O poeta de Pirangi

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O Poeta de Pirangi

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

apoesiadeclaudioluzperfumada

O Perfume da Ausência


 

A cadeira está vazia, o silêncio é o que restou,
Mas nas frestas da rotina, sinto o que ela deixou.
Ela não cruza mais a porta, nem me chama pelo nome,
Mas o amor que me entregou, o tempo não consome.

 

Ficou impregnado em mim, na pele e na memória,
Como um capítulo eterno que reconta a nossa história.
Está no jeito que eu olho, no calor do meu abraço,
Na doçura das palavras e na força de cada passo.

 

Não é uma herança de coisas que o vento desfaz,
É uma costura na alma que me envolve e me dá paz.
Ela se foi no relógio, partiu para além do olhar,
Mas fez morada interna, onde a morte não pode entrar.

 

Sou o reflexo do afeto que ela soube cultivar,
Se hoje sei sentir tanto, foi por ela me ensinar.
Ela não está mais aqui, o mundo mudou de tom,

Mas sou feito do seu amor, e o que ficou de nós é bom.


O Doido e Meio

 

Eu busco a calma, o respeito e a paz,
Vivendo na linha que a vida me traz.
Com toda empatia, evite o conflito,
Guardo a ternura num canto bonito.

 

Mas se a calmaria virar desacerto,
E o mundo esquecer que o amor é de perto,
Se um coração louco vier desafiar,
Eu entro na dança pra te acompanhar.

 

Pois quando a razão decide ceder,
E o peito transborda num querer sem porquê,
Se um doido achar que domina esse freio,
Eu mostro pra ele que há um doido e meio.

 

Não é por desordem, não é por revanche,
É fogo cruzado, é o nosso romance.
Se o mundo achar que o amor é delírio,
A gente se entrega, do caos ao círio.

 

De mãos dadas nessa loucura sagrada,
Eu sou sua força na mesma estrada.
Se a vida pedir pra provar quem ama,
Estarei lá com você — do fundo da alma.

 

Espinhos de Outubro

 

Mesmo diante do espinho mais doído,
você floresce, forte e altiva,
com um olhar que abraça o mundo,
tão amorosa, tão compreensiva.

 

O vento forte tenta o corpo fraquejar,
mas o teu peito guarda um sol que brilha,
uma certeza mansa de que vai passar,
guiando com doçura a sua trilha.

 

Não há rasteira que apague o teu sorriso,
nem tempestade que desfaça o teu querer.
O teu otimismo é o chão que preciso
para ver que o amanhã vai renascer.

 

A cura já desenha o seu caminho,
na fé que acolhe e no amor que cura tudo.
Você é a força vestida de carinho,
o milagre mais bonito deste mundo.

 

Testemunha de Fogo e Sangue Rosa

 

O mundo se veste de algodão e aurora,
num tom que afaga o que a alma chora.
Lá está ela, silhueta firme e mansa,
onde o horizonte inteiro dança.

 

O fundo é rosa, de um céu que se derrama,
uma mistura de doçura, carne e chama.
Não há segredos que fiquem no escuro,
quando o dia rompe o mais alto muro.

 

E lá no topo, soberano e altivo,
o sol assiste a tudo, quente e vivo.
Ele é o juiz, o cúmplice, a certeza,
que joga luz sobre tamanha beleza.

 

A mulher caminha, sem medo do que virá,
pois sabe que o astro-rei a guiará.
Com o sol por testemunha do seu destino,
o fundo rosa vira um altar divino.

 

O Ciclo da Chuva

 

O céu está chorando sobre a cidade fria,
derrama em gotas o peso que o peito trazia.
Mas não há inverno que apague o que é fiel:
eu guardo o amor sob a minha pele,
como um sol escondido atrás do véu.

Na correnteza que corre pela calçada,
lavo a minha alma de toda mágoa guardada.
É aceito o tempo que limpa e que consome,
enquanto o vento sopra e o dia algum.

 

Olho o jardim e a pergunta no vento correm:
que fim levaram todas as flores do apego?
Talvez durmam na terra, onde nada morre,
esperando a primavera trazer o sossego.

 

Almas Plurais

 

Somos meros esboços traçados ao vento,
Filhos de sonhos que o tempo acolheu,
Mistérios que brilham em cada momento,
No traço imperfeito que a vida escreveu.

 

Somos as luzes que espantam a escuridão,
Faíscas de alma no imenso vazio,
Que trazem calor à mais fria estação
E guiam os barcos que cruzam o rio.

 

Em cada tropeço, o rascunho se altera,
O traço se molda, a moldura se vai,
Mas vive em nós uma eterna primavera,
Que folha não no outono desfaz.

 

Almas que se reinventam na dor e no riso,
Mudando de forma, de rumo e de cor,
Buscando no caos o seu próprio paraíso,
Tecendo o amanhã com as linhas do amor.

 

E nessa transmutação constante e sutil,
Onde o velho se apaga e o novo se faz,
Mantemos intactos, no fundo do coração,
A essência plural que nos torna imortais.

 

O Canto dos meus sonhos

 

Olho para o espelho e vejo além da superfície,
Há uma força em mim que a própria mente desconhece.
Mesmo que a tempestade lá fora comece,
Minha alma se recusa a aceitar a menos cabo ou tolice.

 

Eu acredito no poder dos meus sonhos e sigo,

Nenhum vento forte é capaz de apagar a minha chama.
Quem traz a própria luz no peito não se perde na lama,
E faz caminhar o seu maior e mais fiel amigo.

 

Não nasci para ser sombra, não sou perdedor,
A queda é só o ensaio para o salto mais bonito.
Meu horizonte é largo, meu limite é o infinito,
E transformo em cicatriz de orgulho a minha dor.

 

Eu sou muito mais forte do que posso imaginar,
Um guerreiro silencioso que não teme o caminhar.

 

Ansiedades

 

Quantas vezes a ânsia de provar
O nosso ponto, o certo e o veredito,
Nos faz cegar, e deixa em paz calado
O coração que pede um abrigo, e um grito?

 

A gentileza não é braço fraco,
é força calma, é luz no escuro emaranhado;
Uma palavra mansa cura tanto
Que mil razões jamais ocorreram.

 

Respire antes de abrir a própria voz,
Escolha a brisa em vez do vendaval.
Pois o que fica na alma, afinal,
Não é quem teve o último argumento...
É quem soube acalentar o sentimento.

 

Quando o peito oscila na balança,
Entre a razão fria e a ternura pura,
A ternura vence — e quem acolhe
Jamais perde a verdade que cura.

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