Promessas banhadas no
Rio Almada
O Rio Almada me
consome, deleito-me
No seu leito, sou
Pouso Alegre, Guaracy,
Pirangi e Água Preta,
curvo-me nas
Serras, Sou
Massarandubas, Vinháticos e
Jussaras.
Sou serra do Chuchu, nascedouros
do Almada,
que desagua nas terras
de São Jorge dos Ilhéos,
salgo-me.
Sou Almadina, Coaraci,
Itajuípe,
e Uruçuca, sou Banco
do Pedro,
Rio do Braço, Castelo
Novo, desnudo-me
No Iguape, sou o mar.
Sou agressivo em
cheias perenes, cobro
Descasos a minha
natureza, quando as minhas
margens capitulam, nas
enchentes sou vazantes,
em dias calmos não me
intimido, nas minhas
Invasões, te delimito
para ver
As reconstruções de
vidas antes
Secas, vertendo
lágrimas peculiares.
Entre banhos e
mergulhos, o chacoalhar
Das lavadeiras,
esquivo-me dos anzóis,
Das tarrafas, paripes
e dos munzuás,
Sou peixe Livre.
Cavo areais de
barrancos, faço taipas,
Mergulhos nos redemoinhos,
recebo
Bençãos de Iara
(Uiara), Yemanjá das águas doces,
Saúdo
"Odoyá" ou
"Odociaba".
Faço
preces de pescadores, sou
Promessas
advindas da:
"Mãe das
Águas",
"Rainha das Águas Sagradas”.
Odoyá, minha mãe!
Salve o meu rio.




