O poeta de Pirangi

O poeta de Pirangi
O Poeta de Pirangi

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

apoesiadeclaudioluzPra não dizer que eu não falei das Flores Astrais

Pra não dizer que eu não falei das Flores

Astrais


 

Desabrocho palavras, assim como

As rosas exalam palavras sutis, trago

No peito uma imensa vontade de não

Fragmentar à vontade de escrever todos os

Dias e afins.

 

Terço uma tiara que entronizarei nos seus

Cabelos pueris, não como um simples

Adorno, mas para entrelaçar os nossos

Sentimentos, sem malicias, com essências

De cumplicidades reciprocas.

 

Afinal as flores estão voltando, entre solstícios

E equinócios, beijaremos as Quatro estações,

De Vivaldi, esperando a Sonata da Primavera que

Está por vir.

 

Acataremos os espinhos, afinal a mística lírica

Nos comove, cicatrizando as nossas dores

Sentidas, entre eclipses, para não nos escondermos

Na outra face da lua.

Beijaremos a Lua de George Méliès,

Seremos eternamente “Le Voyage dans la lune”,

Para que em plena colheita, orvalhar as flores astrais,

Antes que elas morram de tédio ou pela falta

Dos carinhos que abdicamos completar, não temos

Vocação para sermos párias, mas eternamente buscarmos

Nos passos, agora perdidos na imensidão das raízes dos

Espinhos que não podemos cultivar.

 

Estendo a ti, quem sabe em algum dia, te esperar e

Pudermos lograr alegrias pelo seu retornar.

 

Vem,

Vamos voltar aos jardins campestres dos nossos

Sonhares, até breve!

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Somos poetas do deserto

 


Não usamos hábitos, lisonjeamos

As estrelas cabalísticas, cantamos

Em versos as jornadas da vida, giramos

Os nossos corpos num bailado sem

Precedente, somos orvalhos no

Firmamento terrestre.

 

Observamos a solidão como pátria,

Somos órfãos do ocaso, somos sementes

Que dão frutos doces, sorrimos com

O vento, beijamos com gosto de limões,

Não somos azedos.

 

Destilamos amor como se debulhássemos

Rosas ocidentais, somos a verdade em

Metáforas, especificamos palavras,

Mais do que palavras, conjugamos

Verbos as vezes insolentes,

Mas concreto do que abstratos.

 

Tiramos leite das pedras côncavas,

Acumulamos memórias, somos abrigos de

Risos, lágrimas também nos inspiram,

Entre neologismos somos reconexão

Etéreas, somos lápis celestiais, geramos

Sentimentos múltiplos além do óbvio,

Somos úteros poéticos sempre em

Ascensão.

 

Beijamos as nossas almas poéticas, temos

Certeza que D’entre nossa alma, paira um

Deserto rodeados de oásis férteis.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

apoesiadeclaudioluzpostasrestantes

Postas restantes

 



O silêncio cala, não estou perdido,

As essências que povoam a minha mente

Me libertam, a flor de lótus está florescendo,

O inverno já acena o último adeus,

Sou primaveril.

 

O vento sibila nos meus ouvidos, estou

Sedento da sua voz, paciência nem tudo

É perfeito, não sigo as regras, grito, sem

Lamentos sigo folheando os seus olhos.

 

Antes eu vivia no mundo da lua, hoje

Percorro o mundo das poesias, reajo as

Inspirações, mergulho sem noção,

Me escrevo, te escrevo aguardando

Respostas.

 

As postagens não tem carimbos, são postas

Restantes esquecidas nas prateleiras dos

Correios local.

 

A distância é espessa, penso que as missivas não

Chegam a ti, não é ilusão, mas o quase perfeito

Que incendeia o meu coração, agora cauterizado

Pelas metáforas constantes e escrita nas

Páginas amareladas do meu diário imperfeito.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

apoesiadeclaudioluzdesiderata

Desiderata


Equilibro-me na corda-bamba,

O desafio é reciproco, o debacle encena

La Décadanse, sou sensual com duplo

Sentido lírico.

