Sob a proteção dos céus dos apaixonados
Deitamos na praia, o sol
regozija-se.
O esperanto é a língua-mãe,
a linguagem é universal. O sol
também se levanta, o amor flutua
entre as nossas almas, somos a
natureza latente.
O céu sem estrelas nos
encobre.
Esperamos a noite para tomar banho
de lua e nos enxaguarmos com as
estrelas seculares; somos anjos.
O amor flutua,
descortina-se entre
os nossos corpos. Somos apaixonados desde
a vigésima quinta hora que nos desperta.
Somos únicos, desde a aurora até o poente,
Somos juramentos em
busca da Ponte dos
Suspiros. Somos amantes premidos com
as promessas que adormecem nos céus.
Estamos protegidos.
Inconclusões
Não houve perda, houve
achado,
Se foi amor, o tempo diz.
O que restou ficou guardado,
Memória viva, cicatrizada.
A bússola que o peito
guia
Chegou bem antes do relógio;
O sentimento não adia,
Não pede tempo nem elogio.
Diante do céu guardei
silêncio,
Mas os temporais cá de dentro
Me interrogaram em turbilhão:
Exigiram que eu fosse eu,
Na coragem que o medo deu,
De entregar meu próprio coração.
Falar de amor, ouvir o
eco,
Aceitar o boato que ele quis,
Mesmo contra a minha própria voz.
Ceder ao que não controla,
E entender que, no final das contas,
O amor decide sobre nós.
Amor a preço fixo
Às vezes a vida não nos
rouba ninguém,
não leva o abraço, não corta o caminho,
apenas acende a luz que convém
e mostra o cansaço de estarmos sozinhos
mesmo estando acompanhados.
O custo não vem em moeda
ou metal,
não se paga com juros, nem nota de cem;
cobra-se em paz, em silêncio e em mal
que a gente aceita de quem não convém.
É o pedaço de alma que a
gente concede,
o sorriso forçado, a voz que se cala,
a sede de afeto que nunca se sede,
o eco vazio que mora na sala.
Manter por perto quem já
se ausentou
é carregar peso que a estrada não pede.
A vida não tira: ela apenas mostrou
o preço exato do fio que se perde.
Nenhum comentário:
Postar um comentário