Pedras entre espinhos
Coleciono pedras pelos caminhos
Que percorro, não as atiro, pinto-as como
se fossem brilhantes,
Precisando de lapidações para sobreviver,
Sem ofuscar os mármores e granitos
Eternizados nos pisos alheios,
Já fui em limítrofes eternas,
Pedra de mó, Pedra seixo, Pedra São Tomé,
Pedra Caco, Ardósia, Pedra Miracema,
Pedra Ferro, Paralelepípedo,
Pedra de Rumo, só não fui a Pedra
Angular, não merecia ser.
Não atirei pedras em pecadores, sou
Também das mesmas estepes, árido,
Solitário, ouvindo os ventos uivantes.
Me calo nas noites de inverno, não
Infernizo o tempo, firo-me nos espinhos
Escarlates, sou da tapera, casas de
Pedras não me emociona, o frio passante
É o mesmo, vejam as estações.
Sou pedra de rios, molhado por fora
E seco por dentro, não me movo,
Crio limos, faço renascer as pirâmides
Egípcias.
Adorno os pescoços,
Não como uma marca de forca, mas como
Um falso brilhante que te ofereci, entre
O padecer do sol, ao Ver a lua brilhar.
Ouço retumbante os cânticos do poeta que ecoou,
“No meio do caminho tinha uma pedra”.
Clamo! quem não tiver uma pedra,
Atire o primeiro pecado.
Fugir pra que?
Somos desertores, a natureza
Nos comove quando fugimos, quando o
Desapego é mais forte, na morte.
Somos solenes, bradamos lágrimas pelos
Sofrimentos alheios, somos fracos nos
Nossos, estereótipos, algoz antes,
Apaziguador agora, somos feras
Feridas sem cicatrizes a mostra,
Somos bandagens poluídas, íntimos
Dons sombrios.
É preciso sentir o luto, pra que poupar
Lágrimas doces, se temos as salgadas que
Tempera as nossas vidas mundanas,
Somos passageiros sem bilhetes
De regressos.
Não nos poupamos, pois pra que fugir do
Coração que arde sem chamas
Aparentes, engolimos o choro, então.
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