O poeta de Pirangi

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O Poeta de Pirangi

domingo, 11 de outubro de 2026

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Agora que o meu amor se foi


Agora que o meu amor se foi,

bebo da primavera o que restou,

desembaço os meus olhos na névoa,
e vejo a luz que o tempo guardou.

Agora que o meu amor se foi,
os sonhos serão feitos de verão,
e os dias prosperarão por si sós,
na cadência livre do meu coração.

A aliança antiga foi desfeita,
o nó que apertava se soltou.
Agora que o amor enfim se foi,
aspiro o perfume que a flor deixou.

Danço na chuva que lava o passado,
percorro horizontes sem pressa ou fim,
me deleito entregue à solidão,
enquanto cuido do que há em mim.

E no compasso leve desse adeus,
sigo em frente, sem olhar para trás,
esperando um novo amor que vem,
ou o de ontem que retorna em paz.

 

Diálogos com a alma do mundo

 

Antes da lógica traçar o seu desenho,

existe um sopro, um breve movimento,
um saber antigo que não pede comprometimento,
que nasce antes mesmo do pensamento.

 

É essa voz que habita o chão do peito,
sussurrada manso em meio à tempestade,
que aponta o rumo de um traçado feito
muito antes da nossa própria vontade.

 

Mas logo chegam o medo e o ruído,
as dúvidas que o mundo quer plantar,
o peso de um conselho não pedido,
e as mil razões para nos desviar.

 

Queremos provas, mapas, garantias,
justificativas para o que já se sabe,
perdendo o rastro dessas linhas guias,
tentando mensurar o que não cabe.

 

Nem toda intuição traz a certeza,
nem todo Norte brilha feito o sol.
Às vezes, ela é só delicada,
um fio invisível, um farol.

 

É um silêncio que pede atenção,
um aviso discreto no caminho.
Antes de ouvir o mundo e a razão,
escute o que a alma diz sozinha.

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998

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