 

O salão não me aplaude, tento não ser

Insonoro, busco na melodia a Desiderata

Que há muito sonho, não me situo,

Faço parte do universo, sou o ar que

Respiro e o suor que respinga a minha

Fronte, sou gemido.

 

Os desejos latentes me impulsionaram, a

Beber a última gota da conversa que não

Tivemos, a ocasião não se fez presente,

Ficamos mudo, quando tínhamos todas

as respostas, mudaram as perguntas,

ficamos sem respostas.

 

Voltamos as redomas, ficamos imunes

Ao retorno, isolamo-nos, o que está

Guardado, apenas decorações que nos ilustram.

Somos peças guardadas esperando restauração,

A Desiderata não nos agraciou, restou-nos

Os desejos latentes, a transcendência será

Apenas o infinito como a natureza absoluta,

Que nos deixou no meio do caminho.

 

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza
Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998.

sábado, 22 de agosto de 2026

apoesiadeclaudiouzretratos

Retratos da Alma

 


Escopo de festim, especifico-me

Entre acordes, sou música, o banquete

É farto, o salão dos meus sonhos está

Povoado, a esperança aguçou o meu

Destino, sou temático, mergulho na

Minha alma, danço.

 

Digitalizo os meus pensamentos, entre

Olhares conectados dilacero o meu peito,

Não causo danos na alma e nem os

Sentimentos foram atingidos, o profano

Torna-se santo, acendo o candelabro,

Sou luz.

 

Invoco o sentido existencial, o sonoro

E os espaciais são gráficos, o sentido está

Preenchido, dou adeus as lembranças não

Finitas, sou passos iniciantes, chegarei ao fim.

 

Deslizo-me entre ondas marejadas, clamo

por ventos intensos, sou tempestades,

espero marés amenas, colho conchas,

sou arrastão.

 

Ouço o clamor do tempo através dos

Búzios tropicais, beijo as areias cintilantes,

A natureza invade a minha alma, deixo de

Ser negativa, sou retrato sem retoques,

Exulto o horizonte, beijo a lua,

Tergiverso, não fujo, sou início, meio

E fim.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

apoesideclaudioluzsânscritês

Karma ( कृ )

 


Agir.

Fazer.

Executar.

Simples assim!

O resto vem depois.

Maktub!

"laia, ladaia, sabatana, Ave Maria",

 

Rezo apaixonamento, sou otimista,

Engulo as dores cotidianas, não dou chances

As quimeras ocultas, não me recolho,

Conquistei o perdido, não me acho.

 

Sou luz, a escuridão não me sobrepõe,

Desço a ladeira desabaladamente,

As vezes caio, em sobressaltos me levanto.

 

As cicatrizes não me incomodam, são

Lembranças dos passados longínquos,

Entrelaço o presente, juro pelo futuro,

Ao dobrar a esquina cruzo os dedos,

Não sou louco, sou passarinho de arribação,

Busco chuvas, encubro as lágrimas,

Sou o sal da terra em forma de karma.

 

Sou sânscrito (saskta).

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

apoesiadeclaudioluzreleituras

Releituras superficiais

 


Não era para ser um adeus,

Precocemente preferimos a

Sonoridade isolada, a imagem poética

Foi quebrada, tal qual o espelho

Que nos refletia ao sabor do tempo,

Ficamos no Deus dará.

 

Não recolhemos os fragmentos, agora

As palavras estão jogadas ao léu, o vento

Se encarregará de recolhe-las ou as

Dispensar nas ressonâncias agora

Invisíveis.

 

O sol já não nos aquece, somos órfãos do

Calor, agora não tão intermitente, olhamos para

O vazio que corta as nossas peles sem

Bronzeamento.

 

A noite é de cristais recolhidos das

Areias voláteis, não voamos, evaporamos

Nas nevoas cabalísticas, que sempre nos precedeu.

 

Fomos compulsoriamente expulsados do paraíso dos

Amantes ausentes, caminhamos sem rumos

Aparentes, estamos ausentes um do outro,

Perco-me em releituras esquecidas,

Nas gavetas, apalpo os rascunhos das poesias

Que um dia talvez recitarei para ti.

 

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza
Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998.