O deserto é fértil
Não estamos sós, o deserto não nos
Consomem, é fértil nos nossos pensamentos,
Plantamos tâmaras amorosas, somos o crepúsculo
Quando o sol se põe.
Não dormitamos no passado, temos acordo, com
O dia, a noite e a madrugada que não se finda,
São eternas.
Uivamos como lobos, contemplamos a lua,
Não somos lunáticos, os nossos sonhos são persistentes,
As nossas paixões não são metáforas cósmicas, que vai e vem, descemos na primeira estação, somos escravos do tempo.
A tristeza não nos abate, não abrimos a porta, e
Se a abrimos degustamos esperanças, tomamos
Porres homéricos com ela, saímos sem
Pagar a conta, a vida nos ensinou que a
Persistência faz parte da festa.
O oásis agora nos chama, ouvimos o sibilar dos
Ventos, corremos ao encontro dos ventos,
Banhamo-nos nas chuvas, agora não escassas,
Purificamo-nos.
Autor:
Cláudio Luz/Luz do Almada Souza
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