O poeta de Pirangi

O poeta de Pirangi
O Poeta de Pirangi

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzloucura

Três Guardiões

 


O louco enxerga o mundo em outra cor,
O poeta transforma a dor em flor,
O amante entrega a vida em uma entrega,
E o tempo — que tudo cansa — nada nega.

 

Enquanto há o passo desse louco,
O verso do poeta um tanto rouco,
E o peito do amante em chama acesa,
Há sonho, há encanto e há beleza.

 

E se há o sonho, o amor e a fantasia,
A noite escura vira outro dia.
Pois mesmo quando a terra perde a calma,
A esperança ainda mora na alma.

Encanto das Marias


Maria, mulher, mãe, redentora das

redomas de cristal, luz do mundo,
afeto sem fim, princípio eterno,
unhas encravadas no madeiro
frio.

Marias acompanhadas,
Marias da Glória,
Marias Soledade,
Neivas Maria,
Marias Lúcia,
Lícias Maria,
Marias José,
Josés Maria,
Marias Vitória,
Marias de todas as Graças e amor,
Mães Marias.

Dou graças a todas as Marias que
na natividade nos iluminaram, Luz do Mundo.
Das bem-aventuradas, das felizes, das sofredoras,
das vitoriosas, das perdedoras, das pecadoras,
assim são todas as Marias que o Céu nos
mandou. Somos filhos de Marias, somos filhos
das Marias da Luz, da Paz,
das Marias que nos encantaram.

 

Mergulho

 

E quando eu voltar do mergulho
Que fiz no fundo da minha alma,
O mundo pode estar o mesmo
Com sua pressa, seu barulho, sua calma.

 

Mas eu não.
Trago silêncio onde havia eco,
Trago mapas de um país secreto,
Costurei pedaços do quebrado,
Deixei no abismo o que era passado.

 

O vento lá fora sopra igual,
As mesmas ruas, o mesmo sinal;
Mas quem desceu na profundidade
Não volta ileso de tal beleza.

 

Volto mais leve, um pouco outro,
Lavado a limpo do meu esgoto,
Com sal da vida na própria pele
E um verso novo que nasce dela.

 

Além do toque

 

Você não está onde eu possa te tocar,
Com as mãos, o calor ou o olhar;
Mas habita um canto secreto e sagrado,
Onde o tempo não passa e não há o passado.

 

Está onde o vento não ousa soprar,
Onde a força do mundo não pode alcançar;
No fundo do peito, sem brilho da mente,
Um eco macio, eterno e presente.

 

As milhas se espalham, a distância é real,
Mas guardo você num abraço mental.
Pois se o corpo não sabe o que é te abraçar,
A alma não deixa a saudade apagar.

 

O amor tem seu compasso

 

O relógio foi perdido na pressa,
e o ponteiro cansou de contar.
O amor não tem hora que avisa,
tem a hora exata de estar.

 

Um olhar que suspende o minuto,
um sorriso que acalma a imensidão,
o silêncio que fala mais alto,
e o abraço que vira canção.

 

Não há pressa pro tempo da calma,
nem urgência pro que faz bem:
é sentir a alegria da alma,
sem querer ser de mais ninguém.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzbeduino

Estou Beduíno

 


Sob o céu de bronze e o vento do deserto,
Cavalgo com Sibila de Jerusalém ao meu lado,
Estou Beduíno, com o horizonte aberto,
Deixando para trás o que foi sepultado.

 

Balduíno IV já não está entre nós,
O Rei Leproso descansou de sua dor,
Já não se ouve mais a sua voz firme,
Nem o eco de seu trágico esplendor.

 

A bandeira dos Templários já não flerta com os ventos,
Os panos brancos e vermelhos cederam ao chão,
Silenciaram-se as preces e os lamentos,
De uma outrora temida e forte regularmente.

 

É primavera, os cavalos árabes estão inquietos,
Sentem no ar a mudança das eras e do altar,
Seus cascos cansam de caminhos desertos,
Ansiosos por novas terras conquistando.

 

Balião de Ibelin já não guerreia mais,
As muralhas que defendeu trouxeram-se história,
Suas mãos cansadas agora buscam a paz,
Longe do ferro, do sangue e da glória.

 

Hattin está em paz, o calor amainou,
A poeira da batalha finalmente assentou,
Saladino ainda respeita com seriedade,
Guiado por sua honra e lealdade.

 

Jerusalém ainda vale tudo, o centro do mundo,
Onde a fé se consagra em mistério profundo.
Rezo na Igreja do Santo Sepulcro, na luz que clareia,
Enquanto a poeira da história na pedra passou-a.

 

Não há mais o que lamentar no Muro das Lamentações,
As lágrimas antigas secaram nas fendas do tempo,
Calaram-se os tambores de todas as nações,
Pois a promessa venceu o último contratempo.

 

Cristo já não está, ressuscitou,
A tumba vazia é o triunfo que ficou.
Sou o deserto, a memória e a canção,
O último guarda desta santa região.

apoesiadeclaudioluzexistencial

 Diálogos com a alma do mundo

 


Antes da lógica traçar o seu desenho,
existe um sopro, um breve movimento,
um saber antigo que não pede comprometimento,
que nasce antes mesmo do pensamento.

 

É essa voz que habita o chão do peito,
sussurrada manso em meio à tempestade,
que aponta o rumo de um traçado feito
muito antes da nossa própria vontade.

 

Mas logo chegam o medo e o ruído,
as dúvidas que o mundo quer plantar,
o peso de um conselho não pedido,
e as mil razões para nos desviar.

