O poeta de Pirangi

O poeta de Pirangi
O Poeta de Pirangi

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzdidatica

Poeta Autodidata

 


Se quiseres ser poeta, acorda!
Todas as inspirações contidas, acorda
a ti mesmo, se quiseres tocar o
coração de alguém, eliminando as
dores, pintando uma nova face com
emoção.

Ser poeta é escrever bem no meio da noite ou
no claro do dia, angustiando-se,
alegrando-se como uma grávida em gestação
lunar.

Ser poeta é iludir com verdades, despetalando
as rosas púrpuras, extraindo os venenos
das maldades alheias, cobrindo-se com
os raios do sol da meia-noite, sem
despertar as aves noturnas que singram
para o mar.

Ser poeta é beber do cálice amargo,
sufragando as palavras esquecidas no
livro de protocolos dos Sábios de Sião.


Enfim, ser poeta é se vestir de versos
indomáveis, puritanos às vezes, versejando
com os olhos aquilo que o coração sente e
a mente, talvez, desmente.

 

Adestração amorosas

 

Adestrei-me com o vento
E fiz da queda o meu abrigo,
Não há temor no pensamento
De quem carrega o raio consigo.

 

Minha festa amorosa é a tempestade,
Onde o céu desaba em paixão,
Despindo a alma da vaidade,
Rasgando o peito do trovão.

 

Nesse outubro de águas claras e brutas,
O amor não chega como calmaria,
Vem no estrondo das absolutas
Noites de fúria e de poesia.

 

Que vente forte, que o mundo mude,
Que desabe o teto e balance o chão,
Pois trago a força da juventude
No caos sagrado do coração.

Caminho de Luz

 

Vivo nas estrelas
porque lá é que brilha a minha alma,
longe da pressa e das janelas,
onde o silêncio traz a calma.

 

Deixo na terra os passos rasos,
o peso em vão que a vida traz,
e sigo em busca dos abraços
que o firmamento me dá e faz.

 

Sou feito de poeira e brilho,
de um tempo antigo e sem partir;
quem olha o céu encontra um trilho
onde a esperança sabe vir.

 

E se a minha noite cai pesada e escura,
não tema a sombra nem a dor:
alma voa na altura,
feito estrela, em paz e amor.

apoesiadeclaudioluzsilenciosa

As Coisas que o Silêncio Escreveu


Escrevi teu nome no avesso dos meus dias,
Num verso mudo que você não quis ler.
Te amei nas horas em que o mundo adormecia,
E no espaço eterno entre o querer e o esquecer.

 

Meu peito foi palco de um sentimento imenso,
Que gritava alto, mas não fazia som.
Te busquei no eco de um abraço suspenso,
Tentando entender onde perdemos o tom.

 

Bati em portas que o tempo já fechou,
Esperei palavras que o vento não trouxe.
E nessa ausência que em mim se instalou,
Descobri que o fim também pode ser doce.

 

Porque amar também é saber traduzir
As respostas que o teu vazio me deu.
É recolher os pedaços, sorrir e partir,
Aceitando a carta que você nunca escreveu.

 

Liberto os nós que um dia amarrei,
Deixo ir o que nunca foi meu para guardar.
No silêncio sagrado em que te amei,
Aprendi que o maior amor é se poupar.

 

O Eco da Promessa

 

Mesmo que a noite pareça calar,
A voz que um dia quis ensinar,
Existe uma força que o tempo não mede,
Que cuida, que guarda e que intercede.

 

Os filhos do mundo pertencem ao vento,
Mas voltam na prece a cada momento,
Pois onde o teu braço não pode alcançar,
O amor do Senhor já passou a cuidar.

 

Descansa os olhos cheios de esperança,
A alma que clama, o pranto que gera,
Nenhum coração que se dobra em oração,
Se esvaziado de Deus ou chora em vão.

 

As dores entregues no altar do silêncio,
Ganham asas no céu em doce incenso,
E a Cruz que sustenta o peso do mundo,
Abençoa o teu zelo mais profundo.

 

A semente plantada na terra do peito,
Germina no tempo que Deus julgou eleito.
Aquieta o pranto, renova a esperança,
A fé do teu colo é o que os alcança.

 

 

O Risco de Voar

 

Não tentar será sempre mais fácil,
Não se arriscar, um abrigo seguro.
Mas o porto parado e inerte
Não leva a nenhum novo futuro.

 

Não se voa sem a sombra do chão,
Sem o frio do vento a tocar,
Pois quem nunca aceitou a queda
Nunca aprendeu o que é se lançar.

 

E se o passo vacila na estrada,
Se o tropeço te faz revirar,
Saiba que a própria pedra no caminho
Ensina a gente a caminhar.

 

O tombo não é o fim da jornada,
É a cicatriz de quem ousa tentar;
Mais vale a poeira do esforço
Do que o tédio de nunca voar.

