sábado, 21 de março de 2026

apoesiadeclaudioluzdiadopoeta

Sonata para um poeta que vive em ti

 


Alimente o poeta que nasceu

Em ti, não importando se a pátria é

Amada ou não, se as inspirações são

Vitruviana ou não, mas que seja musical,

Matemática ou geométrica, que seja poesias

Perfeitas ou imperfeitas, mas alimente-o.

 

Alimente-o com palavras escritas

Numa Pedra Lascada, Pergaminhos,

Papel Almaço ou Pardo, de seda,

Vergê ou Couché.

 

Declame os seus versos nas ruas ou becos,

Escreva nos guardanapos dos bares,

versos para amada da hora, ou para a que

Já se foi.

 

Alimente-o com os momentos de esperanças,

Ilusões, idílios, com alegrias e sofrimentos,

Com dosagens amenas, com lágrimas nos olhos ou

Como um sorriso no olhar.

 

Alimente-o com as cores da natureza, das chuvas,

Das flores que nasceram “In vitro".

 

Alimente-o quando ele estiver nas portas

Ou janelas, contemplando a Natureza de Deus,

Os milagres diuturnos, não desprezando

Inspirações para os poetas que não creem na

Beleza da poesia não escrita.

 

Alimente o poeta que acredita nos versos marcados

a ferro e fogo, que não para quando o lápis

quebra a ponta das ilusões partidas, que se

abre para os versos que fluem na mente,

iluminando os corações dos poetas natimortos,

Que sobrevivem alimentados pelos versos e pães

de cada dia. 

 

Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Direitos reservados:

Lei de Direitos Autorais nº 9.610/1998

Whatsap – 7399179-8476

sexta-feira, 20 de março de 2026

apoesiadeclaudioluzemmetamorfose

Metamorfoses bucólicas

 


O sol nos delimita, banhamo-nos

Raios dourados, alçamos voos, entretidos

Nos ventos das mudanças, somos

liberdade.

 

Transmutações amorosas nos vigiam,

agora de prontidão metafórica,

vivemos sem ufanismo, apenas apelos pelas

Transformações exatas, inexatas são

Os sonhos das borboletas, antes Crisálidas.

 

 A dor é necessária, cuidemo-nos.

 

Sentimentos fugidios nos completam,

A paixão as vezes nos transformam em

Amantes brutos, é a natureza não

Bucólica.

 

Somos terra bruta, sentimentos que

Ascende entre fantasias, somos fantásticos

Em dias intercalados, nos outro somos

Normais, num mundo que prega o irreal,

Não nos apegamos.

 

Superações nos perseguem, apenas o querer

nos dominam, mutações nos vestem, enfeitamos os

Jardins, somos adubos no final.

apoesiadeclaudioluzduo

Pedras entre espinhos

 


Coleciono pedras pelos caminhos

Que percorro, não as atiro, pinto-as como

se fossem brilhantes,

Precisando de lapidações para sobreviver,

Sem ofuscar os mármores e granitos

Eternizados nos pisos alheios,

 

Já fui em limítrofes eternas,

Pedra de mó, Pedra seixo, Pedra São Tomé,

Pedra Caco, Ardósia, Pedra Miracema,

Pedra Ferro, Paralelepípedo,

Pedra de Rumo, só não fui a Pedra

Angular, não merecia ser.

 

Não atirei pedras em pecadores, sou

Também das mesmas estepes, árido,

Solitário, ouvindo os ventos uivantes.

 

Me calo nas noites de inverno, não

Infernizo o tempo, firo-me nos espinhos

Escarlates, sou da tapera, casas de

Pedras não me emociona, o frio passante

É o mesmo, vejam as estações.

 

Sou pedra de rios, molhado por fora

E seco por dentro, não me movo,

Crio limos, faço renascer as pirâmides

Egípcias.

 

Adorno os pescoços,

Não como uma marca de forca, mas como

Um falso brilhante que te ofereci, entre

O padecer do sol, ao Ver a lua brilhar.

