O poeta de Pirangi

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O Poeta de Pirangi

domingo, 18 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzdominical

Entre o Fogo e a Cinza

 


Eu sou a chama que pode aquecer,
ou o silêncio de ver você arder.
Entro no fogo se for para te erguer,
mas viro pedra se o erro for teu ver.

 

A mão desenhada que puxa do abismo
é a mesma que cruza os braços no cisma.
Não sou teu juiz, nem venho te punir:
sou reflexo exato do que vais escolher.

 

Escolhe o abraço, e eu viro escudo;
Escolhe a queda, e eu ajudo a tudo.
Porque o calor que consome e a castiga
depende da estrada que o passo abriga.

 

Tudo é espelho.
Tudo é entrega.
O fogo não mente:
ele só entrega o que a alma carrega
.

 

 

 

A libertação da alma e o desatar das

paixões

 

Desata, enquanto é tempo, e com firmeza,
Os nós cegos que a alma foi atando,
Mistura de desejo e de incerteza,
Que a emoção sutil veio moldando.

 

Mais fácil é romper o fio isolado,
O anseio breve ou a mágoa que consome,
Do que desmanchar o laço já fincado
Dessa paixão que tudo engole e some.

 

Mas rompe, sim, a corda da ilusão,
Mesmo que sangre a carne no processo,
Se busca uma eterna juventude e ascensão,
Mais bela e pura do que o teu começo.

 

Expulsa o mundo que te habita o centro,
Despe-te do cansaço que ele traz,
E vê quão fraco é o que estava dentro,
Ao contemplar a tua própria paz.

 

O mundo só parece forte e altivo
Aos olhos de quem chora na corrente;
Deixa de ser escravo e é cativo
Apenas dessa força que em você sente.

 

Seguindo em frente

 

Há passos que a gente não dá,
Há caminhos que não vão dar em nós,
Há mundos que escolhem girar
Sem nunca escutar nossa voz.

 

Deixar que o outro decida
O rumo do próprio jardim,
É aceitar que a nossa vida

Não tem que sofrer pelo fim

Que o outro escolheu assinar.
O barco é dele no mar;
Se ele quiser se perder,
O leme não é de você.

O peso que não foi plantado
Por mãos que vieram do teu querer,
Não deve ficar ancorado
No peito que quer florescer.

Solta a corda. Deixa ir.
A alma só sabe voar
Quando ela deixa de vir
Carregar o que é de outro lugar.

 

O Voo das Cinzas

 

Nas profundezas do silêncio, o olhar se apura,
A alma observa o mundo e o tempo que passa.
Caminha só, na noite densa e escura,
Pois a independência é sua própria couraça.

 

A sabedoria não vem do que o vento traz,
Mas do fogo que arde e ensina a lição.
A intuição sussurra onde habita a paz,
Percebendo os sinais na sutil vibração.

 

Ter visão no escuro é o dom de encontrar
A luz escondida na incerteza mais fria.
No mistério do oculto, aprenda a calar,
Deixando que o sagrado mude a rota do dia.

 

Silêncio e observação precedem o ato,
A força contida não age por vão impulso.
É no recolhimento, no pacto abstrato,
Que o coração dita um novo compasso ao pulso.

 

E quando o cansaço consome a estrutura,

O fogo sagrado convida a queimadura.
A transformação é dolorosa, mas pura:
Morrer para o velho, aprender a voar.

 

Não há fim absoluto para quem traz a chama,
O destino da ave é o eterno romper.
Do pó e da cinza que a terra reclama,
A Fênix desperta... pronta a renascer.

 

 

Itabuna “Merces Laborum Suorum”

 

Itabuna, nascida sob a égide do cacau, intrépida guerreira,

às margens do Rio Cachoeira, que ainda corre para o mar,

cresceu e desfila ainda deslumbrante, como a Rainha do Cacau.

Tabocas, desde Ferradas, nas sombras dos jequitibás, se impõem,

como seu fundador, o Coronel Firmino Alves, líder político.

Amado, Jorge, filho ilustre, dito ferrazenses, que da lavra,

extraiu a essência do coronelismo e jagunços, entre tocaias e

Bacamartes.

União comercial, social, educacional e cultural, exercida em

conjunto com as coirmãs regionais.

Navegas hoje em busca do destino que o

AMOR Divino lhe ungiu, com "A recompensa de seus trabalhos"

 

A Geometria dos Inteiros

 

Disseram-nos, desde o princípio, que éramos metade,
Duas partes dispersas pelo sopro do vento,
Procurando no outro a cura da saudade,
O encaixe perfeito para o próprio lamento.

 

Mas a verdade ecoa no silêncio do teu ser:
Sua alma já nasceu vestida de inteireza.
Não há vácuo em ti que o outro vá preencher,
Você é o próprio brilho, o caminho e a certeza.

 

O amor não é a busca pelo pedaço perdido,
Mas o encontro de dois mundos que já são luz.
É o caminhar que faz o horizonte expandido,
Sem o peso da falta que cega e reduz.

 

Quando o outro chega, o espaço não se divide,
Nem a própria essência se apaga no altar.
É soma que transborda, travessia que reside
No milagre sutil de compartilhar sem se anular.

 

Que a gente aprenda, enfim, essa dança sagrada:
Lado a lado caminho, na mesma direção,
Dois inteiros que cruzam a longa estrada,
Mantendo o próprio passo e a própria canção.

 

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