Agora que o meu amor se
foi
Agora que o meu amor se foi,
bebo da primavera o que restou,
desembaço os meus olhos na névoa,
e vejo a luz que o tempo guardou.
Agora que o meu amor se
foi,
os sonhos serão feitos de verão,
e os dias prosperarão por si sós,
na cadência livre do meu coração.
A aliança antiga foi
desfeita,
o nó que apertava se soltou.
Agora que o amor enfim se foi,
aspiro o perfume que a flor deixou.
Danço na chuva que lava
o passado,
percorro horizontes sem pressa ou fim,
me deleito entregue à solidão,
enquanto cuido do que há em mim.
E no compasso leve desse
adeus,
sigo em frente, sem olhar para trás,
esperando um novo amor que vem,
ou o de ontem que retorna em paz.
Diálogos com a alma do mundo
Antes da lógica traçar o seu desenho,
existe um sopro, um breve movimento,
um saber antigo que não pede comprometimento,
que nasce antes mesmo do pensamento.
É essa voz que habita o
chão do peito,
sussurrada manso em meio à tempestade,
que aponta o rumo de um traçado feito
muito antes da nossa própria vontade.
Mas logo chegam o medo e
o ruído,
as dúvidas que o mundo quer plantar,
o peso de um conselho não pedido,
e as mil razões para nos desviar.
Queremos provas, mapas,
garantias,
justificativas para o que já se sabe,
perdendo o rastro dessas linhas guias,
tentando mensurar o que não cabe.
Nem toda intuição traz a
certeza,
nem todo Norte brilha feito o sol.
Às vezes, ela é só delicada,
um fio invisível, um farol.
É um silêncio que pede
atenção,
um aviso discreto no caminho.
Antes de ouvir o mundo e a razão,
escute o que a alma diz sozinha.
Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza
Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998
apoesiadeclaudioluz.blogspot.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário