domingo, 12 de abril de 2026

apoesiadeclaudioluzsemvoz

Vozes das ruas

 


Pedras que rolam, amarguras

Que corrompem, nada além de gritos

E sussurros das sarjetas, os altos

Falantes antes gritavam, hoje

O radinho de pilhas é apenas saudades.

 

Um grito de goooooooooool ecoa no tempo, o

Estádio está vazio, enquanto isso

As pernas tortas desfilam em meio as guias

Das ruas, antes enlameadas, filtros negros

Esconde as barros e erros passados, pensamos

Em pisos fortes, pisamos aonde o ego não

Denuncia a falta de solidariedade, antes

Prementes.

 

Botamos o bloco na rua, dançamos

Enlouquecidos ao som das trombetas

Do Armagedom, estamos vivos.

 

As dores da noite gesta com o prenuncio de

Um talvez bom dia, o vinil está arranhado,

A música balbucia, incontido o réquiem já

Não comove a prole abandonada, somos

Filhos dos sonhos que agora dorme, sem

Escoar esperanças do alto-falante, agora mudo.

 

Somos o silêncio, somos o gooool contra,

O pênalti perdido, sozinho estamos nas

Multidões que caminham sem soltar a

Voz.

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