 

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzoceuportestemunha

Sob a proteção dos céus dos apaixonados

 


Deitamos na praia, o sol regozija-se.
O esperanto é a língua-mãe,
a linguagem é universal. O sol
também se levanta, o amor flutua
entre as nossas almas, somos a
natureza latente.

 

O céu sem estrelas nos encobre.
Esperamos a noite para tomar banho
de lua e nos enxaguarmos com as
estrelas seculares; somos anjos.

O amor flutua, descortina-se entre
os nossos corpos. Somos apaixonados desde
a vigésima quinta hora que nos desperta.


Somos únicos, desde a aurora até o poente,

Somos juramentos em busca da Ponte dos
Suspiros. Somos amantes premidos com
as promessas que adormecem nos céus.

 

Estamos protegidos.

 

Inconclusões

 

Não houve perda, houve achado,
Se foi amor, o tempo diz.
O que restou ficou guardado,
Memória viva, cicatrizada.

 

A bússola que o peito guia
Chegou bem antes do relógio;
O sentimento não adia,
Não pede tempo nem elogio.

 

Diante do céu guardei silêncio,
Mas os temporais cá de dentro
Me interrogaram em turbilhão:
Exigiram que eu fosse eu,
Na coragem que o medo deu,
De entregar meu próprio coração.

 

Falar de amor, ouvir o eco,
Aceitar o boato que ele quis,
Mesmo contra a minha própria voz.
Ceder ao que não controla,
E entender que, no final das contas,
O amor decide sobre nós.

 

Amor a preço fixo

 

Às vezes a vida não nos rouba ninguém,
não leva o abraço, não corta o caminho,
apenas acende a luz que convém
e mostra o cansaço de estarmos sozinhos
mesmo estando acompanhados.

 

O custo não vem em moeda ou metal,
não se paga com juros, nem nota de cem;
cobra-se em paz, em silêncio e em mal
que a gente aceita de quem não convém.

 

É o pedaço de alma que a gente concede,
o sorriso forçado, a voz que se cala,
a sede de afeto que nunca se sede,
o eco vazio que mora na sala.

 

Manter por perto quem já se ausentou
é carregar peso que a estrada não pede.
A vida não tira: ela apenas mostrou
o preço exato do fio que se perde.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Saudades de Lev

 




Quando a casa silenciada e a saudade aperta,

Uma brisa suave entra pela janela aberta.

Não há som de patinhas no chão a ecoar,
Mas sinto, no peito, a sua alma a me abraçar.

 

Eles voltam nas asas de uma borboleta dourada,
No raio de sol que ilumina a sala vazia,
Na lembrança doce de uma corrida compartilhada,
Transformando o inverno em calor e alegria.

 

Não chores pensando que a partida foi o fim,
Eles correm agora num eterno e lindo jardim.
E sempre que o teu coração de saudades chama,
Num sopro de vento, eles voltam para te visitar.

apoesiadeclaudioluzvariadas

Sinto a cruz que eu carrego com leveza

 


Olham de longe o brilho da jornada,
Cobiçam a cruz que trago no peito,
Mas não conhecem a estrada passada,
Nem o peso exato de cada defeito.

 

Querem a colheita, esquecem a lida,
O pranto escondido na escuridão,
Mas esta cruz é a minha própria vida,
E dela não abro mão.

 

Faço do peso o meu estandarte,
No avesso da dor, encontro o sentido,
Cada pequeno detalhe faz parte
De um milagre que foi recebido.

 

O café da manhã, o sol que desponta,
O sopro do vento, o riso sagrado,
Tudo celebra, no fim das contas,
Que o meu fardo foi abençoado.

 

Carrego com orgulho o que me consagra,
Nenhum olhar alheio me desvia,
Pois onde o mundo vê uma chaga,

Eu vejo o motivo da minha alegria.


Bate Coração

 

Quando o coração bate, não é apenas música,
É a alma conversando com outro coração,
Uma prece sutil que ecoa no universo,
Embalada pelo ritmo sagrado da criação.

 

Não preciso moldar o outro à minha imagem,
Nem transformar o mundo que há em você.
O amor não impõe amarras ou caminhos,
Ele apenas aceita o que se pode ser.

 

Preciso apenas escolher, com toda a bravura,
O peito que acolhe o meu próprio pulsar.
E com a coragem que liberta a ternura,
Decidir, livremente, a quem vou amar.

 

Trago o amor como guia e destino,
No compasso que o infinito desenhou.
Duas almas que se encontram no infinito,
Sendo exatamente tudo o que o amor abençoou.

 

A Queda, aprendiz de passarinho

 

As asas que um dia deixei na gaveta,
cobertas de poeira e de esquecimento,
foram o preço de uma promessa secreta:
fazer do teu céu o meu próprio alento.

 

Enquanto eu cuidava do teu horizonte
e guiava o teu voo com zelo e abrigo,
esqueci-me da força que nasce na fonte,
da linha do vento que outrora era comigo.

 

Mas não busco a urgência de um novo capítulo,
nem páginas brancas que o tempo desfaz.
Não quero o rascunho de um outro título,
volto ao começo onde a alma tem paz.

