domingo, 15 de março de 2026

apoesiadeclaudioluzcompromessas

Promessas banhadas no Rio Almada

 


O Rio Almada me consome, deleito-me

No seu leito, sou Pouso Alegre, Guaracy,

Pirangi e Água Preta, curvo-me nas

Serras, Sou Massarandubas, Vinháticos e

Jussaras.

 

Sou serra do Chuchu, nascedouros do Almada,

que desagua nas terras de São Jorge dos Ilhéos,

salgo-me.

 

Sou Almadina, Coaraci, Itajuípe,

e Uruçuca, sou Banco do Pedro,

Rio do Braço, Castelo Novo, desnudo-me

No Iguape, sou o mar.

 

Sou agressivo em cheias perenes, cobro

Descasos a minha natureza, quando as minhas

margens capitulam, nas enchentes sou vazantes,

em dias calmos não me intimido, nas minhas

Invasões, te delimito para ver

As reconstruções de vidas antes

Secas, vertendo lágrimas peculiares.

 

Entre banhos e mergulhos, o chacoalhar

Das lavadeiras, esquivo-me dos anzóis,

Das tarrafas, paripes e dos munzuás,

Sou peixe Livre.

 

Cavo areais de barrancos, faço taipas,

Mergulhos nos redemoinhos, recebo

Bençãos de Iara (Uiara), Yemanjá das águas doces,

Saúdo "Odoyá" ou "Odociaba".

 

Faço preces de pescadores, sou

Promessas advindas da:

"Mãe das Águas",

 "Rainha das Águas Sagradas”.

 

Odoyá, minha mãe!

Salve o meu rio.

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