domingo, 4 de janeiro de 2026

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Luz dos oprimidos

 


Já não é Ano Novo, bombas

Espocam fundindo a madrugada,

Brilhos gerados in vitro, força

Desigual confundem, o obvio,

Ululante é o tempo vindouro.

 

Não somos eternos, delírios da

Natureza alimentam os insanos,

Assistimos impávidos, quem sabe

Um dia seremos vítimas também?

 

Lamentos eclodem, mesas fartas confabulam

Os impasses, o que já era farrapos

Caminham mais uma vez incertos,

A terra já não tem mais palmeiras,

Os pássaros de lá já não gorjeiam como

Os nativos daqui.

 

O Uirapuru cala-se, o cálice da submissão

Dejeta, vidas antes livres morrem,

Liberdade, Liberdade aonde estás

Que não respondes.

 

 

A voz que clama

 

"Eu sou a voz que clama no deserto" – João 1:23

 

 

Somos vozes latentes, os espaços

Estão preenchidos, o eco ecoa na

Luz, o coração transcorre pelas

Veredas, as sandálias já não nos

Proporcionam calos, calo-me.

 

Procuro inquirir quem exclamou o

Adeus, até logo para os íntimos,

Íntimos dons, força vital, nada

É eterno.

 

Um novo aeon (Αἰών), apaga-se, estrelas

Submissas já não nos encantam, embriagamo-nos,

Caímos nas sarjetas das esferas, somos párias.

 

O que era uno agora separou-se, ilusões

Se perderam, as juras e pregações

Ficaram nos livros profanos e sagrados,

Páginas viradas, o que era futuro

Agora se propaga em buscas do silêncio

Que só os nossos corações ditarão, clamarão

As pedras com razões obscuras do que a

Luz não nos revelou.

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