Pra não dizer que eu não falei das Flores
Astrais
Desabrocho palavras, assim como
As rosas exalam palavras sutis, trago
No peito uma imensa vontade de não
Fragmentar à vontade de escrever todos os
Dias e afins.
Terço uma tiara que entronizarei nos seus
Cabelos pueris, não como um simples
Adorno, mas para entrelaçar os nossos
Sentimentos, sem malicias, com essências
De cumplicidades reciprocas.
Afinal as flores estão voltando, entre solstícios
E equinócios, beijaremos as Quatro estações,
De Vivaldi, esperando a Sonata da Primavera que
Está por vir.
Acataremos os espinhos, afinal a mística lírica
Nos comove, cicatrizando as nossas dores
Sentidas, entre eclipses, para não nos escondermos
Na outra face da lua.
Beijaremos a Lua de George Méliès,
Seremos eternamente “Le Voyage dans la lune”,
Para que em plena colheita, orvalhar as flores astrais,
Antes que elas morram de tédio ou pela falta
Dos carinhos que abdicamos completar, não temos
Vocação para sermos párias, mas eternamente buscarmos
Nos passos, agora perdidos na imensidão das raízes dos
Espinhos que não podemos cultivar.
Estendo a ti, quem sabe em algum dia, te esperar e
Pudermos lograr alegrias pelo seu retornar.
Vem,
Vamos voltar aos jardins campestres dos nossos
Sonhares, até breve!

