sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

apoesiadeclaudioluzparaossemideuses

A grande sinfonia mitológica inacabada

 


Os acordes da orquestra ressoam

No universo, Gaia (Terra), acorda, Urano

(Céu), faz a Overture, entre versos

E rimas melodiosas o palco é descortinado

enquanto as partituras reverberam no universo,

somos deuses não mitológicos.

 

O ébano nos paramenta, a orquestra

Tímida se deleita com os movimentos

Da batuta ancestral, agora

Abstrata, somos expectadores do

Ocaso perene que permeia o universo,

Agora decadente.

 

Afrodite e Hefesto se recompõem, Vênus

Agora é o seu nome, o azul é chocante,

Os balcões aceleram os aplausos,

 

Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Ares,

Deméter, Apolo, Ártemis, Hermes e Dionísio

Se revezam entre uvas e outros deleites.

E os 300 de espartas, agora são Titãs.

 

A orquestra sinfônica nos define:

"Somos todos aprendizes em um ofício

onde nunca nos tornamos mestres.

A vida." (Ernest Hemingway).

 

A poesia é terrena e eterna como

 As músicas, somos semideuses.

apoesiadeclaudioluzsextante

Não sou fogo, renasço entre cinzas

 

Não te queimo, renasço

Do que o fogo queimou, procure-me

Nas cinzas que fazem renascer as

Tradições seculares, "Urbi et Orbi".

 

“Amor é fogo que arde sem se ver”

(Luis de Camões), latentes sentidos

Quando o amor cega as escondidas,

Não como ledo engano, mas proposital.

 

Entre versículos recito: Como as labaredas são

Tão intensas antes da água sufoca-las,

Antes da terra renascer, entre dilúvios

E esterilidades que não faz a flor amorosa

Nascer em plena primavera, agora senil

Por não ter por quem chorar!

 

O sonetista é infiel, mesmo sem ser fiel,

Tem razões no amor que seca as

Lágrimas incontidas, quando o amor

Bate no coração agora renascido em você!

 

O amor bate na porta do fogo ardente,

Resgata as cinzas, entre diamantes memoriais,

Sem alta pressão, afinal o amor é diáfano!

apoesiadeclaudioluzcorosaseespinhos

Sou jardineiro

 

Resgatei-me do Caos amoroso

Apesar dele me fascinar,

Sou naufrago do Rio Almada,

Apesar de estar à deriva

Enviei garrafas com mensagens,

Te levei nos pensamentos, remei

Ao encontro dos ventos, vindos do

Norte ou do Sul, não sei!

 

O tempo quaresmal não para,

Transpomos o incessante, somos

Orantes em busca de resgates que

As vezes não chega, persistimos.

 

Não me encontro amoral, não aspiro

As flores do mal, aspiro as rosas de bem querer,

Sou jardineiro.

 


Sou o querer entre sementes que queimam,

Os frutos brotam, sentimentos plenos

Nos envolvem em pétalas, somos o que

Deus cultiva!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

apoesiadeclaudioluzaberta

Efatá

 


Que se abram os nossos corações

Para os altos céus, que as nossas vozes

Ecoe no fundo das nossas almas amorosas,

Somos liberdades literais, frutos serenos,

Dois corpos inspirados somos,

Ocupamos o mesmo Espaço que

Se abre em pétalas de luzes.

 

Não nos abrimos pela metade,

Entrelaçamos as nossas mãos,

Subimos degraus, galgamos o

Doce e sublime, amamo-nos de todas

Formas de amar.

 

Cuidamo-nos, os nossos lábios

Ressoam entre estrelas, os trovões

Não nos calam, somos calmarias, quando

O mar se abre, em ondas serenas

Navegamos, somos o Efatá.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

apoesiadeclaudioluzpraiana

O mar


 

La mer

Hipnotizo-me entre imersões,

Mergulho na mais profunda onda,

Não sou peixe e nem crustáceo,

Sou ave de arribação, que decifra

O azul e o verde mar dos seus

Pensamentos, que fitam o horizonte,

Findando nos altos céus escarlates.

 

O mar nos traga em doses homeopáticas,

Misturamo-nos nas as areias cobertas

De conchas alvissareiras, que não

Ferem os nossos pés andantes,

Quando caminhamos entre pororocas

Não ressentidas, que se beijam

Ao se encontrarem.

 

Somos rios e mares, em

Voluptuosidades nos entrelaçamos

Nas águas correntes do mar que vai

E vem, somos simultâneos da

Terra com o Sol e a Lua, damos

Brilhos as estrelas que nos bronzeiam,

Somos peles morenas douradas pelo sol

Escaldante banhados pelas nuvens brancas que

Amenizam, mas não mata o calor que habita

Em nós.

 

Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Direitos reservados:

Lei de Direitos Autorais nº 9.610/1998.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

apoesiadeclaudioluznotrapezio

Transversais obliqua confusas

 


Rendo-me, não pode parecer paranoias

De minha parte, deleito-me com

O avesso e o direito, perpendicularmente

Atravesso o pântano sem musgos.

 

Singro entre poeiras, chuvas

Torrenciais não me abomina, o sol

Lucido não me inquieta.

 

Sinto falta das caminhadas que não

Me levaram a lugar nenhum, apenas

O ostracismo ainda me pavimenta

Com naturalidade secular.

Tenho sede de sonhos imperfeitos, busco

Sentidos, as palavras seduzem-me,

Escalo as transversais obliquas, confuso subo

No trapézio, em voos cegos me perpetuo,

Pressinto que a terra firme me aportará

No caleidoscópio lunar, sou lunático.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

apoesiadeclaudioluzcpmventanias

 ...E o vento levou


 


Poeiras cósmicas me consome,

Sou brando, não incoerente,

Tergiverso sobre os seus olhos,

Vejo o amor dilatado como uma

Canção há muito ouvida.

 

O vento não se cansa, sussurra

Incansavelmente que o meu amor

Não foi embora, apenas adiou a

Sua vinda.

 

Ouço passos, visto-me com águas

De cântaros, aperfeiçoados pelo

Oleiro de sonhos, sou vida.

 

O precoce sibilar dos ventos

Uivam, pressinto chuvas, o cinzento

Das nuvens prescrevem raios sem

Luzes infinitas, lamento.

Sinto o seu caminhar, os meus lábios

Sussurram o que há de vir, você

Deslizando em brancas nuvens que

O vento não levou, contento-me

Com uma ventania de cada vez.