Náufrago
Velejo com a alma, luto com as durezas
Dos sentimentos que afloram na noite,
Busco o xeque-mate, as peças conspiram
contra, me entrego as intercessões para
Não perder a
sensibilidade amorosa que você
Ainda desperta em mim.
“O amor está vencido” (não morto), o meu veleiro
Busca um destino final, ancoro, o Nautilus
busca
Perolas para realçar a sua beleza, velhos
hábitos
Ainda persistem, rumo em busca da liberdade
Espiritual, que me bastará.
Oceano-me, o mar já não conversa mais
Comigo, sou náufrago dos meus sonhos.
A imensidão do mar é poética, tento as
Ondas de retorno, liberto-me, invoco as idas
e
Vindas, pesco búzios nas marés da sorte ou
De azar.
Se for da sorte, pescarei saudades, se
For de azar, nadarei de acordo com os ventos,
Para o norte ou para o sul, contanto que o meu
Coração tenha abrigo em uma ilha deserta
Qualquer.
Carrego silêncios
Carrego silêncios, onde me faltam
Palavras, pranteio o tempo perdido, rezo
Agradecido por tudo, os pássaros
Me ouvem, sou franciscano, Paz e Bem.
Serei sempre amante, abraços apertados
Fluem do meu coração, acalento o amor
Verdadeiro, aprendo sem fazer barulho,
Sou aprendiz.
O profano é contraditório, não sei o que eu
Fui em vidas anteriores, sou a alma gêmea
que
Me desgarrou, agradeço pelas passagens
Sinuosas, sigo em frente.
O setembro amarelo está dobrando
A esquina, o desamor não degustaram a minha
Alma, a minha revolução é silenciosa e
Interna, não faço barulho.
Não capitulo, não tenho medo da
Morte, pois não vivo uma sobrevida,
Escapo do esquecimento, sou resistência,
No meio das turbulências torrenciais,
Sou sereno.
O acaso não tirará a minha paz, os meus
Invernos não tiraram a minha voz, mas
O verão ressoa, trazendo o silêncio que eu
Lido contra o tempo.
A fé não eliminou os meus passos, mas
Me ajuda a ser com paixão andarilho,
Entre estradas que ainda percorrerei,
Para me reencontrar com os meus barulhos.



