Releituras superficiais
Não era para ser um adeus,
Precocemente preferimos a
Sonoridade isolada, a imagem poética
Foi quebrada, tal qual o espelho
Que nos refletia ao sabor do tempo,
Ficamos no Deus dará.
Não recolhemos os fragmentos, agora
As palavras estão jogadas ao léu, o vento
Se encarregará de recolhe-las ou as
Dispensar nas ressonâncias agora
Invisíveis.
O sol já não nos aquece, somos órfãos do
Calor, agora não tão intermitente, olhamos para
O vazio que corta as nossas peles sem
Bronzeamento.
A noite é de cristais recolhidos das
Areias voláteis, não voamos, evaporamos
Nas nevoas cabalísticas, que sempre nos precedeu.
Fomos compulsoriamente expulsados do paraíso dos
Amantes ausentes, caminhamos sem rumos
Aparentes, estamos ausentes um do outro,
Perco-me em releituras esquecidas,
Nas gavetas, apalpo os rascunhos das poesias
Que um dia talvez recitarei para ti.
Autor:
Cláudio Luz/Luz do Almada Souza
Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998.
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