O poeta de Pirangi

O poeta de Pirangi
O Poeta de Pirangi

domingo, 4 de outubro de 2026

O deserto era fértil quando eu bebia do seu

amor

 


O deserto era fértil quando eu bebia do

seu amor.


A areia guardava o frescor da nascente,
e o vento, que hoje sopra uma dor ausente,
trazia o perfume de um tempo melhor.

 

Suas palavras eram chuva mansa na estiagem,
fazendo brotar flores onde havia solidão.


Eu caminhava sem medo, seguindo a miragem
que ganhou vida no centro do meu coração.

 

Hoje os rios secaram e o chão rachou,
restou apenas a imensidão do que não fluiu.
O calor do teu peito nunca mais me tocou,
e o jardim que criamos o vento sumiu.

 

Olho o horizonte e só vejo a poeira,
testemunha muda de um fim sem adeus.
Fui terra viva, fui planta faceira,
enquanto o meu mundo bebeu dos teus.

 

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998

apoesiadeclaudioluz.blogspot.com

 

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