O poeta de Pirangi

O poeta de Pirangi
O Poeta de Pirangi

domingo, 11 de janeiro de 2026

apoesiadeclaudioluzvadiando

Os meus versos estão vadiando na chuva

 


A chuva não torrencial escorre

Pelas calçadas, não estou tropego,

Os capins estão escorregadios,

Equilibro-me sobre os meios-fios,

Observo o sol tímido, o cinzento

Inspira-me, vou versejar.

 

Poeto-me sem rimas, versos

Vadios componho, escorrem em

Meus dedos embriagues de sonhos e

Ressacas.

 

Vejo os seus olhares de repreensões,

Comprimo-me, chego na praça das

Ilusões perdidas, sou poeta ao ar livre,

Traço um trago, o compasso e o copo

São insuficientes, tomo mais uma.

 

Dispo-me, visto-me com papeis

Amassados, versos que não combinaram

Comigo começaram a vadiar, abro alas,

Os tambores me fazem dançar, entrelaço

Os sons ditos, não são ditos pelo meu

Coração, que levita em um barco de papel

Deslizando nas guias das ruas, agora nebulosas.

sábado, 10 de janeiro de 2026

apoesiadeclaudioluzsabadal

Pássaro do amanhã

 


Dentre em nós misturamos

Os nossos sonhos, quiçás o canto

Do Pássaro do Amanhã, quer alvissareiro,

Em voos de liberdade ou aprisionado

Numa gaiola a pão e água.

 

Olhar a tristezas que carregam nas asas

Reprimidas, canto triste, firmamentos

Efêmeros, sem alcances, liberdade

Onde estás?

 

Mourejamos como aves agourentas,

Passos perdidos nos prendem no chão,

Somos sem asas, escravos entrecortados

Nas noites, quando esperamos o

Primeiro canto do Pássaro da Manhã que

Teima em nos acordar.

"Libertas quae sera tamen”

 "Liberdade, ainda que tardia". 


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

apoesiadeclaudioluzsextante

Habemus Copos


 
Entre copos deslizamos na mesa

Desnuda, saudamos as espumas que

Reluzem entre o incolor e o amarelo

Sorviveis, retinir de vozes,

Recordações latentes, saúde!

 

Assim passa-se os dias, revivemos memórias,

Prevendo o agora, o faturo ainda vem

Cambaleante.

 

A danças das garrafas nos convém,

Justas acompanhantes, tampilhas

Espalmadas, brindes excessivos, vozes

Que não querem calar, garçom

Mais uma.

 

Bebemos por tédio?

Bebemos a tudo, vidas presentes,

Vidas efêmeras, enfermas, brindes a morte

Infinita enquanto dura.

 

Entre copos somos partidos, estilhaços

Não recolhidos, sangue que jorra, entre

Amores afeitos ou partidos,

Habeas-Corpus, Habemus Papam,

Temos o copo.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

apoesiadeclaudioluzdançandonapraça

 Somos as Canções não perdidas

 


Somos uma linguagem dos deuses,

Somos citaras embriagadas, os

Céus nos dá testemunhos, somos

Brisas suaves, músicas para os

Ouvidos atentos.

 

Partituras nos vestem, esvoaçados

Estão os nossos cabelos, os clarins

Invadem os ambientes propícios,

Pinçamos letras, revoamos entre

Pássaros, somos réguas musicais:

Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si. 

Si, Lá, Sol, Fá, Mi, Ré, Dó.

 

Somos errantes sem músicas, mendigos

Sem alegria, estradas sem fim não

Nos separam, tijolos amarelos utópicos

Nos fascinam.

 

Entoamos as últimas canções, ouvimos

As canções do Canário rei, o Uirapuru

Faz coro com os Aracuãns, na torre

Da Matriz.

 

"Somos crianças sentadas na praça" 

Tocamos flauta para dançar, mas os outros não,

E depois cantamos lamentos, mas os outros

não choram. (Lc 7:31-35).

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

apoesiadoclaudioluzaultimasessao

Ecrã

 


Ecrã, as nossas visões nos

Dividem, a tela está branca, somos

Figuras infinitas, diálogos mentalizados,

Gestamos gestos coloquiais,

Somos contrarregra de ribaltas.

 

Não bailamos pela música, o compasso

Dos ventos não nos traem, boleros

Nos encantam, desejaríamos uma

Valsa, a última valsa, no verão.

 

Inspirações nos prolongam, não somos

Imortais, transpiramos nas celuloses,

O silêncio é cumplice.

 

Parabenizamos o oculto, transparências

São nominadas


na tela do antigo

Cinema mudo que preenchiam os

nossos olhos.



Éramos fascinados entre cenas amorosas,

Fantasiosas e violentas, éramos ecrã não

opacos, luzes se apagavam, começando

á última sessão


do cine poeira.


apoesiadeclaudioluznoreisado

Ouro, incenso e mirra

 


Concelebrar a partilha, repartir

As dores, esperar o tempo prescrito,

Tempo rei, ide e visitai-o, o

Universo nãos conspira, revira

Entre perdões e omissões, somos

Ouro.

 

Inalamos o ar, dito puro nos polui,

As espirais dos vícios nos furtam,

As rosas não choram, somos incenso.

 

Multifacetado somos luto, o olhar

Da ganancia flutua, entre incertezas,

D’antes concebidas, imagens inteiras

Nos esgueiram, os pecados são

Latentes, omissões nos sepultam,

Somos mirra.

 

Ah! O amor filial, onde estás que

Não respondes, somos magos sem

Estrelas, comendo areias que nos

Cegam, quando o "In dubio na poesia"

Está presente no "in dubio pro reo".

domingo, 4 de janeiro de 2026

apoesiadeclaudioluziluminaçõesevozes

Luz dos oprimidos

 


Já não é Ano Novo, bombas

Espocam fundindo a madrugada,

Brilhos gerados in vitro, força

Desigual confundem, o obvio,

Ululante é o tempo vindouro.

 

Não somos eternos, delírios da

Natureza alimentam os insanos,

Assistimos impávidos, quem sabe

Um dia seremos vítimas também?

 

Lamentos eclodem, mesas fartas confabulam

Os impasses, o que já era farrapos

Caminham mais uma vez incertos,

A terra já não tem mais palmeiras,

Os pássaros de lá já não gorjeiam como

Os nativos daqui.

 

O Uirapuru cala-se, o cálice da submissão

Dejeta, vidas antes livres morrem,

Liberdade, Liberdade aonde estás

Que não respondes.

 

 

A voz que clama

 

"Eu sou a voz que clama no deserto" – João 1:23

 

 

Somos vozes latentes, os espaços

Estão preenchidos, o eco ecoa na

Luz, o coração transcorre pelas

Veredas, as sandálias já não nos

Proporcionam calos, calo-me.

 

Procuro inquirir quem exclamou o

Adeus, até logo para os íntimos,

Íntimos dons, força vital, nada

É eterno.

 

Um novo aeon (Αἰών), apaga-se, estrelas

Submissas já não nos encantam, embriagamo-nos,

Caímos nas sarjetas das esferas, somos párias.

 

O que era uno agora separou-se, ilusões

Se perderam, as juras e pregações

Ficaram nos livros profanos e sagrados,

Páginas viradas, o que era futuro

Agora se propaga em buscas do silêncio

Que só os nossos corações ditarão, clamarão

As pedras com razões obscuras do que a

Luz não nos revelou.