Somos as Canções não perdidas
Somos uma linguagem dos deuses,
Somos citaras embriagadas, os
Céus nos dá testemunhos, somos
Brisas suaves, músicas para os
Ouvidos atentos.
Partituras nos vestem, esvoaçados
Estão os nossos cabelos, os clarins
Invadem os ambientes propícios,
Pinçamos letras, revoamos entre
Pássaros, somos réguas musicais:
Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si.
Si, Lá, Sol, Fá, Mi, Ré, Dó.
Somos errantes sem músicas, mendigos
Sem alegria, estradas sem fim não
Nos separam, tijolos amarelos utópicos
Nos fascinam.
Entoamos as últimas canções, ouvimos
As canções do Canário rei, o Uirapuru
Faz coro com os Aracuãns, na torre
Da Matriz.
"Somos crianças sentadas na praça"
Tocamos
flauta para dançar, mas os outros não,
E depois
cantamos lamentos, mas os outros
não choram. (Lc 7:31-35).
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