O poeta de Pirangi

O poeta de Pirangi
O Poeta de Pirangi

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzdiaadia

Um dia após o outro

 


Mantenha suas opiniões.
Os fardos são pesados, mas a
Esperança e as adversidades fazem parte.
A debilidade espiritual é um peso insuportável;
Não permita que a mente ceda às dificuldades.

 

Resistir ao ódio; as tempestades são caminhos.
A verdadeira paz está na próxima esquina, é
Só dobrar. Mantenha distância das temperaturas.
Temporais são as estações. Mutáveis
​​são os
Pensamentos profanos; s
ó o Senhor é Santo.

 

Está escrito: “Orai sem cessar”.

 

A meditação é um bálsamo. Os joelhos
Dobrados são ascensão, um coração aberto que
Nos leva ao impossível. Cada dia nos basta.
Somos santos em nossa pequenez; amanhã
Será o amanhã.

 

Compassividade não é pecado. Amor é
Ação. A vulnerabilidade universal dos
Seres humanos não é tese, é real.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

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O seu retrato pintado a óleo

 


Ao meu pai Lafaiete Souza,
In memoriam

*06 de outubro de 1927 +19.07.2007

Visito a sala dos passos perdidos,

celebro as memórias que ainda me
despertam. A sua presença eterna, através
do seu retrato pintado a óleo exposto

na galeria da vida, reflete o que ainda

está presente em meu ser.

 

Na moldura dourada do tempo ausente,
isola-se o teu olhar de mar antigo,
onde o pincel traçou, minuciosamente,
o abraço eterno que eu levei comigo.

 
A tinta espessa desafia os anos,
retém o brilho exato da tua pele,
e cura os meus silêncios soberanos
na corrente que o adeus impele.
Visito a sala, a galeria estática,
mas diante de ti o mundo ganha cor;
o óleo torna a tua ausência vã
e ressuscita a forma do amor.


É textura viva, luz aprisionada,
memória que a distância não desfaz:
na tela fria, a alma desenhada;
no meu peito, a tempestade e a paz.

 

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998

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Amorosa mulher


Silenciar o sopro do mundo lá fora,

Pausar o passo, recolher o olhar.
Há um espaço que pulsa agora,
Um templo sagrado a desabrochar.

 

Inspira a luz que preenche o vazio,
Expira o peso que o tempo deixou.
O amor não é pressa, correnteza ou rio,
É o lago calmo onde a alma pousou.

Amorosa tu és em cada centelha,
Na calmaria que habita o teu ser.

 
Como a textura da flor que se espelha
No dom gratuito de apenas viver.

 

Deixa que o peito se expanda e se aqueça,
Sente o calor desse centro irradiado.
Que o pensamento ceda e adormeça,
E reste apenas o ato de amar.

 

Aqui tu és porto, é terra, é abrigo,
Uma presença que abraça o que for.
Descansa no fluxo, respira comigo,
Âncora viva, feita de amor.

 

Meditações

Nas páginas do silêncio, a mente aquieta,

O ruído do mundo se desfaz no ar,
O Aprimoramento generativo do ser se completa,
Quando a alma humana decide pausar.

 

Limpam-se as lentes de toda ilusão,
Sem as marcas do tempo, do medo ou da dor,
Melhorando a nitidez espiritual do coração,
Revelando a essência em seu puro esplendor.

 

Traços perfeitos de um quadro divino,
Onde a luz interior remove o excesso,
Visuais com acabamento limpo e cristalino,
Guiam o caminhante em seu próprio regresso.

 

Meditar é polir o espelho interno da mente,
Apagar os ruídos, as falhas, a distração,
Para que a luz do agora, viva e presente,
Reflete a verdade na mais pura oração.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzpassoapasso

Passo a passo

Quando eu passava na sua rua,

o asfalto cinza virava jardim.

O amor florescia em cada calçada,
num tempo bonito feito só pra mim.

 

As ondas do mar eram cumplices dos

Meus sonhares a lua assemelhava acalantos,

O vento pairava no ar, não existiam

Derredores, só sonhos conectados.

 

As nuvens podiam chorar lá no alto,
o mundo inteiro desabar em água,
mas as chuvas não me molhavam:
seu rastro afastava qualquer mágoa.

 

Seu teto era o meu horizonte,
seu lembrar era o meu abrigo.
Bastava pisar no teu Pontal
para o universo caminhar comigo.

 

Hoje a rua continua lá,
mas o encanto mudou de lugar.
Quem me dera passar de novo
só para ver o amor florescer,
e na tempestade não me molhar.

 

 

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998

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domingo, 4 de outubro de 2026

O deserto era fértil quando eu bebia do seu

amor

 


O deserto era fértil quando eu bebia do

seu amor.


A areia guardava o frescor da nascente,
e o vento, que hoje sopra uma dor ausente,
trazia o perfume de um tempo melhor.

 

Suas palavras eram chuva mansa na estiagem,
fazendo brotar flores onde havia solidão.


Eu caminhava sem medo, seguindo a miragem
que ganhou vida no centro do meu coração.

