Despertar poético
Em Veneza, as praças
testemunham o sussurro,
onde a alma se despe de qualquer amarra,
os lábios declamam contra o tempo escuro,
e o peito, em delírio, na poesia se agarra.
Mergulho entre atos que
a vida deseja,
não os dos apóstolos, mas os do momento,
bebo a sutileza que o mundo contém,
no fluxo constante de sentimento.
O espírito é sazonal,
aceita o compasso,
do regime de chuvas que cai sobre o chão,
não neblina do frio que gela o espaço,
mas busca o calor de uma explosão interna.
É o calor de um amor que
faz delirar,
em versos que flutuam sem lei ou moral,
capaz de a alma e o espírito elevar,
num pacto sagrado e transcendental.
Sem pressa
O relógio desfila seus
minutos lentos,
A rua lá fora finge que quer correr,
Mas aqui dentro o verso encontra os ventos
E aprende, devagar, a florescer.
Sem pressa de chegar a
parte alguma,
Sem pausa que interrompa o coração,
A tinta escorre e vira fumaça e bruma,
Desenhando silêncio na amplidão.
Um passo, uma
respiração, um traço,
O tempo perde a força e a medida.
O poema se faz no próprio espaço
Entre o pulsar e o sopro da vida.
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