sábado, 14 de março de 2026

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Castigo-me nos versos, sou poeta

 


A todos os Poetas

 

 

Estou aqui, abandono-me,

Choro letras, balbucio em estrofes,

Sou poeta, não estrangeiro, sou

Gestado aqui, tenho certezas.

 

Palavras cínicas ecoam-se ao vento,

Sou o alfabeto, transcrevo sonhos,

Ante o Ômega e o Alfa, fim e

Princípio de sonhos tristes,

Alegro-me.

 

Sou criança poeta, aspiro o perfume

do outono, a primavera de quimeras

Nos reacende, beijo os seus olhos translúcidos,

visto-me com as fases da lua, encanto-me

com o sol, não serpenteio, ascendo-me nas

inspirações, sou lápis.

 

Visto-me de papel almaço, desfaço-me

Nas correntezas dos meios-fios da

Vida, sou barco de papel, danço cirandas,

Danço na chuva contigo, Maria Lucia,

Sou poeta, escrevendo garatujas,

Torno o papel em branco.

 

Sou El Niño, poeta, você minha La Niña,

Musa, La Luna e El Sol, Esperamos o Outono

que nos proverá até o próximo inverno,

que nos aquecerá.

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