O poeta de Pirangi

O poeta de Pirangi
O Poeta de Pirangi

sábado, 31 de outubro de 2026

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Despertar poético

 


Em Veneza, as praças testemunham o sussurro,
onde a alma se despe de qualquer amarra,
os lábios declamam contra o tempo escuro,
e o peito, em delírio, na poesia se agarra.

 

Mergulho entre atos que a vida deseja,
não os dos apóstolos, mas os do momento,
bebo a sutileza que o mundo contém,
no fluxo constante de sentimento.

 

O espírito é sazonal, aceita o compasso,
do regime de chuvas que cai sobre o chão,
não neblina do frio que gela o espaço,
mas busca o calor de uma explosão interna.

 

É o calor de um amor que faz delirar,
em versos que flutuam sem lei ou moral,
capaz de a alma e o espírito elevar,
num pacto sagrado e transcendental.

 

Sem pressa

 

O relógio desfila seus minutos lentos,
A rua lá fora finge que quer correr,
Mas aqui dentro o verso encontra os ventos
E aprende, devagar, a florescer.

Sem pressa de chegar a parte alguma,
Sem pausa que interrompa o coração,
A tinta escorre e vira fumaça e bruma,
Desenhando silêncio na amplidão.

Um passo, uma respiração, um traço,
O tempo perde a força e a medida.
O poema se faz no próprio espaço
Entre o pulsar e o sopro da vida.

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