O poeta de Pirangi

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O Poeta de Pirangi

sábado, 3 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzentreaguas

Cidade dos Lagos e do Rio Almada

 


Onde o espelho das águas se deita no chão,
E o verde da mata abraça o horizonte,
Brota um canto suave do próprio coração,
Uma força antiga que corre na fonte.

 

São lagos de calma, de luz e mistério,
Onde o céu se desenha no azul mais profundo,
Reflexos de um tempo que reina imperante,
Silêncios que guardam os segredos do mundo.

 

E passa o Almada, serpente de prata,
Tecendo caminhos na terra e na história,
Ribeiras que cantam a voz da cascata,
E guardam nas curvas a nossa memória.

 

O rio que flui, que nutre e que clama,
Que banha os mistérios da velha floresta,
Unindo as margens de quem tanto o ama,
Fazendo da vida uma eterna festa.

 

Cidade moldada nas águas sagradas,
De brisas leves e solo fecundo,
Teus lagos e rios são rotas traçadas,
No canto mais vivo e belo do mundo.

 

Nos tempos da brilhantina e rock and roll

 

Nos tempos da brilhantina e rock and roll,
A juventude erguia a sua voz,
O rádio aceso despertava em nós
A chama viva que incendiava o sol.

Jaqueta de couro preta e o farol
Da lambreta correndo tão veloz,
Dançávamos a noite a sós, a sós,
No compasso febril do velho rock.

A saia rodada a girar no salão,
O topete moldado com cuidado,
Na vitrola batia o coração.

Memória de um passado iluminado,
Que traz no peito a doce nostalgia
Daquela febre que era pura magia.

Como dizia Rita Lee - Esse Tal de Roque Enrow!

 

Voei no Sputnik para te amar

 

Voei no Sputnik para te amar,
Deixei a Terra, a gravidade e o chão,
Cruzei o cosmos só pra te encontrar,
Na órbita perfeita da paixão.

O mundo abaixo era um ponto azul,
Silêncio imenso, a imensidão do espaço,
Mas minhas agulhas apontavam pro sul
Do teu abraço, o meu porto e pedaço.

Acelerando em rota de detalhes,
Com a beleza que o teu olho irradia,
Fiz da cabine a minha embarcação,
Navegando o vazio em poesia.

Se a ciência me levou tão longe assim,
Foi o teu brilho que guiou o motor,
Não há galáxia que resista em mim,
Se o combustível para o nosso amor

Não acabar.

Agora flutuo sem pressa de voltar,
Estrela viva no teu céu particular.

 

Tudo é passageiro

 

Tudo vem, tudo vai, feito o vento que venta,
arrastando o que encontra e mudando o lugar.
A tormenta que chega, que aperta e desmonta,
é a mesma tormenta que um dia vai passar.

Às vezes a vida atropela o sossego,
deixa a alma avariada e o chão em pedaços.
Mas a mão que recolhe os escombros do medo
é a mesma que molda os novos abraços.

Se o mundo balança e o teto desaba,
e o peito parece perder a estrutura,
lembre-se que a dor tem um fim onde acaba,
e o tempo sussurra uma nova ventura.

Porque terra e céu são cenários mudáveis,
palcos antigos que o tempo consome.
Mas firmes e eternas, em laços invioláveis,
ficam as palavras que o sopro não some.

Já deu tudo certo no plano invisível,
mesmo que os olhos só vejam a lama.
A calma retorna no tempo impossível,
e a vida renasce na voz de quem ama.

Sossegue o compasso, respire o momento,
junte os pedaços que o vento espalhou.
Depois do desmonte, renasce o alento,
pois tudo passou, mas você suportou
.

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