O poeta de Pirangi

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O Poeta de Pirangi

domingo, 1 de novembro de 2026

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Adeus ano velho

 


Em tempos idos, o meu avô vaticinava:

"Meu neto, quando chegarem os 'Bros',

o que você não fez, não fará mais."

 

Curioso, eu fiquei atento e meditei: quem

são os "Bros"?

 

Com um sorriso faceiro, ele me dizia:

"Os 'Bros' são: Setembro, Outubro, Novembro

e Dezembro."

 

Depois ele colocava um cigarro na boca e, pitando,

fazia do ar espirais enquanto cantava: “Setembro

passou, Outubro e Novembro, já tamo em Dezembro,

meu Deus, que é de nós…”. E os iam "Bros" passando

ao longo.

 

Amor de boemia

 

Você nunca pediu para eu ficar,
Apenas, sempre trancava a porta enquanto eu
Percorria ruas a ermo, encoberto pela
Penumbra, que ria disfarçadamente dos meus
Infortúnios, cadentes à meia-luz.


Em pensamentos entendia que nunca
Aprenderia se eu voltasse de novo entre compassados,
Gostados por demais, comendo, rezando e amando,
Entre os deuses e os mortos, embriagando-me
Com as iniciais do seu nome, entre o “Alfa e o Ômega”,
Não envelhecido como o vinho com que brindamos no momento em que nos conhecemos, dançando entre acordes dissonantes, sonhando passar o resto das nossas vidas juntas.


Não sei se deveríamos ser felizes para ser infelizes ou
Infelizes para pensarmos que éramos felizes, bebendo da taça incólume, beijando esperanças frugais, que se encontravam nas prateleiras boêmias, que nos postergavam para não
Encontrarmos o day after,
Ou para a solidão que vestíamos,
Quando deveríamos estar nus, entre retalhos mal resolvidos,
Que não cobriam os nossos corações, quando não ouvíamos
Os apelos dos ventos e das indóceis recordações
Que sempre nos separaram.
Você simplesmente sempre me deixou ir...

 

Colheitas

 

Aviso dado, o espaço está aberto.
Quem quiser testar minha paciência,
está livre para seguir o próprio instinto.
Faça o jogo que quiser, use a conveniência.

 

O erro é livre, o arbitro é pleno,
pode agir à vontade, sem nenhum freio.
Mas guarde bem o peso desse aviso,
pois quem planta o vento, colhe o anseio.

 

A roda do tempo nunca deixa de girar,
e o silêncio de hoje é o cálculo do amanhã.
Quando a mesa muda e o vento muda,
não espere clemência ou resposta sã.

 

Quando chegar a minha vez de dar as cartas,
o cenário vai ser frio, a conta vai chegar.
Não haja desculpa, choro ou pena,
eu só vou cobrar o que decidimos plantar.

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