domingo, 2 de agosto de 2026

apoesiadecluadioluzcomaçoites

Açoites d’alma sobre a chuva


Adormeço entre a grandeza do instante

E o bradar dos meus sonhos, não prematuros,

Açoites combinam com a purificação do meu

corpo que não se abate pelas tempestades

noturnas.

 

Acompanho a procissão, nãos a dos desesperados,

Mas dos guerreiros que destrói as sementes

Cruéis, trazendo esperanças para os inocentes

Que vivem pensando em amor eterno.

 

Vejo a sagração dos estandartes, que açoitam

Os ventos imperiosamente, observo a brandura

Dos céus, após as chuvas, enxugo-me, visto o

Meu coração, continuo andando sem olhar

Para não mais tergiversar em vão.

 

Não fujo do obvio, viro as costas para a

Regra dura do amor, creio no amor real,

Não porque não seja eterno, mas por dar

Alento de sol a pino, que encurta a noite,

Que não traz solidão, mas presença

Ativa nos dias de incertezas prementes,

Que não nos amordaça na hora de sufragar

O Eu te amo.

 

Procuro não me cansar, a essência que vinha

De tí se dissipou entre os turbilhões

Noturnos, o dia urge, a noite antes

Imperiosas derrama a brancura, lavando

A melancolia transparente, que me

Inundava, não de prantos, mas da

Mais perfeita sinfonia que me cura.

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza
Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998.

sábado, 1 de agosto de 2026

apoesiadeclaudioluzsabadal

O último tango

 


Já não são mais dois pra lá dois pra cá,

Estamos cansados, a música já não nos une,

O bandaneon silenciou o salão, os passos

Encurtados se dirigem a saída, estilo

A francesa, sem alarmes ou despedidas

Fugaz.

 

A luz neon agora é tênue, o chacoalhar

Dos instrumentos emudeceram, a flor do

Lácio que repousava na mesa está desfeita.

 

Os copos antes copiosos dormitam nas

Mesas, as garrafas estão arrabaldes, os

Perfumes que antes inebriava o salão se escondeu

Entre as poeiras.

 

Os casais antes festivos se despedem como

Num último ato de uma peça mambembe,

O Band-aid agora é consolo para os pés

Adormecidos, o último tango em Paris

Já não é o mesmo.

 

A orquestra se desfaz, os instrumentos

Antes tocante dormitam insones, os

Sonhos agora descerrados buscam as

Lembranças, agora lamentos nos fazem

Delirar.

 

Singramos da sala dos passos perdidos

Para a última estrofe da música lenta,

Que ainda ressoa no salão negro, agora escuro.

 

 

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza
Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

apoesiadeclaudioluzmarolas

 

Guardei o mar


Guardei o mar, antes intenso, não pulei

A sétima onda, grafitei as areias molhadas,

Mourejei entre os raios solares, guardei

Os seus olhos antes de partir.

 

Gestei pensamentos retidos, engoli a

Seco o sal da terra, bebi da aragem que

Bronzeou a minha pele agora sem afagos.

 

A poética nada a braços largos, purificado

O adeus já não me fere, a insustentável leveza

Do ar percorre o meu corpo, sem medidas,

Continuo mergulhando entre sonhos e breves

Primaveras.

 

O tempo é o vento, escolho o voo absoluto,

indefinições já não fazem parte das minhas

dialéticas furtivas, as lágrimas ficaram estéreis,

Sonho em abrir o mar, emaranhado poetizo o seu

nome que agora flutua entre sonhos e distâncias

que não percorrerei.

 

Mas, não tenho palavras de rei, continuo a ser um

Pobre mortal, passível de voltar atrás, abrirei

As portas para que o mar volte a navegar.

apoesiadeclaudioluzpercepções

Percepções


Não premedito, desacelero-me entre os

Momentos sublimes ou não, no fundo, nada

É pessoal, trago-me de volta, sou

Recomeço.

 

Meu coração não se cansa, intrepidamente

Ele renasce, afinal ele bate do lado

Esquerdo do meu peito, e o meu sangue é vermelho,

Ferve entre a brancura das nuvens negras.

