Cáceres
Sou carne, o tempo me delimita,
Sou guiado, trânsito sem julgamentos,
Sou prisioneiro de mim mesmo, as
Grades me retém.
Sou estrangeiro dos meus sonhos,
Retenho a alma, a dor é existencial,
A angustia não é pura, como o sentimento
Profundo, dói na minha tez amarela, sem o calor
Do sol.
Sou algemas, a alma gêmea me abandonou,
Sou pária com extradição marcada, o
Trem já apitou, os tentáculos das correntes
Causam frisson, estou sem agasalhos.
Sou luz tênue, apagaram as lamparinas do
Centro da terra, não vejo o brilho das estrelas,
Tento beijar o infinito, não o alcanço.
Sou procriador, os intervalos entre o dia e a
Noite são escassos, a liberdade não tem
Asas para voar, sou pássaro sem aço.
O meu canto me disfarça, sou apenas mais um
Mambembe, que cambaleia no espaço restrito
Que a vida me concebeu.
Ah! Liberdade tardia, o meu peito arde, o
Ufanismo agora é itinerante, sem os meus
Passos que adormecem no lábaro embrutecido
Da solidão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário