Luz dos oprimidos
Já não é Ano Novo, bombas
Espocam fundindo a madrugada,
Brilhos gerados in vitro, força
Desigual confundem, o obvio,
Ululante é o tempo vindouro.
Não somos eternos, delírios da
Natureza alimentam os insanos,
Assistimos impávidos, quem sabe
Um dia seremos vítimas também?
Lamentos eclodem, mesas fartas confabulam
Os impasses, o que já era farrapos
Caminham mais uma vez incertos,
A terra já não tem mais palmeiras,
Os pássaros de lá já não gorjeiam como
Os nativos daqui.
O Uirapuru cala-se, o cálice da submissão
Dejeta, vidas antes livres morrem,
Liberdade, Liberdade aonde estás
Que não respondes.
A voz que clama
"Eu sou a voz que clama no
deserto" – João 1:23
Somos vozes latentes, os espaços
Estão preenchidos, o eco ecoa na
Luz, o coração transcorre pelas
Veredas, as sandálias já não nos
Proporcionam calos, calo-me.
Procuro inquirir quem exclamou o
Adeus, até logo para os íntimos,
Íntimos dons, força vital, nada
É eterno.
Um novo aeon (Αἰών), apaga-se,
estrelas
Submissas já não nos encantam, embriagamo-nos,
Caímos nas sarjetas das esferas, somos párias.
O que era uno agora separou-se, ilusões
Se perderam, as juras e pregações
Ficaram nos livros profanos e sagrados,
Páginas viradas, o que era futuro
Agora se propaga em buscas do silêncio
Que só os nossos corações ditarão, clamarão
As pedras com razões obscuras do que a
Luz não nos revelou.

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