sexta-feira, 20 de março de 2026

apoesiadeclaudioluzduo

Pedras entre espinhos

 


Coleciono pedras pelos caminhos

Que percorro, não as atiro, pinto-as como

se fossem brilhantes,

Precisando de lapidações para sobreviver,

Sem ofuscar os mármores e granitos

Eternizados nos pisos alheios,

 

Já fui em limítrofes eternas,

Pedra de mó, Pedra seixo, Pedra São Tomé,

Pedra Caco, Ardósia, Pedra Miracema,

Pedra Ferro, Paralelepípedo,

Pedra de Rumo, só não fui a Pedra

Angular, não merecia ser.

 

Não atirei pedras em pecadores, sou

Também das mesmas estepes, árido,

Solitário, ouvindo os ventos uivantes.

 

Me calo nas noites de inverno, não

Infernizo o tempo, firo-me nos espinhos

Escarlates, sou da tapera, casas de

Pedras não me emociona, o frio passante

É o mesmo, vejam as estações.

 

Sou pedra de rios, molhado por fora

E seco por dentro, não me movo,

Crio limos, faço renascer as pirâmides

Egípcias.

 

Adorno os pescoços,

Não como uma marca de forca, mas como

Um falso brilhante que te ofereci, entre

O padecer do sol, ao Ver a lua brilhar.

 

Ouço retumbante os cânticos do poeta que ecoou,

“No meio do caminho tinha uma pedra”.

Clamo! quem não tiver uma pedra,

Atire o primeiro pecado.

 

Fugir pra que?


 

Somos desertores, a natureza

Nos comove quando fugimos, quando o

Desapego é mais forte, na morte.

 

Somos solenes, bradamos lágrimas pelos

Sofrimentos alheios, somos fracos nos

Nossos, estereótipos, algoz antes,

Apaziguador agora, somos feras

Feridas sem cicatrizes a mostra,

Somos bandagens poluídas, íntimos

Dons sombrios.

 

É preciso sentir o luto, pra que poupar

Lágrimas doces, se temos as salgadas que

Tempera as nossas vidas mundanas,

Somos passageiros sem bilhetes

De regressos.

 

Não nos poupamos, pois pra que fugir do

Coração que arde sem chamas

Aparentes, engolimos o choro, então.

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