O deserto era fértil quando eu bebia do seu
amor
O deserto era fértil
quando eu bebia do
seu amor.
A areia guardava o frescor da nascente,
e o vento, que hoje sopra uma dor ausente,
trazia o perfume de um tempo melhor.
Suas palavras eram chuva
mansa na estiagem,
fazendo brotar flores onde havia solidão.
Eu caminhava sem medo, seguindo a miragem
que ganhou vida no centro do meu coração.
Hoje os rios secaram e o
chão rachou,
restou apenas a imensidão do que não fluiu.
O calor do teu peito nunca mais me tocou,
e o jardim que criamos o vento sumiu.
Olho o horizonte e só
vejo a poeira,
testemunha muda de um fim sem adeus.
Fui terra viva, fui planta faceira,
enquanto o meu mundo bebeu dos teus.
Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza
Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998
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