deseja que eu seja santo,
Deseja que eu o possua.

 

Sou êxtase metafórica: o sagrado
Me cura, o profano liberta o eu
Faltoso.


Bato no peito: Piedade, Senhor!

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

apoesiadeclaudioluzcumplicidade

Eu agradeço ao meu cumplice coração

 


O Meu coração dobra-se, faz genuflexão

Diante Das sensibilidades das minhas palavras

Amorosas, incensa gratidão, cria o mote para

Uma canção poética, agradecido ele tem o

Hábito de cicatrizar minhas feridas expostas,

Enternecido ele enxuga as minhas lágrimas,

É o prefixo.

 

O meu coração tem o toque santo, quando

Escuta o som do meu louvor, minha voz

Dolorida, ele sofre comigo, inclinasse dando

Me abrigo, sussurra palavras, aflorando sensibilidades,

Enxugando as minhas intemperanças dando brilho

No espelho de minha alma.

 

O meu coração caminha comigo, com batidas

Novas ele me fortalece, para eu não permanecer nas

Batidas antigas, costuma me ofertar um sopro novo.

 

O meu coração não mata os meus sonhos, o

Meu coração não é um mero cumplice, ele não

Aceita os meus sentimentos como um dom

Secundário, mas como uma força motriz da

Minha composição poética.

 

Outros corações me abandonaram, os

“outros corações”, mas o sentimento de

 

Abandono não tomou conta de mim, pois

O meu coração em sua cumplicidade me

Refez, como um coração materno um dia

Ele deixará de bater.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

apoesiadeclaudioluznaufragio

Náufrago

 


Velejo com a alma, luto com as durezas

Dos sentimentos que afloram na noite,

Busco o xeque-mate, as peças conspiram

contra, me entrego as intercessões para

Não perder a sensibilidade amorosa que você

Ainda desperta em mim.

 

“O amor está vencido” (não morto), o meu veleiro

Busca um destino final, ancoro, o Nautilus busca

Perolas para realçar a sua beleza, velhos hábitos

Ainda persistem, rumo em busca da liberdade

Espiritual, que me bastará.

 

Oceano-me, o mar já não conversa mais

Comigo, sou náufrago dos meus sonhos.

 

A imensidão do mar é poética, tento as

Ondas de retorno, liberto-me, invoco as idas e

Vindas, pesco búzios nas marés da sorte ou

De azar.

 

Se for da sorte, pescarei saudades, se

For de azar, nadarei de acordo com os ventos,

Para o norte ou para o sul, contanto que o meu

Coração tenha abrigo em uma ilha deserta

Qualquer.

 

 

Carrego silêncios

 

Carrego silêncios, onde me faltam

Palavras, pranteio o tempo perdido, rezo

Agradecido por tudo, os pássaros

Me ouvem, sou franciscano, Paz e Bem.

 

Serei sempre amante, abraços apertados

Fluem do meu coração, acalento o amor

Verdadeiro, aprendo sem fazer barulho,

Sou aprendiz.

 

O profano é contraditório, não sei o que eu

Fui em vidas anteriores, sou a alma gêmea que

Me desgarrou, agradeço pelas passagens

Sinuosas, sigo em frente.

 

O setembro amarelo está dobrando

A esquina, o desamor não degustaram a minha

Alma, a minha revolução é silenciosa e

Interna, não faço barulho.

 

Não capitulo, não tenho medo da

Morte, pois não vivo uma sobrevida,

Escapo do esquecimento, sou resistência,

No meio das turbulências torrenciais,

Sou sereno.

 

O acaso não tirará a minha paz, os meus

Invernos não tiraram a minha voz, mas

O verão ressoa, trazendo o silêncio que eu

Lido contra o tempo.

 

A fé não eliminou os meus passos, mas

Me ajuda a ser com paixão andarilho,

Entre estradas que ainda percorrerei,

Para me reencontrar com os meus barulhos.


segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Conversando com os Vagalumes

 


As vezes eu me sentava no banco

Do jardim, morto de amor, não tinha

Cansaço, a aragem que vinha da fonte

Refrescava o suor do meu rosto, mas ao

Ouvir os batimentos do meu coração as

Angustias me sufocavam.

 

Pensava em desaparecer, só pensava, achava

Que me cansaria no meio do trajeto e sentisse

Saudades do banco que há pouco eu ocupava, tendo

Como testemunhas uma fonte luminosa, neon’s e

Esperanças vindouras.

 

O aroma das flores me vivificava, o vento

Soprava em sussurros, tende bom animo,

Beba da chuva que cai.

 

Contentava-me com o brilho dos vagalumes

Que iluminava as bem-me-quer, malmequer, me

Perdi na última pétala, até a loucura... de jeito

Nenhum! ao amanhecer do último dia, talvez.

 

 

 

Désirée

 

Te convido para um Déjà Vú, prometo

Que será uma nova viajem, buscaremos

Novos caminhos, beberemos de outras

Fontes, voaremos bem alto para beber das

Nuvens.

 

Encontraremos nós pelos caminhos, não os

Laços que roubam a beleza das musicas

Celestiais, cantaremos.

 

Testaremos as nossas forças, seremos

Luzes, as escuridões não moram em

Nossos olhos, aprenderemos com o tempo,

Cairemos com classe.

 

Em caso de lucidez abraçaremos

A loucura que a vida nos propuser, e

Loucamente seremos dois.

domingo, 27 de setembro de 2026

apoesiadmominicaldeclaudioluz

Entre tábuas e esmeraldas

 


O meu amor continua esotérico,

Entre tábuas e esmeraldas divago o

Cosmo da minha alma, a vida é

Breve e o que está dentro, está fora

E o que está fora, está dentro

Das constelações que bailam entre os

Firmamentos, não fictícios.

 

Os céus e as estrelas se movem,

As linhas imaginárias estão visíveis,

Tento burlar os Trópicos de Câncer e de

Capricórnio que pesam em Libra, rasgo

O tratado de Tordesilhas, adormeço

Entre constelações, voo livre sem

Ser absoluto.

 

A essência me retoca, ressona-se numa

Voz que decreta: "It's a Long Way", as

Incertezas não coibi os meus pensamentos,

A esperança me ensopa, não vejo teorias

Conspiratórias, afinal os seus olhos estão

Em Vênus.

 

O Deus cósmico emerge entre nuvens,

Os megatons iluminam a pedra filosofal, sou

Alquimista, realizo a crisopeia, alinho os meus

Desejos, ainda te busco.

 

Busco também pela própria verdade que escorre

Nos meus pensamentos, sou consumido,

Sou mais um na multidão.

 

Tento não ser escravo da empatia e nem

Do egoísmo, enxergo além do tempo

Passado, busco o amanhã.

 

Entrelaço o meu dedo anelar ligado aos

Músculos do meu coração infinito, que ainda

Se embriaga com perfumes e o mel das crenças

De que o amor continua eterno. 


Por isso Decreto: continuarei te descrevendo 

Entre tábuas

E esmeraldas, sem ilusões aparentes.