quarta-feira, 29 de julho de 2026

apoesiadeclauioluzencacerada

Cáceres


Sou carne, o tempo me delimita,

Sou guiado, trânsito sem julgamentos,

Sou prisioneiro de mim mesmo, as

Grades me retém.

 

Sou estrangeiro dos meus sonhos,

Retenho a alma, a dor é existencial,

A angustia não é pura, como o sentimento

Profundo, dói na minha tez amarela, sem o calor

Do sol.

 

Sou algemas, a alma gêmea me abandonou,

Sou pária com extradição marcada, o

Trem já apitou, os tentáculos das correntes

Causam frisson, estou sem agasalhos.

 

Sou luz tênue, apagaram as lamparinas do

Centro da terra, não vejo o brilho das estrelas,

Tento beijar o infinito, não o alcanço.

 

Sou procriador, os intervalos entre o dia e a

Noite são escassos, a liberdade não tem

Asas para voar, sou pássaro sem aço.

 

O meu canto me disfarça, sou apenas mais um

Mambembe, que cambaleia no espaço restrito

Que a vida me concebeu.

 

Ah! Liberdade tardia, o meu peito arde, o

Ufanismo agora é itinerante, sem os meus

Passos que adormecem no lábaro embrutecido

Da solidão.

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