quinta-feira, 26 de março de 2026

apoesiadeclaudioluzmultiplas

Apenas uma canção

 


Mulher,

Apenas uma canção nos faz adormecer,

 as estrelas Ofegantes bailam, o cristalino dos

Seus olhos arejam em torno da canção,

Estonteante, a noite nos suga,

Somos umedecidos pelo refrão

Que ecoa no salão, somos o baile.

 

A noite nos absolvem a moda antiga, o

Croonner balbucia “Besame mucho”,

Enquanto deslisamos em passadas largas, sem

Luz negra, o branco do seu vestido

Transcende os outros pares, quem sabe

Não sabem amar como nós dois.

 

Aceitas o meu pedido de perdão por

Ter falseado nos passos perdidos, maldito

Sapato novo.

 

Credito mais uma vez o amor por ti,

A madrugada clama, o tempo reclama

Em não aceitar o fim da música predileta,

Falo de ti, os aplausos nos interrompem,

Curvo-me solenemente agradecido, com

Pressa aceito o apelo e te beijo muito.

 

Como num sonho nupcial o baile nos acorda,

Aceitamos o que a vida nos dá, ou

Capitularemos até a próxima canção.

 

 

Entre o coração e a razão

Maktub!

Em brigas do coração com a razão

Só um perde, há dor que constrange,

Entre abandonos cotidianos as incertezas

nos corrompem.

 

Queremos visitar os jardins, não

Existe flores, queremos beber água da fonte

Que secou, somos retábulo de altares mor.

 

As estrelas não tomam partidos, os céus

Escurecem aguardando recolhimentos do

Que há de sobras, agora sou rebotalho.

 

Os muros estão altos, inatingíveis, não

Podemos transpor, somos correntes

enferrujadas, somos prisioneiros do

Orgulho latentes, que não

Nos deixam tocar a alma que grita.

 

Somos próceres de corações partidos,

Os entendimentos pedem armistícios,

Somos artífices de amores sonhados,

Os matamos.

 

O toque do silêncio nos envolve, o réquiem

Esquecido em alguma gaveta, retorna como

Arauto de tempos passados, caminhamos

Entre ruinas daquilo que um dia se chamava amor.

 

Agora o coração, antes infante, cabula entre

A razão e os perdões que talvez não virá, mesmo

Em suplicas simbólicas o que pode ser feito

Está desfeito.

 

Expectativas invernais

 

Os jardins estão áridos, a folha de papel

Está em branco, o lápis bicolor

Está estático, sombras permeiam o

Universo cálido, o espectro travestido

De anjo sobrevoa até o poente, sonhos

Agora não me deleita.

 

Rego a rosa franzina, o

tenro do ontem não me comove,

rogo a misericórdia que não me deixe

hibrido, sou poesia, poemas e outros

escritos, que se esvai na minha memória

de jardineiro do ocaso.

 

Aceno para o tempo, incertezas

não me recompões, recolho as lágrimas,

embrulho as lembranças que cabem

no meu bolso, agora furado.

 

O meu coração acelera, descompassado,

Não ouço os seus passos, o vento sibila

Em Jerusalém, o calvário está próximo.

 

Raios rasgam os céus incolor, exalto

O nascituro, é tempo quaresmal, a

Rosa roxa se esconde no purpúreo,

Incensos chegam, inalo as chuvas

Outonais, agora sou invernal,

Hiberno fora do tempo, que não

Me compraz.

 

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