O último tango
Já não são mais dois pra lá dois pra cá,
Estamos cansados, a música já não nos une,
O bandaneon silenciou o salão, os passos
Encurtados se dirigem a saída, estilo
A francesa, sem alarmes ou despedidas
Fugaz.
A luz neon agora é tênue, o chacoalhar
Dos instrumentos emudeceram, a flor do
Lácio que repousava na mesa está desfeita.
Os copos antes copiosos dormitam nas
Mesas, as garrafas estão arrabaldes, os
Perfumes que antes inebriava o salão se
escondeu
Entre as poeiras.
Os casais antes festivos se despedem como
Num último ato de uma peça mambembe,
O Band-aid agora é consolo para os pés
Adormecidos, o último tango em Paris
Já não é o mesmo.
A orquestra se desfaz, os instrumentos
Antes tocante dormitam insones, os
Sonhos agora descerrados buscam as
Lembranças, agora lamentos nos fazem
Delirar.
Singramos da sala dos passos perdidos
Para a última estrofe da música lenta,
Que ainda ressoa no salão negro, agora escuro.
Autor:
Cláudio Luz/Luz do Almada Souza
Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998.
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