O poeta de Pirangi

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O Poeta de Pirangi

terça-feira, 29 de setembro de 2026

apoesiadeclaudioluznaufragio

Náufrago

 


Velejo com a alma, luto com as durezas

Dos sentimentos que afloram na noite,

Busco o xeque-mate, as peças conspiram

contra, me entrego as intercessões para

Não perder a sensibilidade amorosa que você

Ainda desperta em mim.

 

“O amor está vencido” (não morto), o meu veleiro

Busca um destino final, ancoro, o Nautilus busca

Perolas para realçar a sua beleza, velhos hábitos

Ainda persistem, rumo em busca da liberdade

Espiritual, que me bastará.

 

Oceano-me, o mar já não conversa mais

Comigo, sou náufrago dos meus sonhos.

 

A imensidão do mar é poética, tento as

Ondas de retorno, liberto-me, invoco as idas e

Vindas, pesco búzios nas marés da sorte ou

De azar.

 

Se for da sorte, pescarei saudades, se

For de azar, nadarei de acordo com os ventos,

Para o norte ou para o sul, contanto que o meu

Coração tenha abrigo em uma ilha deserta

Qualquer.

 

 

Carrego silêncios

 

Carrego silêncios, onde me faltam

Palavras, pranteio o tempo perdido, rezo

Agradecido por tudo, os pássaros

Me ouvem, sou franciscano, Paz e Bem.

 

Serei sempre amante, abraços apertados

Fluem do meu coração, acalento o amor

Verdadeiro, aprendo sem fazer barulho,

Sou aprendiz.

 

O profano é contraditório, não sei o que eu

Fui em vidas anteriores, sou a alma gêmea que

Me desgarrou, agradeço pelas passagens

Sinuosas, sigo em frente.

 

O setembro amarelo está dobrando

A esquina, o desamor não degustaram a minha

Alma, a minha revolução é silenciosa e

Interna, não faço barulho.

 

Não capitulo, não tenho medo da

Morte, pois não vivo uma sobrevida,

Escapo do esquecimento, sou resistência,

No meio das turbulências torrenciais,

Sou sereno.

 

O acaso não tirará a minha paz, os meus

Invernos não tiraram a minha voz, mas

O verão ressoa, trazendo o silêncio que eu

Lido contra o tempo.

 

A fé não eliminou os meus passos, mas

Me ajuda a ser com paixão andarilho,

Entre estradas que ainda percorrerei,

Para me reencontrar com os meus barulhos.


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