O poeta de Pirangi

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O Poeta de Pirangi

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

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A falta que o seu corpo faz


O lençol ainda guarda o desenho

do contorno que o tempo desfez;
a curva que a sala não tem,
o calor que a memória refaz.

 

Falta o peso do braço na noite,
falta o passo marcado no chão;
o silêncio é cheio de ausência,
vira eco no meio da imensidão.

 

O meu tato procura no espaço
uma pele que já não está aqui;
é um vazio de carne e de abraço,
de tudo o que fomos e vi.

 

 

O Jardim Invisível

 

Sou o silêncio que escuta o teu clamor,
A terra mansa onde a mente faz morada.
Em cada peito, um terreno cultivador,
Onde a semente da ideia é semeada.

 

Eu me alimento de tudo o que sustentas,
Do medo escuro ou da luz que te alumia.
Se regas mágoas em horas cinzentas,
Colhes a noite no meio do teu dia.

 

O universo não julga a tua escolha,
Não discrimina o espinho ou a flor.
Seja o broto que seca na folha,
Ou o perfume de um campo de amor,

 

Ele apenas devolve a constância,
Dizendo amém ao que forças por dentro.
O que repetes com fé e distância,
Ganha raízes no teu próprio centro.

 

Vigia, portanto, este chão interior,
Arranca o que pesa com leve ternura.
Devolve o olhar ao que tem mais valor,
Dá tempo e espaço à semente mais pura.

 

Pois no final dessa interna jornada,
No solo sagrado que abriga o teu ser,
A alma pergunta, na voz calada:
O que, afinal, escolheste viver?

 

 

 

Autor: Cláudio Luz/Luz do Almada Souza

Todos os direitos reservados: Lei nº. 9.610/1998

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