quarta-feira, 9 de julho de 2025

apoesiadeclaudioluzretroativa

La tulipe noire

Folha de Poesia: AO LONGE OS BARCOS DE FLORES (Camilo Pessanha) 

Quando os seus olhos me cristalizaram, envolvendo-me

Como em ondas dos seus cabelos, agora

Negros.

 

És tulipa, flor amorosa que brota no cais

Do meu coração, quando o amor entra por

Um desvio.

 

Bebo vinho em sua tulipa negra para

Aportar no seu navio.

Não existe cais, só desvios e desafios para beber

O seu corpo a La Tulipe Noire.

 

Você me deixa louco e tonto, surdo e

Cego, como se fosse, minha dona.

 

Me beija na nuca. Ah! Insensatez quando

Eu penso em você pelo avesso.

 

 

Deveras o equinócio aproxima-se

 

O equinócio aproxima-se como esferas glaciais, sem remorsos só quero me lembrar do que em mim para sempre é amor.

Só quero lembrar-me entre os céus e as estrelas, entre ondas que navegam no meu coração agora solitário, não só nesta noite pois, sei que nada mais será como antes, ou será?

Não desejo novas aparências, essências talvez importe nesta noite quando as estrelas prenunciam um novo Horizonte, ascendentes talvez.

Somos mutantes, esquecemos que esquecemos de nos esquecer quando esquecemos que o sol brilhará mais uma

vez amanhã.

É início de madrugada, o meu coração não dorme esperando você chegar, um coração que já bate pouco quando você não vem, solidão talvez, com os seus olhos de tigresa que sonda os meus pensamentos, afogando-me quando caio como anjo alado, dos altos céus para o seu peito ofegante, sinto o seu toque, sou altar entre lençóis onde você deposita-se como oferenda, fazendo-me sentir um só corpo, entre realidades e sonhos nunca D'antes navegados, entre saudades, não me diga que não.

Setembro se aproxima-se, deveras o equinócio já está desnudando as tristezas só por amor que nos é como sempre filial.

 

Eu quero te ler

 

Eu quero te ler entre os meus versos, brilhantes, opacos,

Ressentidos de lembranças

E falsas esperanças.

Eu quero te ler, te levando entre

Palavras, provérbios talvez.

Eu quero te ver neste inverno, desnudada

banhando-se, na penumbra

Do sol encoberta por nuvens invernais.

Eu quero beber com você um bom vinho, entre

O piano que não te vi você tocar.

Eu estou te vendo, apenas o que não

Tirei dos teus escritos.

Eu quero te ler!

Poxa!

 

O caos que nos completa

 

Amo-te em poesias,

Dispenso a distâncias, te leio entre as chuvas

Que agora cai, seus versos me molham, encharcar-me como ébano, flores de lótus e tecidos de seda que cobrirá

O seu corpo poético que um dia, talvez.

Talvez, sim, entre estrelas e nuvens

Passageiras que flutuam entre as distâncias que não está em mim e nem

Em você.

Completo-me em seus versos e nos

Meus.

Deu pra ti.

O caos existe e está nos consumindo, entre amores que nos ressuscitará, agora.

Te amo entre o caos e a ressurreição do que quero de ti.

 

Imaginações

 

Imaginações que brotam forte,

fazendo crescer o amor, acompanhado de ventos fortes, infinito perfeito que bate nas nuvens e abala o firmamento que

Vem do seu íntimo cheio, cheio de imaginações, ilusões talvez.

Imaginações, que vêm impregnadas

De dentro de ti, alada, em companhia

De Orfeu ou Bachus, violinos,

Ou apenas letras que nos banham,

Entre vinhos e músicas que nos faz

Dançar.

Inspirações que seguem antes da chegada do cometa ou da próxima grande lua que entre nós habitará,

Tímidos em imaginações, talvez,

Felizes sim.

 

Solidões

 

Em cada esquina, mesas de bares vislumbram

A natureza que invade a minha alma entre versos e juras de

Amores de perdições, todo poeta é triste quando

Escreve versos, observando folhas secas que caem representando

Um amor que se foi.

Incomensuráveis são os meus sentimentos, latentes que buscam

O inadiável que nos ofusca agora mesmo perto de ti entre

Fotografias registrando um passado não distante das escuridões,

Que nos envolviam entre olhares, gestos, de um correr para o outro,

Entre juras secretas, extinguindo o passado, em busca de um presente

Que queremos que não se cale por inanição de declarações e juras,

Inapeláveis são, mas entre o mediterrâneo, tridimensional

Vislumbro o seu corpo entre lençóis banhados no Rio Almada,

Entre o Rio Cachoeira, sangue que brota do meu coração buscando

Mais uma vez a ti

Sou peralta agora perambulo numa estrada

Infindável, perceptível, percorrendo de novo imagens adormecidas

De esperanças, relembrando prefixos e sortilégios, sem artifícios,

Beijando em sonhos o seu olhar que diz sim, finalizo

As nossas solidões.

 

Sem amor

 

Você não sente o sol crescendo

Dia a dia, é um jeito de fazê-la sorrir, não é tão difícil se você souber como

Nós iremos dançar nosso blues.

Se eu estou me sentindo bem pra você

E você está se sentindo bem pra mim,

Não há nada que não possamos fazer ou dizer,

Sentindo-nos bem, sentindo-nos legal, imortal,

Não imoral, descompassando passos

Para os lados, em torno do partir daqui, antes do pôr-do-sol.

