Simplesmente marcas
Carrego marcas, sim...
Gravadas na pele, na alma, no chão,
linhas que contam de onde eu vim,
do peso que coube no meu coração.
Histórias escritas em tom de ferida,
que o tempo teimou em cicatrizar,
memórias caladas que a própria vida
obrigou minha mente a guardar.
Mas trago comigo, bem
antes do fim,
um sopro que o vento não poderia calar.
Carrego a coragem que vive em mim,
a força tamanha de continuar.
Porque a ferida não dita o caminho,
nem roubou o destino que o peito quer ver,
eu sigo em frente, de passo em mansinho,
no rastro do que ainda vou ser.
Mesmo se tudo por dentro
desaba,
mesmo quando tudo em mim ainda sente,
a dor se transforma, a tormenta deságua, e
a alma renasce, guerreira e valente.
Sentir não é freio, sentir é o motor,
as marcas são provas de quem resistiu.
Eu sou a beleza que nasce da dor,
o porto seguro que o pranto abriu.

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