 

Hoje os rios secaram e o chão rachou,
restou apenas a imensidão do que não fluiu.
O calor do teu peito nunca mais me tocou,
e o jardim que criamos o vento sumiu.

 

Olho o horizonte e só vejo a poeira,
testemunha muda de um fim sem adeus.
Fui terra viva, fui planta faceira,
enquanto o meu mundo bebeu dos teus.

 

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998

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sábado, 3 de outubro de 2026

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Cidade dos Lagos e do Rio Almada

 


Onde o espelho das águas se deita no chão,
E o verde da mata abraça o horizonte,
Brota um canto suave do próprio coração,
Uma força antiga que corre na fonte.

 

São lagos de calma, de luz e mistério,
Onde o céu se desenha no azul mais profundo,
Reflexos de um tempo que reina imperante,
Silêncios que guardam os segredos do mundo.

 

E passa o Almada, serpente de prata,
Tecendo caminhos na terra e na história,
Ribeiras que cantam a voz da cascata,
E guardam nas curvas a nossa memória.

 

O rio que flui, que nutre e que clama,
Que banha os mistérios da velha floresta,
Unindo as margens de quem tanto o ama,
Fazendo da vida uma eterna festa.

 

Cidade moldada nas águas sagradas,
De brisas leves e solo fecundo,
Teus lagos e rios são rotas traçadas,
No canto mais vivo e belo do mundo.

 

Nos tempos da brilhantina e rock and roll

 

Nos tempos da brilhantina e rock and roll,
A juventude erguia a sua voz,
O rádio aceso despertava em nós
A chama viva que incendiava o sol.

Jaqueta de couro preta e o farol
Da lambreta correndo tão veloz,
Dançávamos a noite a sós, a sós,
No compasso febril do velho rock.

A saia rodada a girar no salão,
O topete moldado com cuidado,
Na vitrola batia o coração.

Memória de um passado iluminado,
Que traz no peito a doce nostalgia
Daquela febre que era pura magia.

Como dizia Rita Lee - Esse Tal de Roque Enrow!

 

Voei no Sputnik para te amar

 

Voei no Sputnik para te amar,
Deixei a Terra, a gravidade e o chão,
Cruzei o cosmos só pra te encontrar,
Na órbita perfeita da paixão.

O mundo abaixo era um ponto azul,
Silêncio imenso, a imensidão do espaço,
Mas minhas agulhas apontavam pro sul
Do teu abraço, o meu porto e pedaço.

Acelerando em rota de detalhes,
Com a beleza que o teu olho irradia,
Fiz da cabine a minha embarcação,
Navegando o vazio em poesia.

Se a ciência me levou tão longe assim,
Foi o teu brilho que guiou o motor,
Não há galáxia que resista em mim,
Se o combustível para o nosso amor

Não acabar.

Agora flutuo sem pressa de voltar,
Estrela viva no teu céu particular.

 

Tudo é passageiro

 

Tudo vem, tudo vai, feito o vento que venta,
arrastando o que encontra e mudando o lugar.
A tormenta que chega, que aperta e desmonta,
é a mesma tormenta que um dia vai passar.

Às vezes a vida atropela o sossego,
deixa a alma avariada e o chão em pedaços.
Mas a mão que recolhe os escombros do medo
é a mesma que molda os novos abraços.

Se o mundo balança e o teto desaba,
e o peito parece perder a estrutura,
lembre-se que a dor tem um fim onde acaba,
e o tempo sussurra uma nova ventura.

Porque terra e céu são cenários mudáveis,
palcos antigos que o tempo consome.
Mas firmes e eternas, em laços invioláveis,
ficam as palavras que o sopro não some.

Já deu tudo certo no plano invisível,
mesmo que os olhos só vejam a lama.
A calma retorna no tempo impossível,
e a vida renasce na voz de quem ama.

Sossegue o compasso, respire o momento,
junte os pedaços que o vento espalhou.
Depois do desmonte, renasce o alento,
pois tudo passou, mas você suportou
.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzatemporal

Tempos, tempos, tempos, atemporais

 


Andaluz,
Resgato o tempo antes do tempo, vida
Interior, dormir na última tempestade.
Tempestuosos sonhares não me acordaram
Antes do tempo me tornar ultrarromântico.

 

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há
tempo para todo propósito debaixo do céu.”

 

Vagueio errante pelas estradas, encaro a luz
Para simbolizar a aurora, antes de
Te esquecer.

 

Sou prisioneiro e resgate ao mesmo tempo.
Os grilhões não me sufocam; a dor da perda,
Sim. Os dias virão, a atualização é necessária:
Trocarei de roupas, andarei entre pérolas
E cizânias petrificadas, cultivarei cactos, com a
E certezas de que os espinhos não me machucarão.

 

Não verei o som do Big Ben, mas o tempo
Me trouxe para ouvir os sinos dobrando
Na torre da Igreja Matriz. Não beberei
Da água do Rio Tâmisa ou do Sena, mas

Hibernarei sob as águas do Rio Almada,

Em Pirangi, descalçarei as sandálias ​​— não como

O pescador, mas as dos tempos que há de vir,

despertando o ultrarromântico singular, que se

perdeu no tempo.