A falta que o seu corpo faz
O lençol ainda guarda o desenho
do contorno que o tempo desfez;
a curva que a sala não tem,
o calor que a memória refaz.
Falta o peso do braço na
noite,
falta o passo marcado no chão;
o silêncio é cheio de ausência,
vira eco no meio da imensidão.
O meu tato procura no
espaço
uma pele que já não está aqui;
é um vazio de carne e de abraço,
de tudo o que fomos e vi.
O Jardim Invisível
Sou o silêncio que
escuta o teu clamor,
A terra mansa onde a mente faz morada.
Em cada peito, um terreno cultivador,
Onde a semente da ideia é semeada.
Eu me alimento de tudo o
que sustentas,
Do medo escuro ou da luz que te alumia.
Se regas mágoas em horas cinzentas,
Colhes a noite no meio do teu dia.
O universo não julga a
tua escolha,
Não discrimina o espinho ou a flor.
Seja o broto que seca na folha,
Ou o perfume de um campo de amor,
Ele apenas devolve a
constância,
Dizendo amém ao que forças por dentro.
O que repetes com fé e distância,
Ganha raízes no teu próprio centro.
Vigia, portanto, este
chão interior,
Arranca o que pesa com leve ternura.
Devolve o olhar ao que tem mais valor,
Dá tempo e espaço à semente mais pura.
Pois no final dessa
interna jornada,
No solo sagrado que abriga o teu ser,
A alma pergunta, na voz calada:
O que, afinal, escolheste viver?
Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada
Souza
Todos
os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998
apoesiadeclaudioluz.blogspot.com

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