O poeta de Pirangi

O poeta de Pirangi
O Poeta de Pirangi

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzbeduino

Estou Beduíno

 


Sob o céu de bronze e o vento do deserto,
Cavalgo com Sibila de Jerusalém ao meu lado,
Estou Beduíno, com o horizonte aberto,
Deixando para trás o que foi sepultado.

 

Balduíno IV já não está entre nós,
O Rei Leproso descansou de sua dor,
Já não se ouve mais a sua voz firme,
Nem o eco de seu trágico esplendor.

 

A bandeira dos Templários já não flerta com os ventos,
Os panos brancos e vermelhos cederam ao chão,
Silenciaram-se as preces e os lamentos,
De uma outrora temida e forte regularmente.

 

É primavera, os cavalos árabes estão inquietos,
Sentem no ar a mudança das eras e do altar,
Seus cascos cansam de caminhos desertos,
Ansiosos por novas terras conquistando.

 

Balião de Ibelin já não guerreia mais,
As muralhas que defendeu trouxeram-se história,
Suas mãos cansadas agora buscam a paz,
Longe do ferro, do sangue e da glória.

 

Hattin está em paz, o calor amainou,
A poeira da batalha finalmente assentou,
Saladino ainda respeita com seriedade,
Guiado por sua honra e lealdade.

 

Jerusalém ainda vale tudo, o centro do mundo,
Onde a fé se consagra em mistério profundo.
Rezo na Igreja do Santo Sepulcro, na luz que clareia,
Enquanto a poeira da história na pedra passou-a.

 

Não há mais o que lamentar no Muro das Lamentações,
As lágrimas antigas secaram nas fendas do tempo,
Calaram-se os tambores de todas as nações,
Pois a promessa venceu o último contratempo.

 

Cristo já não está, ressuscitou,
A tumba vazia é o triunfo que ficou.
Sou o deserto, a memória e a canção,
O último guarda desta santa região.

apoesiadeclaudioluzexistencial

 Diálogos com a alma do mundo

 


Antes da lógica traçar o seu desenho,
existe um sopro, um breve movimento,
um saber antigo que não pede comprometimento,
que nasce antes mesmo do pensamento.

 

É essa voz que habita o chão do peito,
sussurrada manso em meio à tempestade,
que aponta o rumo de um traçado feito
muito antes da nossa própria vontade.

 

Mas logo chegam o medo e o ruído,
as dúvidas que o mundo quer plantar,
o peso de um conselho não pedido,
e as mil razões para nos desviar.

 

Queremos provas, mapas, garantias,
justificativas para o que já se sabe,
perdendo o rastro dessas linhas guias,
tentando mensurar o que não cabe.

 

Nem toda intuição traz a certeza,
nem todo Norte brilha feito o sol.
Às vezes, ela é só delicada,
um fio invisível, um farol.

 

É um silêncio que pede atenção,
um aviso discreto no caminho.
Antes de ouvir o mundo e a razão,
escute o que a alma diz sozinha.

 

Sussurros

 

O mar sussurra segredos quando a maré

se move, espalhando calmaria e luz por

onde passa.

 

O mar avança beijando a areia,
num sopro de paz que a alma alteia.
Lança ao vento um sorriso sincero,
um gesto de afeto que tanto eu quero.

 

As ondas vão, levam pressa e dor,
e voltam depois, vestidas de amor.
Assim é o querer que bate no peito:
um ir e vir manso, de um jeito perfeito.

 

Cria a maré de um abraço apertado,
deixa o carinho seguir seu lado.
Porque o que mora no fundo do mar
sempre retorna para quem sabe amar.

 

Retratos do Invisível

 

Nem todo o que se vê mostra quem você é,
O espelho engana os olhos, mascara o que dá pé.
Por trás de cada rosto existe uma história profunda,
Que só Deus conhece, compreende e sonda.


A minha dor é indolor, recolhida no peito,
Um silêncio que sangra com todo o respeito.
Mas o meu amor tem cor, tem o mais doce sabor,
Contraponto perfeito que afasta o amargor.


A memória do teu cheiro insiste em me amar,
Persegue meus passos, recusa-se a passar.
Feito brisa antiga que o tempo não desfez,
Me abraça no escuro e me ganha outra vez.


Nessa escolha sagrada entre a luz e a ilusão,
Guardo firme os rumores do meu coração:
Quem ama o céu e busca a divina harmonia,
Nunca beberá da fonte do inferno e da agonia.

domingo, 11 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzdominical

Agora que o meu amor se foi


Agora que o meu amor se foi,

bebo da primavera o que restou,

desembaço os meus olhos na névoa,
e vejo a luz que o tempo guardou.

Agora que o meu amor se foi,
os sonhos serão feitos de verão,
e os dias prosperarão por si sós,
na cadência livre do meu coração.

A aliança antiga foi desfeita,
o nó que apertava se soltou.
Agora que o amor enfim se foi,
aspiro o perfume que a flor deixou.

Danço na chuva que lava o passado,
percorro horizontes sem pressa ou fim,
me deleito entregue à solidão,
enquanto cuido do que há em mim.

E no compasso leve desse adeus,
sigo em frente, sem olhar para trás,
esperando um novo amor que vem,
ou o de ontem que retorna em paz.

