O poeta de Pirangi

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O Poeta de Pirangi

domingo, 18 de outubro de 2026

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 Simplesmente marcas

 


Carrego marcas, sim...
Gravadas na pele, na alma, no chão,
linhas que contam de onde eu vim,
do peso que coube no meu coração.


Histórias escritas em tom de ferida,
que o tempo teimou em cicatrizar,
memórias caladas que a própria vida
obrigou minha mente a guardar.

 

Mas trago comigo, bem antes do fim,
um sopro que o vento não poderia calar.
Carrego a coragem que vive em mim,
a força tamanha de continuar.


Porque a ferida não dita o caminho,
nem roubou o destino que o peito quer ver,
eu sigo em frente, de passo em mansinho,
no rastro do que ainda vou ser.

 

Mesmo se tudo por dentro desaba,
mesmo quando tudo em mim ainda sente,
a dor se transforma, a tormenta deságua, e
a alma renasce, guerreira e valente.


Sentir não é freio, sentir é o motor,
as marcas são provas de quem resistiu.
Eu sou a beleza que nasce da dor,
o porto seguro que o pranto abriu.

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