O poeta de Pirangi

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O Poeta de Pirangi

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Encanto das Marias


Maria, mulher, mãe, redentora das

redomas de cristal, luz do mundo,
afeto sem fim, princípio eterno,
unhas encravadas no madeiro
frio.

Marias acompanhadas,
Marias da Glória,
Marias Soledade,
Neivas Maria,
Marias Lúcia,
Lícias Maria,
Marias José,
Josés Maria,
Marias Vitória,
Marias de todas as Graças e amor,
Mães Marias.

Dou graças a todas as Marias que
na natividade nos iluminaram, Luz do Mundo.
Das bem-aventuradas, das felizes, das sofredoras,
das vitoriosas, das perdedoras, das pecadoras,
assim são todas as Marias que o Céu nos
mandou. Somos filhos de Marias, somos filhos
das Marias da Luz, da Paz,
das Marias que nos encantaram.

 

Mergulho

 

E quando eu voltar do mergulho
Que fiz no fundo da minha alma,
O mundo pode estar o mesmo
Com sua pressa, seu barulho, sua calma.

 

Mas eu não.
Trago silêncio onde havia eco,
Trago mapas de um país secreto,
Costurei pedaços do quebrado,
Deixei no abismo o que era passado.

 

O vento lá fora sopra igual,
As mesmas ruas, o mesmo sinal;
Mas quem desceu na profundidade
Não volta ileso de tal beleza.

 

Volto mais leve, um pouco outro,
Lavado a limpo do meu esgoto,
Com sal da vida na própria pele
E um verso novo que nasce dela.

 

Além do toque

 

Você não está onde eu possa te tocar,
Com as mãos, o calor ou o olhar;
Mas habita um canto secreto e sagrado,
Onde o tempo não passa e não há o passado.

 

Está onde o vento não ousa soprar,
Onde a força do mundo não pode alcançar;
No fundo do peito, sem brilho da mente,
Um eco macio, eterno e presente.

 

As milhas se espalham, a distância é real,
Mas guardo você num abraço mental.
Pois se o corpo não sabe o que é te abraçar,
A alma não deixa a saudade apagar.

 

O amor tem seu compasso

 

O relógio foi perdido na pressa,
e o ponteiro cansou de contar.
O amor não tem hora que avisa,
tem a hora exata de estar.

 

Um olhar que suspende o minuto,
um sorriso que acalma a imensidão,
o silêncio que fala mais alto,
e o abraço que vira canção.

 

Não há pressa pro tempo da calma,
nem urgência pro que faz bem:
é sentir a alegria da alma,
sem querer ser de mais ninguém.

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