 

Diálogos com a alma do mundo

 

Antes da lógica traçar o seu desenho,

existe um sopro, um breve movimento,
um saber antigo que não pede comprometimento,
que nasce antes mesmo do pensamento.

 

É essa voz que habita o chão do peito,
sussurrada manso em meio à tempestade,
que aponta o rumo de um traçado feito
muito antes da nossa própria vontade.

 

Mas logo chegam o medo e o ruído,
as dúvidas que o mundo quer plantar,
o peso de um conselho não pedido,
e as mil razões para nos desviar.

 

Queremos provas, mapas, garantias,
justificativas para o que já se sabe,
perdendo o rastro dessas linhas guias,
tentando mensurar o que não cabe.

 

Nem toda intuição traz a certeza,
nem todo Norte brilha feito o sol.
Às vezes, ela é só delicada,
um fio invisível, um farol.

 

É um silêncio que pede atenção,
um aviso discreto no caminho.
Antes de ouvir o mundo e a razão,
escute o que a alma diz sozinha.

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998

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sábado, 10 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluznavegação

Eu naveguei

 


Um olhar parado, fixo no vazio,
Onde o tempo é cinza e o peito esfria.
Sentimentos esgarçados pelo fio,
E uma dor na alma que não se desvia.

 

Tantas flores tentam, com bravura,
Sobreviver aos destroços do chão,
Encontrando vida na amargura,
E força no resto do coração.

 

Sou um privilegiado neste mundo,
Que empreenderam a viagem a fundo,
Sem precisar navegar no mar.

 

Pois não foi nas águas que naveguei:
Foi em ti, espelho, abrigo e calor,
Que cruzei fronteiras e me achei,
Rompendo o que me afastava de mim,

Com amor.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzdiaadia

Um dia após o outro

 


Mantenha suas opiniões.
Os fardos são pesados, mas a
Esperança e as adversidades fazem parte.
A debilidade espiritual é um peso insuportável;
Não permita que a mente ceda às dificuldades.

 

Resistir ao ódio; as tempestades são caminhos.
A verdadeira paz está na próxima esquina, é
Só dobrar. Mantenha distância das temperaturas.
Temporais são as estações. Mutáveis
​​são os
Pensamentos profanos; s
ó o Senhor é Santo.

 

Está escrito: “Orai sem cessar”.

 

A meditação é um bálsamo. Os joelhos
Dobrados são ascensão, um coração aberto que
Nos leva ao impossível. Cada dia nos basta.
Somos santos em nossa pequenez; amanhã
Será o amanhã.

 

Compassividade não é pecado. Amor é
Ação. A vulnerabilidade universal dos
Seres humanos não é tese, é real.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzpinturaaoleo

O seu retrato pintado a óleo

 


Ao meu pai Lafaiete Souza,
In memoriam

*06 de outubro de 1927 +19.07.2007

Visito a sala dos passos perdidos,

celebro as memórias que ainda me
despertam. A sua presença eterna, através
do seu retrato pintado a óleo exposto

na galeria da vida, reflete o que ainda

está presente em meu ser.

 

Na moldura dourada do tempo ausente,
isola-se o teu olhar de mar antigo,
onde o pincel traçou, minuciosamente,
o abraço eterno que eu levei comigo.

 
A tinta espessa desafia os anos,
retém o brilho exato da tua pele,
e cura os meus silêncios soberanos
na corrente que o adeus impele.
Visito a sala, a galeria estática,
mas diante de ti o mundo ganha cor;
o óleo torna a tua ausência vã
e ressuscita a forma do amor.


É textura viva, luz aprisionada,
memória que a distância não desfaz:
na tela fria, a alma desenhada;
no meu peito, a tempestade e a paz.

 

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998

apoesiadeclaudioluz.blogspot.com

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Amorosa mulher


Silenciar o sopro do mundo lá fora,

Pausar o passo, recolher o olhar.
Há um espaço que pulsa agora,
Um templo sagrado a desabrochar.

 

Inspira a luz que preenche o vazio,
Expira o peso que o tempo deixou.
O amor não é pressa, correnteza ou rio,
É o lago calmo onde a alma pousou.

Amorosa tu és em cada centelha,
Na calmaria que habita o teu ser.

 
Como a textura da flor que se espelha
No dom gratuito de apenas viver.

 

Deixa que o peito se expanda e se aqueça,
Sente o calor desse centro irradiado.
Que o pensamento ceda e adormeça,
E reste apenas o ato de amar.

 

Aqui tu és porto, é terra, é abrigo,
Uma presença que abraça o que for.
Descansa no fluxo, respira comigo,
Âncora viva, feita de amor.

 

Meditações

Nas páginas do silêncio, a mente aquieta,

O ruído do mundo se desfaz no ar,
O Aprimoramento generativo do ser se completa,
Quando a alma humana decide pausar.

 

Limpam-se as lentes de toda ilusão,
Sem as marcas do tempo, do medo ou da dor,
Melhorando a nitidez espiritual do coração,
Revelando a essência em seu puro esplendor.

 

Traços perfeitos de um quadro divino,
Onde a luz interior remove o excesso,
Visuais com acabamento limpo e cristalino,
Guiam o caminhante em seu próprio regresso.

 

Meditar é polir o espelho interno da mente,
Apagar os ruídos, as falhas, a distração,
Para que a luz do agora, viva e presente,
Reflete a verdade na mais pura oração.