 

Queremos provas, mapas, garantias,
justificativas para o que já se sabe,
perdendo o rastro dessas linhas guias,
tentando mensurar o que não cabe.

 

Nem toda intuição traz a certeza,
nem todo Norte brilha feito o sol.
Às vezes, ela é só delicada,
um fio invisível, um farol.

 

É um silêncio que pede atenção,
um aviso discreto no caminho.
Antes de ouvir o mundo e a razão,
escute o que a alma diz sozinha.

 

Sussurros

 

O mar sussurra segredos quando a maré

se move, espalhando calmaria e luz por

onde passa.

 

O mar avança beijando a areia,
num sopro de paz que a alma alteia.
Lança ao vento um sorriso sincero,
um gesto de afeto que tanto eu quero.

 

As ondas vão, levam pressa e dor,
e voltam depois, vestidas de amor.
Assim é o querer que bate no peito:
um ir e vir manso, de um jeito perfeito.

 

Cria a maré de um abraço apertado,
deixa o carinho seguir seu lado.
Porque o que mora no fundo do mar
sempre retorna para quem sabe amar.

 

Retratos do Invisível

 

Nem todo o que se vê mostra quem você é,
O espelho engana os olhos, mascara o que dá pé.
Por trás de cada rosto existe uma história profunda,
Que só Deus conhece, compreende e sonda.


A minha dor é indolor, recolhida no peito,
Um silêncio que sangra com todo o respeito.
Mas o meu amor tem cor, tem o mais doce sabor,
Contraponto perfeito que afasta o amargor.


A memória do teu cheiro insiste em me amar,
Persegue meus passos, recusa-se a passar.
Feito brisa antiga que o tempo não desfez,
Me abraça no escuro e me ganha outra vez.


Nessa escolha sagrada entre a luz e a ilusão,
Guardo firme os rumores do meu coração:
Quem ama o céu e busca a divina harmonia,
Nunca beberá da fonte do inferno e da agonia.

domingo, 11 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzdominical

Agora que o meu amor se foi


Agora que o meu amor se foi,

bebo da primavera o que restou,

desembaço os meus olhos na névoa,
e vejo a luz que o tempo guardou.

Agora que o meu amor se foi,
os sonhos serão feitos de verão,
e os dias prosperarão por si sós,
na cadência livre do meu coração.

A aliança antiga foi desfeita,
o nó que apertava se soltou.
Agora que o amor enfim se foi,
aspiro o perfume que a flor deixou.

Danço na chuva que lava o passado,
percorro horizontes sem pressa ou fim,
me deleito entregue à solidão,
enquanto cuido do que há em mim.

E no compasso leve desse adeus,
sigo em frente, sem olhar para trás,
esperando um novo amor que vem,
ou o de ontem que retorna em paz.

 

Diálogos com a alma do mundo

 

Antes da lógica traçar o seu desenho,

existe um sopro, um breve movimento,
um saber antigo que não pede comprometimento,
que nasce antes mesmo do pensamento.

 

É essa voz que habita o chão do peito,
sussurrada manso em meio à tempestade,
que aponta o rumo de um traçado feito
muito antes da nossa própria vontade.

 

Mas logo chegam o medo e o ruído,
as dúvidas que o mundo quer plantar,
o peso de um conselho não pedido,
e as mil razões para nos desviar.

 

Queremos provas, mapas, garantias,
justificativas para o que já se sabe,
perdendo o rastro dessas linhas guias,
tentando mensurar o que não cabe.

 

Nem toda intuição traz a certeza,
nem todo Norte brilha feito o sol.
Às vezes, ela é só delicada,
um fio invisível, um farol.

 

É um silêncio que pede atenção,
um aviso discreto no caminho.
Antes de ouvir o mundo e a razão,
escute o que a alma diz sozinha.

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998

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sábado, 10 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluznavegação

Eu naveguei

 


Um olhar parado, fixo no vazio,
Onde o tempo é cinza e o peito esfria.
Sentimentos esgarçados pelo fio,
E uma dor na alma que não se desvia.

 

Tantas flores tentam, com bravura,
Sobreviver aos destroços do chão,
Encontrando vida na amargura,
E força no resto do coração.

 

Sou um privilegiado neste mundo,
Que empreenderam a viagem a fundo,
Sem precisar navegar no mar.

 

Pois não foi nas águas que naveguei:
Foi em ti, espelho, abrigo e calor,
Que cruzei fronteiras e me achei,
Rompendo o que me afastava de mim,

Com amor.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzdiaadia

Um dia após o outro

 


Mantenha suas opiniões.
Os fardos são pesados, mas a
Esperança e as adversidades fazem parte.
A debilidade espiritual é um peso insuportável;
Não permita que a mente ceda às dificuldades.

 

Resistir ao ódio; as tempestades são caminhos.
A verdadeira paz está na próxima esquina, é
Só dobrar. Mantenha distância das temperaturas.
Temporais são as estações. Mutáveis
​​são os
Pensamentos profanos; s
ó o Senhor é Santo.

 

Está escrito: “Orai sem cessar”.

 

A meditação é um bálsamo. Os joelhos
Dobrados são ascensão, um coração aberto que
Nos leva ao impossível. Cada dia nos basta.
Somos santos em nossa pequenez; amanhã
Será o amanhã.

 

Compassividade não é pecado. Amor é
Ação. A vulnerabilidade universal dos
Seres humanos não é tese, é real.