 

É hora de ver o teu voo seguir,
sem pesos, sem culpas, no azul que se expande.
E a mim cabe apenas o dom de sorrir,
reler cada linha da história tão grande.

 

Releio o início, o instante primeiro,
em que abri meus braços por ti, com fervor.

Não preciso de mais do que o livro inteiro
para lembrar como comecei a voar por você.

 

Malévola cristalizada

 

Nas Brumas de Avalon encontrei
Malévola, sob os olhares de Morgana.
O calor corpóreo me seduziu, abracadabra:
Foi o mote para a libertação poética.

 

Entre varinhas mágicas de azevinho, pena
De fênix e inspirações, compus versos
Para Madame Min e Maga Patalójika. No
Monte Vesúvio, vendo a Moeda nº 1 do
Tio Patinhas, não consegui adentrar na Caixa
Forte de Patópolis.

 

Tentei um tour com a vassoura mágica; em
Desequilíbrio caí, não voo mais. Meu padrinho
Merlin apresentou-me Hermione Granger,
A Feiticeira e Sabrina; fiquei lisonjeado,
E adormeci.

 

Sorvi doses de Poções de Polissuco e Amortentia,
Não me embriaguei. Adormeci pensando na poção
Do druida Panoramix, pensei ser Asterix, o gaulês;
Esperei o beijo de Aurora (A Bela Adormecida),
Mas simplesmente nem em sapo ou príncipe me tornei.

 

 O Alambique da Alma

 

No centro exato do peito, onde o fogo sagrado não cessa,
Três chaves de ferro e ouro abrem a porta secreta.
Amar é o sopro divino que o sopro da terra recusa,
Dói a luz que se doa à noite profunda e reclusa.

 

Mas a dor é o mercúrio bruto que o mestre acolhe na mão,
Pois quem cura a chaga do outro, opera a própria ascensão.
O fio invisível do cosmos tece o amparo no escuro:
A gota de amor que entregas quebra o teu próprio muro.

 

Perdoar é quebrar as correntes, dissolver o sal do passado,
É ver no erro do outro o espelho do ser desatado.
Mas esquecer... ah, esquecer é a meta do mago perfeito,
Apagar o traço do giz que o tempo gravou no peito.

 

Não chores o eco que falta, nem o afeto que não regressa,
No livro oculto da vida, nenhuma bondade se apressa.
Enquanto curas o mundo, no silêncio do plano divino,
A mão do Grande Arquiteto reescreve o teu destino.

 

 O Oceano no Cálice

 

Sirvo o vinho para aquecer o frio,
desse pedaço que em mim quebrou.
Aprendi a viver com o peito vazio,
e com a marca do que não passou.

 

Engoli a solidão em noites desertas,
chorei no escuro onde ninguém podia ver.
Algumas feridas nunca ficam abertas,
viram cicatrizes para nos erguer.

 

Mas há um mistério no fundo do pranto,
um Brinde sagrado à nossa dor.
Iluminação é o instante santo,
em que a onda se descobre oceano de amor.

 

Não sou o fragmento, não sou a ferida,
sou a imensidão que sabe acolher.
Bebo o vinho, celebro a vida,
Pois mesmo quebrado, eu sei florescer.

 

 

apoesiadeclaudioluzalevezadacruz

Sinto a cruz que eu carrego com leveza

 


Olham de longe o brilho da jornada,
Cobiçam a cruz que trago no peito,
Mas não conhecem a estrada passada,
Nem o peso exato de cada defeito.

 

Querem a colheita, esquecem a lida,
O pranto escondido na escuridão,
Mas esta cruz é a minha própria vida,
E dela não abro mão.

 

Faço do peso o meu estandarte,
No avesso da dor, encontro o sentido,
Cada pequeno detalhe faz parte
De um milagre que foi recebido.

 

O café da manhã, o sol que desponta,
O sopro do vento, o riso sagrado,
Tudo celebra, no fim das contas,
Que o meu fardo foi abençoado.

 

Carrego com orgulho o que me consagra,
Nenhum olhar alheio me desvia,
Pois onde o mundo vê uma chaga,
Eu vejo o motivo da minha alegria.

apoesiadeclaudioluzespelhada

O Espelho do Teu Olhar

 


Na imensidão onde o silêncio canta,
Teu sopro traz o verso que te escrevo,
Uma doçura que a Minh ‘alma encanta,
E em cada linha, o mundo amanhece.

 

Dizes que sou poeta sob a tua luz,
Mas és tu a imensurável dessa pintura,
O sentimento puro que conduz
A gravidade à sua forma mais pura.

 

Medito em cada traço que te escrevo,
No pulsar do peito que em poemas bate,
Do amor mais bonito que te ofereço,
Num laço eterno que ninguém debate.

 

Se és bela, é porque o teu carinho
Embeleza tudo onde o meu olho pousa,
Caminharemos juntos no caminho,
Onde a poesia vive e repousa.