 

Ouço retumbante os cânticos do poeta que ecoou,

“No meio do caminho tinha uma pedra”.

Clamo! quem não tiver uma pedra,

Atire o primeiro pecado.

 

Fugir pra que?


 

Somos desertores, a natureza

Nos comove quando fugimos, quando o

Desapego é mais forte, na morte.

 

Somos solenes, bradamos lágrimas pelos

Sofrimentos alheios, somos fracos nos

Nossos, estereótipos, algoz antes,

Apaziguador agora, somos feras

Feridas sem cicatrizes a mostra,

Somos bandagens poluídas, íntimos

Dons sombrios.

 

É preciso sentir o luto, pra que poupar

Lágrimas doces, se temos as salgadas que

Tempera as nossas vidas mundanas,

Somos passageiros sem bilhetes

De regressos.

 

Não nos poupamos, pois pra que fugir do

Coração que arde sem chamas

Aparentes, engolimos o choro, então.

quinta-feira, 19 de março de 2026

apoesiadeclaudioluzfogo

Coração que arde

 


Embora o fogo do seu amor

Me consuma, o impassível não

Me deterá, incólume a água quequeima, seguirei em

Busca das brancas nuvens, purificações

Tinge os meus lábios, encontro-me

Sem respostas para o ocaso, fim.

 

Decifro o oriente eterno, o arquétipo

Do infinito que não tem a forma de uma

Rosa, não sucumbirá, sou luz.

 

Plaino entre ondas copiosas, busco os

Seus sonhos, sou a noite não eterna, sou

Os sufrágios que inspiram um novo Aeon Flux.

 

Como Estrelas eternas, decifro-a enaltecendo

O seu ser, o imensurável é longo,

As chuvas refrescam-me, ensopo-me de

Sonhos instransponíveis, sou impetuoso

Entre cordas bambas, sou a certeza dos

Raios violetas, que descansam deitados nas

Areias marejadas e claras, em pleno outono que

Bate à porta entreaberta.

Sou braços não partidos, deleito-me

Em seus braços, abraços que desentrelaçam

As placas indicativas de destinos triviais.

 

Bebemos do mesmo cálice, brindamos o

Amor eterno, sem Parusia, sem diapasão,

Almejamos a terra prometida com plantas

Tenras, cultivadas em nossos corações,

Não banidos, não partimos.

quarta-feira, 18 de março de 2026

apoeiadeclaudioluztributo

A voz que não quis calar



                             Tributo a Clodualdo Cardoso

 

Olhai os Lírios do Campo, floridos

Desde Cubículo, florescidos cacauais,

Voz branda, pulso elevado, nasce

O Paladino em plagas Canavieirenses,

Bardo almadiano, renascestes.

 

Pardo Rio, Almada Rio, inflamadas

Palavras, clamou pelos bardos nascituros,

Com idealismos extremos incomodou, bebeu café

Na cuia dos injustiçados, andou pela escuridão

Solene dos abastados, oportunismos

Das eminencias pardas, calou a

Voz do defensor imbatível.

 

Suprimiram o verbo, mas não cassaram

O terno de linho diagonal que flanava

Ao vento sul, norte talvez, velho oeste.

 

Abraçaste a Coluna, bandeira vermelha

Tremulava entre porta estandarte, coberto

De sonhos, insígnias e botinas não o

Intimidaram, o crepúsculo era dele.


A liberdade antes que tardia apareceu,

La Marseillaise, bradada na praça renasceu,

A Redentora não o calou, após os calabouços, o leão

Voltou a rugir, ferrenho como antes.

 

Incomodou, em setembro, quando os Lírios do

Vale floresciam o “Paladino” expirou, não como

Um derrotado, mas como um vitorioso

Que nunca deixou a sua voz calar.

 

Assim foi o Clodualdo Cardoso,

Que eu conheci, sentado na varanda

Com o seu radio, junto com Marcos Santarrita,

auscultando as últimas Notícias, quando o seu

coração parou.

 

Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Direitos reservados:

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