 

As minhas sandálias não são a do Pescador,

Amarro-as entre nós, piso fundo, encurto

Distâncias, sou nômade em nome do

Passageiro.

 

Não há escuridão que apague a minha luz

Translúcida, clarezas veladas é um mote

Que estendo em meios as dúvidas substanciais.

 

Percebo sonhos futurológicos, busco respostas,

As distâncias são una, o horizonte é

Infinito, duplos mistérios permeiam a

Minha alcova, embalo-me nas cortinas, fecho

As janelas, inauguro um novo dia com

Perspectivas de um novo mundo, o amanhã

Já me chama, o passado que tome conta

De si.

 

Estou de volta a taberna!

quinta-feira, 30 de julho de 2026

apoesiadeclaudioluzrenuncias

Renúncias


Renuncio, mas não capitulo,

Sou guerreiro de luz, não me abato

Com a solidão, faz parte da vida,

Em plenitude refaço-me.

 

Os projetos as vezes são sombrios,

Mas a superação vive acima de qualquer

Suspeita em mim, sou respostas validas.

 

Embriago-me com doses homéricas

De certezas, antes não tão absolutas,

Respostas me define, já não me afogo

No leito das ilusões sinuosas.

 

Curto a beleza dos espinhos, admiro as

Rosas admirais, flerto com o veto em pleno

Inverno, sou batizado.

 

Renunciar, para mim é algo nobre e puro,

Educo o meu espirito com o tempo

Presente, o ontem já sumiu, o presente

Me delicia, adapto-me, curvo-me entre eteceteras  

E pontos finais, para uma nova batalha, em

Busca talvez de ti.

 

Não capitularei e nem dormirei no

Ostracismo dos quatros ventos, que

Sibila nos meus ouvidos uma canção de

Ninar, menina, vem me ninar.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

apoesiadeclauioluzencacerada

Cáceres


Sou carne, o tempo me delimita,

Sou guiado, trânsito sem julgamentos,

Sou prisioneiro de mim mesmo, as

Grades me retém.

 

Sou estrangeiro dos meus sonhos,

Retenho a alma, a dor é existencial,

A angustia não é pura, como o sentimento

Profundo, dói na minha tez amarela, sem o calor

Do sol.

 

Sou algemas, a alma gêmea me abandonou,

Sou pária com extradição marcada, o

Trem já apitou, os tentáculos das correntes

Causam frisson, estou sem agasalhos.

 

Sou luz tênue, apagaram as lamparinas do

Centro da terra, não vejo o brilho das estrelas,

Tento beijar o infinito, não o alcanço.

 

Sou procriador, os intervalos entre o dia e a

Noite são escassos, a liberdade não tem

Asas para voar, sou pássaro sem aço.

 

O meu canto me disfarça, sou apenas mais um

Mambembe, que cambaleia no espaço restrito

Que a vida me concebeu.

 

Ah! Liberdade tardia, o meu peito arde, o

Ufanismo agora é itinerante, sem os meus

Passos que adormecem no lábaro embrutecido

Da solidão.

apoesiadeclaudioluzcomccatrizaes

Cicatrizes

 


Sobrevivo as cicatrizes, continuo

Lutando entre batalhas e sonhos,

A armadura não impede os golpes,

Caminho destemido, sem gemidos, só

O silêncio me fortalece, sou guerreiro.

 

As cicatrizes que eu carrego, contam as reviravoltas

Das batalhas, guio-me entre espaços,

Meço o tempo através da bussola, o pêndulo do

Relógio já não funciona a contento,

Não me perco.

 

Sinto a leveza do vento, vejo as

Minhas cicatrizes como marca do

Existencialismo, sobrevivo entre

O céu e a terra, sou superação.

 

Desvio-me dos golpes, supero as dores,

Bailo suavemente entre lâminas, a dor

Vira verso, meu coração não tremula,

Minha alma suspira entre o amor e a

Dor, que não me faz desfalecer.

 

Sou vitorioso, o poema acolhe os meus traumas

E o transforma em arte leve e firmeza

Amorais, derroto as solidões, meu coração

Ainda bate, sem me abater.