Lendas urbanas amorosas
Diz a lenda do tempo
antigo
que o amor era um espelho,
brilhando no azul do céu
como um conselho divino.
Mas caiu pelas estrelas,
no chão do mundo cortado,
partiu-se em mil pedaços,
e o homem o encontrou.
Cada alma pegou um caco,
guardou no peito a lasca fina,
pensando ter em mãos
toda a verdade divina.
Ilusão de quem caminha
em sua própria solidão,
julgando ter o infinito
na palma de sua mão.
Pois o amor não se retém
em um fragmento qualquer,
não vive no isolamento
de quem só se ver quer.
Ele ganha eternidade,
cura a dor da fratura,
quando duas almas livres
descobrem a mesma altura.
O mistério se revela,
o milagre se faz chão:
quando dois seres caminham
olhando na mesma direção.
Não é olhar um pro outro
em busca de posse ou cais,
é fitar o mesmo horizonte
e não se perder jamais.
Amar é viver até a exaustão
Toquei o topo do que é
humano,
provei a máxima felicidade em teu olhar,
e desfiz o nó de qualquer antigo engano:
compreendi que a vida só começa no amar.
Não teria nexo instalar
as velas agora,
nem desejar o fim antes do tempo consentido,
se a alma descoberta a sua própria aurora
e o peito, enfim, bateu com acrescido sentido.
Amar é um incêndio que
consome a calmaria,
uma urgência que não sabe o que é poupar,
é gastar a própria voz na mais pura melodia,
e a cada amanhecer, de novo, recomeçar.
Que venham os dias, as
curvas e a imensidão,
pois já não há medo do cansaço ou do que virá:
amar é persistir, viver até a exaustão,
com a certeza de que nada disso em vai ser.
Musiquei o meu amor
Não sei quando os
acordes acordam.
Ouvir músicas ao longo, tal qual
“Clarins” acompanhando um Concerto
Para um verão tardio. Inspire-me,
Despedindo-me da solidão. Não sou mais
só.
Como uma orquestra
ambulante, a
música exprimia o que eu não podia dizer
em palavras. Permaneci no silêncio da
minha voz, que dizia: "Embriague-se".
Me embriagar ouvindo uma
noite que
acompanhava as partituras em letras
perpendiculares, que exaltava o retorno
ao divã das minhas fantasias latentes,
agora amenizadas pelas promessas
oriundas do calor da noite que
cala. Médio.
Medito a falta dos seus
sonhos infantis,
quando as sinfonias inacabadas nos dariam
respostas eloquentes no final de uma
tarde fluorescente.
Não musiquei o meu amor por ti.
Me sinto como notas musicais órfãs,
com paradigmas dissonantes, te
esperando na estação mais próxima,
para admirar os seus olhos desafiando
os meus.
E dizem que Boemia não existe
Um lamento antigo, o
último gole,
Somos moicanos entre
primeiros,
Saideiras e andadeiras.
Não encerramos
O expediente noturno,
natural.
Não encerraremos a boemia
enquanto
Houver poesias, músicas,
cabarés e
Bons amigos — incluindo
os que partiram antes
De nós.
Filósofos a vida:
liberdade é arte, e os prazeres
Às vezes custam mais
caro. É pelo prazer dos
Encontros espontâneos
que desafiam as
Horas e os esporros das
nossas esperanças.
Sonhamos, entre doses
homéricas, que
O Reino da Boêmia nos
busca para
A República Tcheca, com
o direito de
Solvermos bebidas na
Transilvânia, na
Taça do Conde Vlad II
Dracul, o
Príncipe dos boêmios
noturnos.
Como diz o velho ditado,
boêmio inventa
Até estórias. Vou levar
mais uma para
Festejar o regresso de
que a Boemia sempre
existe.
O resto é conversa de
puritanos, que bebem
E dizem que não bebem.
Quem for o primeiro a
Ir embora vai ser mulher
do alambiqueiro.
Trato Feito.
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