Quando metáforas trazem a razão
Ficamos na dúvida entre a
oralidade e a efemeridade de um
sentimento que nasce, vive e morre
sem extrema-unção de almas ou de
atitudes que se perderam no céu azul.
A altitude falou mais
rápido, com palavras
vazias, juras repetidas e palavras bonitas
que se sustentavam; mas o criar foi mais
forte, trazendo escuridões e desamor.
A sensorialidade dos
beijos, beijos de
verdades ocultas, cessou quando os
nossos lábios se separaram, trazendo
escuridões e incertezas do amor que era
focado em eternidades imortais.
Ledo engano: o poema
dito, declamado
e soprado pelos meus lábios libertou-se
das metáforas, alimentando-nos da poesia
concreta. A abstrata ficou nos sonhos;
quando nos abandonamos, esquecemos da
máxima: — Era uma vez...
Olhar de anjo
O olhar de anjo sob o
sol que cega,
Mistério e luz num jogo que fascina,
A tua ausência de resposta entrega
A intensidade que o meu peito domina.
O astro-rei conspira na
clareza,
Ofusca a lua em segredos guardados,
Mas não há falsidade na beleza
Desses teus traços tão desenhados.
Me rendo enfim,
completamente embriagado,
Pela cor viva desse teu labiar,
O corpo reluzente, o toque desejado,
Que me seduz e me faz delirar.
Promessas feitas já não
fazem falta,
Se o horizonte se mostra tão claro;
O sentimento que no peito salta
Traz o futuro que hoje eu declaro.
Logo ali, ao alcance da
mão,
O amanhã já começa a sorrir;
Nesse compasso do meu coração,
É junto a ti que eu quero seguir.
Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada
Souza
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os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998
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