Sem amor, onde você estaria agora

Sem amor,

Sem amor e blues, onde você estaria agora?

domingo, 6 de julho de 2025

Quanto eu te via no Malecon


Quando eu passeava no Malecon,

0 mar marejava no seu silêncio,

Enternecido eu era, mergulhando

Entre ondas, raios de silibrinas

Emanados dos faróis do

“Selead Beam”, reluzentes

Como os brilhos dos seus olhos cor luscos

Fuscos.

 

Coração rompante que me doía, sem

Dó, minhas pernas que não rimavam, pois

Tremulas estavam em derredor.

 

Dançava tangos a la porteño,

Entre as minhas correntes sanguíneas,

Latejos na fronte, lábios ressequidos,

Pra cantarolar frases dúbias,

Incertezas do seu amor, agora distante.

 

Ressuscito-me, busco de novo o Malecon,

Deito-me para fitar as estrelas, antevejo

O mar não revoltoso, mas sereno entre o

Marejar das ondas perfeccionistas

Que agora vem me surfar.

 

El paredon que agora ampara

O fumegante, que queima o meu corazon

Que clama por um “mojito”

Apimentado, na La bodeguita del

Almada.

sábado, 5 de julho de 2025

apoesiadeclaudioluzgritosemeco

Grito sem eco

 


Embriago-me com doses homéricas

de “old fashioned”, antes néctar dos

seus lábios, agora ressecados,

onde gotículas de salivas passadas

refrescavam os nossos sonhos,

antes não antiquados, agora

velhos.

 

Agora misturamos o clássico,

Folhas de centeio apanhadas nos

Campos, agora sombrios, não bizarros,

Fora de moda, como o amor a

Moda antiga.

Sem oferendas de flores, agora parcas, poucas

Abundantes em minhas mãos que

Agora não mendigam, antes

Pródigas em receber o seu amor.

 

Deus sabe das coisas, efêmeros somos,

Um dia somos anjos adormecidos,

Em meios as saudosas batalhas, das

Quais saímos vencedores, hoje apenas

Sem rumo, sem buscar um novo reencontro.

 

Vivemos entre névoas, enfrentando ecos

Sem gritos que rejubilem as nossas

armaduras antes cheias de brilhos,

agora amontoadas, machucadas sem

forças para gritar.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

apoesiadeclaudioluzA espera, uma solidão anunciada

 A espera, uma solidão anunciada


Quando a espera, antes vidas entralhadas,

Larvas cansadas, solidão em compasso

De espera, céu por testemunha,

Fim de linha.

 

Cordas embaralhadas, fim do poço

A céu aberto, fio de vida, navalha da

Morte, estirando os braços para

Não lhe abraçar.

 

Morte anunciada, com olhos pasmos

te contemplam, carrascos ditos

salvadores cruzam os braços

fazendo nó em cordas, agora

vocais entoando lamentações.

 

Frio na espinha, calor que não abrasa,

Morte finda, fitando as estrelas que

Agora solitária te espera.

Apenas vaticínios sem vida.

sábado, 21 de junho de 2025

apoesiadeclaudioluzentresolsticios

Solstício entre explosões não cósmicas

 


Sonhar pra que?

Se a noite que orienta o inverno

É a mais longa do ano e que um dia

Acabará, quando a primavera chegar.

 

Danço ao som do Solstício, a passos largos

Espero o Equinócio, enquanto tergiverso com

A estrela do meu sonhar.

 

Apenas fenômenos, afinal como

Disse o poeta: não existe pecado abaixo

Do Equador.

 

Não nos consola, quando abandonamos

O século XVII e atravessamos o XXI, observando

Os misseis que inexoravelmente caem na dita

Terra Santa, sem os auxílios das Cruzadas que

Há muito se ausentaram.

 

Agora que "Sibila de Jerusalém" guardou

A “Saif” (Espada), as "shamshir" (Garra de Leão), foram 

desembainhadas,

Cortando o firmamento etéreo, entre Israel

E o Irã, apenas choros e lamentações,

O que fazer?


sexta-feira, 20 de junho de 2025

Enquanto a cidade dorme


Enquanto a cidade dorme eu poeto, talvez

Indo para Pasárgada, para ser chamado

De meu rei esperando assistir

O esperado veredicto de José,

drummondiano, após um longo processo poético,

Depois musical.

 

A lua cala, pois, os processos são muitos

E os Jardins Kafkanianos, nos leva a uma metamorfose,

Abstrata que nos corrói, entre

Pandemias, sonhos desfeitos como

Água que escorrem entre os nossos dedos

Inertes.

 

Os versos fluem com mais intensidade,

Nas noites de ansiedades há solidões de

Corpos que jazem, em algum lugar.

 

Enquanto a cidade dorme deixamos de

Ser amantes, ocupamos lugares nas filas,

Protagonizando "Ensaios da cegueira",

De Saramago, que agora nos delimita

até no amar, sem as ondas do mar.

 

A cidade dorme e a lua nos

Deleita, quando ainda andamos

sobre encontros, talvez despedidas.

quinta-feira, 19 de junho de 2025

 

Réquiem para Naynara Tavares


Quando as cortinas se fecham,

Não é o final do espetáculo e sim

As luzes da ribalta que se apagam,

Em deferência a atriz, que entrou

Em cena ao apagar das luzes.

 

O sonho não se desfez ao fechar

Dos seus olhos em ascensão ao

Alto escarlate, agora poesias como

Prelúdios emergem entre estrelas

Abrandando os nossos lacrimejantes

Olhos, sem maquiagem.

 

Quando os Sinos dobram por você, que agora

Dorme, entre centelhas de anjos,

Enquanto soam as trombetas celestiais, que

Te saúdam na sua chegada eterna,

Que agora será o seu palco luminar.