sábado, 1 de agosto de 2026

apoesiadeclaudioluzsabadal

O último tango

 


Já não são mais dois pra lá dois pra cá,

Estamos cansados, a música já não nos une,

O bandaneon silenciou o salão, os passos

Encurtados se dirigem a saída, estilo

A francesa, sem alarmes ou despedidas

Fugaz.

 

A luz neon agora é tênue, o chacoalhar

Dos instrumentos emudeceram, a flor do

Lácio que repousava na mesa está desfeita.

 

Os copos antes copiosos dormitam nas

Mesas, as garrafas estão arrabaldes, os

Perfumes que antes inebriava o salão se escondeu

Entre as poeiras.

 

Os casais antes festivos se despedem como

Num último ato de uma peça mambembe,

O Band-aid agora é consolo para os pés

Adormecidos, o último tango em Paris

Já não é o mesmo.

 

A orquestra se desfaz, os instrumentos

Antes tocante dormitam insones, os

Sonhos agora descerrados buscam as

Lembranças, agora lamentos nos fazem

Delirar.

 

Singramos da sala dos passos perdidos

Para a última estrofe da música lenta,

Que ainda ressoa no salão negro, agora escuro.

 

 

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza
Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998.

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