O poeta de Pirangi

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O Poeta de Pirangi

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

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Sob a proteção dos céus dos apaixonados

 


Deitamos na praia, o sol regozija-se.
O esperanto é a língua-mãe,
a linguagem é universal. O sol
também se levanta, o amor flutua
entre as nossas almas, somos a
natureza latente.

 

O céu sem estrelas nos encobre.
Esperamos a noite para tomar banho
de lua e nos enxaguarmos com as
estrelas seculares; somos anjos.

O amor flutua, descortina-se entre
os nossos corpos. Somos apaixonados desde
a vigésima quinta hora que nos desperta.


Somos únicos, desde a aurora até o poente,

Somos juramentos em busca da Ponte dos
Suspiros. Somos amantes premidos com
as promessas que adormecem nos céus.

 

Estamos protegidos.

 

Inconclusões

 

Não houve perda, houve achado,
Se foi amor, o tempo diz.
O que restou ficou guardado,
Memória viva, cicatrizada.

 

A bússola que o peito guia
Chegou bem antes do relógio;
O sentimento não adia,
Não pede tempo nem elogio.

 

Diante do céu guardei silêncio,
Mas os temporais cá de dentro
Me interrogaram em turbilhão:
Exigiram que eu fosse eu,
Na coragem que o medo deu,
De entregar meu próprio coração.

 

Falar de amor, ouvir o eco,
Aceitar o boato que ele quis,
Mesmo contra a minha própria voz.
Ceder ao que não controla,
E entender que, no final das contas,
O amor decide sobre nós.

 

Amor a preço fixo

 

Às vezes a vida não nos rouba ninguém,
não leva o abraço, não corta o caminho,
apenas acende a luz que convém
e mostra o cansaço de estarmos sozinhos
mesmo estando acompanhados.

 

O custo não vem em moeda ou metal,
não se paga com juros, nem nota de cem;
cobra-se em paz, em silêncio e em mal
que a gente aceita de quem não convém.

 

É o pedaço de alma que a gente concede,
o sorriso forçado, a voz que se cala,
a sede de afeto que nunca se sede,
o eco vazio que mora na sala.

 

Manter por perto quem já se ausentou
é carregar peso que a estrada não pede.
A vida não tira: ela apenas mostrou
o preço exato do fio que se perde.

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